2014-04-02

Alentejo Central já tem Conselho Estratégico para o Desenvolvimento Inte...

O FUTURO DO ALENTEJO DESENHA-SE HOJE, COM A PARTICIPAÇÃO DE TODOS

Confesso não conseguir entender, entre outras, a acusação do líder do PS quando refere que o Governo português se atrasou dois anos na preparação do próximo Quadro Comunitário de Apoio, se tivermos em conta que o anterior levou muito mais de 2 anos a regulamentar e a implementar e chegou a 2 anos do final do seu prazo de validade com uma execução miserável e vergonhosa para um país pobre e dependente desses apoios para a sua actividade económica. O resultado está aliás à vista. Vejamos então o enquadramento.

A partir de 2014 e até 2020, Portugal receberá um novo pacote de 21 mil milhões de € de fundos comunitários, estrategicamente destinados à promoção e criação do emprego e ao estímulo à economia e às empresas, especialmente PME, em detrimento de infraestruturas como estradas e escolas como aconteceu no QREN que agora termina. A criação de riqueza e de emprego sustentável serão pois as prioridades para a aplicação de 10M€ por dia.


Para evitar os atrasos observados com a implantação do QREN e o desperdício de elevado volume de verbas que não foram utilizadas no atual pacote de fundos, Portugal foi um dos primeiros países da União Europeia a entregar à Comissão Europeia a proposta/acordo de parceria para aplicação dos fundos, marcado pelo reforço do FSE, representando uma aposta clara na valorização das pessoas e das suas competências e um alívio da preocupação com os investimentos em infraestruturas e equipamentos, sendo a quase totalidade das verbas distribuídas por 4 das 7 regiões, entre elas a do Alentejo.

O Alentejo vê assim reforçado o pacote financeiro de apoio da União Europeia, de pouco mais de 800M€ para um volume superior a 1.200M€, a aplicar num Plano de Ação Regional aprovado por unanimidade dos atores regionais, pela primeira vez de que há memória, no Conselho Regional da CCDRA. Reconhecimento público é merecido e devido à CCDRA e à estrutura técnica e de gestão do ainda INALENTEJO, pela ampla consulta e discussão pública participada que não tiveram medo de promover, antes estimularam, bem, todos os dias, em todas a partes e por todos os sectores deste imenso Alentejo.

Não tenho qualquer dúvida de que a atual equipa responsável por aquelas duas interdependentes estruturas regionais implementará sem atrasos um novo programa de apoios comunitários para o Alentejo, para que desde o primeiro momento as empresas e entidades da economia social possam iniciar a execução dos financiamentos disponíveis e os mesmos não sobrem, no final do período de programação, como acontece hoje em dia.

Valha-nos pois a alteração, ainda que tardia, dos gestores e das equipas da CCDRA e do INALENTEJO, pois se tal não tivesse ocorrido, estaríamos hoje certamente a braços com maiores dificuldades de execução dos fundos comunitários colocados à disposição de Portugal no âmbito do QREN, cuja taxa de execução atingia no Alentejo, cerca de 22% a 2 anos do final do período de programação, no final de 2011, em boa parte pelo fato de o anterior governo socialista ter demorado bem mais de 2 anos a criar as condições regulamentares de acesso aos mesmos pelas empresas e entidades do Alentejo e das restantes regiões de convergência nacionais.



Mas serão certamente aqueles responsáveis a promover a reorientação das intenções de investimento das autarquias locais na animação e rentabilização dos equipamentos colectivos já existentes em detrimento da construção de novos, a reorientação da oferta formativa dos actores do sistema de educação e formação regional em função das necessidades concretas ditadas pelo investimento externo que surge e pela expansão produtiva das unidades regionais em produção, a procura de agentes e actores que promovam novas medidas de criação de emprego que rompam o ciclo da crise e dos novos contextos económicos e sociais em que o aumento do desemprego ocorre.

Ora, o grande desafio que agora ocorre é o da responsabilidade de participação dos vários e diferentes actores regionais não apenas na aplicação futura dos apoios comunitários do período de programação 2014-20, mas também na discussão construtiva de um quadro de definição das prioridades e linhas de acção do Programa Operacional Regional do Alentejo para esse novo período que se encontra em discussão pública, tradicionalmente com exíguos níveis de participação.

Passados 4 QCA’s e 28 anos sobre o início das ajudas comunitárias (ajudas de pré-adesão com início em 1986), seria incompreensível que a participação dos actores regionais alentejanos na definição do figurino e dos mecanismos de aplicação de um QEC que destina 93% da sua dotação às regiões menos desenvolvidas, entre elas o Alentejo, passasse mais uma vez ao lado daquilo que no futuro se adivinha possa vir a ser reclamado por alguns dos que hoje se sintam tentados a ficarem em casa: a adaptação das opções do QEC às necessidades do futuro da região.

2014-02-16

O SERVIÇO PÚBLICO DE EMPREGO, AGENTE ATIVO NA QUALIFICAÇÃO DO EMPREGO REGIONAL

O desemprego em 2013 ficou abaixo de todas as previsões: do INE, do Orçamento de Estado, da OCDE, da Comissão Europeia e do FMI. Segundo o INE, no último trimestre do ano passado, a taxa de desemprego ficou nos 15,3%, contra 16,9% no final de 2012 e, pela primeira vez desde o início da crise financeira e económica, houve criação líquida de emprego.

A inversão da tendência observada no comportamento do desemprego em Portugal verificou-se igualmente no Alentejo, onde, segundo o INE, o ano de 2013 terminou com uma taxa de desemprego de 15,5%, bem abaixo dos 17,2% observados no final de 2012. Apesar de os números do desemprego serem ainda bastante elevados para a realidade nacional e alentejana, não parece haver dúvida de que se começa a instalar uma trajetória de redução do desemprego que, a par de sinais como o crescimento económico positivo, o aumento das exportações e a descida das taxas de juro da dívida portuguesa, gera otimismo nos agentes económicos e nos cidadãos.
No Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), o número de desempregados inscritos nos ficheiros no final de 2013 situava-se 5% abaixo do valor registado em igual data do ano 2012, depois de termos assistido a taxas de crescimento anual do número de inscritos superiores a 40% em meados de 2012, iniciando a partir de então um percurso descendente. Ora, essa inversão regional, acentuada no último trimestre de 2013, dever-se-á por certo em grande medida às variáveis nacionais antes referidas, para além de duas dimensões de ação da política governativa, a saber: a) por um lado, sobre as políticas ativas de emprego e; b) por outro lado, sobre o relançamento do Serviço Público de Emprego (SPE).
Entre as primeiras, podemos apontar o lançamento de um conjunto de novas medidas ativas de emprego pelo governo, nos 2 últimos anos, destinadas a incentivar e estimular a criação de emprego e a contratação de desempregados pelas empresas, para além dos estágios profissionais e da sistematização e simplificação das próprias medidas ativas de emprego.

Por outro lado, o SPE sofreu uma profunda reforma que reestruturou a sua rede regional, reorganizou o modelo de gestão, integrou as dimensões do emprego e da formação nas práticas e modelos de intervenção quotidiana e fomentou um aprofundamento da relação com o exterior e uma otimização dos recursos disponíveis.
Essa otimização traduziu-se num crescimento galopante das taxas de execução e aplicação dos recursos financeiros (co-financiados pela União Europeia) colocados ao dispor do Alentejo, superando os 93% da dotação disponível em 2013, o que se traduziu num crescimento igualmente substancial do número de pessoas abrangidas pelas medidas de Emprego, Formação Profissional e Reabilitação Profissional promovidas pelo IEFP: quase 45.000 pessoas durante o ano de 2013, no Alentejo.
O crescimento do número de pessoas abrangidas no Alentejo pelas medidas ativas de emprego (incluindo a formação profissional) promovidas pelo IEFP no ano passado, foi pois de 35% sobre o mesmo volume de pessoas abrangidas em 2011 e de 32% sobre 2010. Se tomarmos 2011 por referência, o crescimento de 2013 é mais acentuado nas medidas de emprego (39,3%) do que na formação profissional (29,7%), sendo que os programas de emprego abrangeram mais 39% de pessoas e as colocações de desempregados cresceram em 40,6% nos anos em apreço, o que é apreciável, tendo em conta a degradação da economia regional observada nesse período, em consequência da crise financeira e económica.
Novas formas de programação da produção de competências profissionais, orientadas menos pelo anunciado potencial e mais pelo acompanhamento de proximidade aos investimentos reais; uma aproximação às empresas líderes das fileiras produtivas regionais, orientadora dos perfis de competências necessários para a formação de desempregados e ativos; um posicionamento ativo das estruturas formativas do IEFP na rede de interface entre o Sistema de Ciência e Tecnologia regional e o tecido empresarial regional; um aprofundamento dos mecanismos de integração das componentes emprego e formação, na concretização das medidas ativas de emprego, foram as opções estratégicas regionais do IEFP, no Alentejo, tomadas e seguidas em 2013.


Na certeza de que muito ainda haverá a melhorar durante este ano de 2014, as preocupações principais prendem-se com: a) a necessidade de estimular e apoiar a iniciativa empresarial e de empregabilidade de jovens e desempregados, qualificados; b) incentivar e apoiar o espírito empresarial dos desempregados com experiência profissional, na criação de empresas em várias atividades; c) a dinamização articulada das estruturas de apoio ao desenvolvimento empresarial existentes na região (do IEFP e outras), que explorem as oportunidades locais de investimento de pequena escala.