2014-04-02

O FUTURO DO ALENTEJO DESENHA-SE HOJE, COM A PARTICIPAÇÃO DE TODOS

Confesso não conseguir entender, entre outras, a acusação do líder do PS quando refere que o Governo português se atrasou dois anos na preparação do próximo Quadro Comunitário de Apoio, se tivermos em conta que o anterior levou muito mais de 2 anos a regulamentar e a implementar e chegou a 2 anos do final do seu prazo de validade com uma execução miserável e vergonhosa para um país pobre e dependente desses apoios para a sua actividade económica. O resultado está aliás à vista. Vejamos então o enquadramento.

A partir de 2014 e até 2020, Portugal receberá um novo pacote de 21 mil milhões de € de fundos comunitários, estrategicamente destinados à promoção e criação do emprego e ao estímulo à economia e às empresas, especialmente PME, em detrimento de infraestruturas como estradas e escolas como aconteceu no QREN que agora termina. A criação de riqueza e de emprego sustentável serão pois as prioridades para a aplicação de 10M€ por dia.


Para evitar os atrasos observados com a implantação do QREN e o desperdício de elevado volume de verbas que não foram utilizadas no atual pacote de fundos, Portugal foi um dos primeiros países da União Europeia a entregar à Comissão Europeia a proposta/acordo de parceria para aplicação dos fundos, marcado pelo reforço do FSE, representando uma aposta clara na valorização das pessoas e das suas competências e um alívio da preocupação com os investimentos em infraestruturas e equipamentos, sendo a quase totalidade das verbas distribuídas por 4 das 7 regiões, entre elas a do Alentejo.

O Alentejo vê assim reforçado o pacote financeiro de apoio da União Europeia, de pouco mais de 800M€ para um volume superior a 1.200M€, a aplicar num Plano de Ação Regional aprovado por unanimidade dos atores regionais, pela primeira vez de que há memória, no Conselho Regional da CCDRA. Reconhecimento público é merecido e devido à CCDRA e à estrutura técnica e de gestão do ainda INALENTEJO, pela ampla consulta e discussão pública participada que não tiveram medo de promover, antes estimularam, bem, todos os dias, em todas a partes e por todos os sectores deste imenso Alentejo.

Não tenho qualquer dúvida de que a atual equipa responsável por aquelas duas interdependentes estruturas regionais implementará sem atrasos um novo programa de apoios comunitários para o Alentejo, para que desde o primeiro momento as empresas e entidades da economia social possam iniciar a execução dos financiamentos disponíveis e os mesmos não sobrem, no final do período de programação, como acontece hoje em dia.

Valha-nos pois a alteração, ainda que tardia, dos gestores e das equipas da CCDRA e do INALENTEJO, pois se tal não tivesse ocorrido, estaríamos hoje certamente a braços com maiores dificuldades de execução dos fundos comunitários colocados à disposição de Portugal no âmbito do QREN, cuja taxa de execução atingia no Alentejo, cerca de 22% a 2 anos do final do período de programação, no final de 2011, em boa parte pelo fato de o anterior governo socialista ter demorado bem mais de 2 anos a criar as condições regulamentares de acesso aos mesmos pelas empresas e entidades do Alentejo e das restantes regiões de convergência nacionais.



Mas serão certamente aqueles responsáveis a promover a reorientação das intenções de investimento das autarquias locais na animação e rentabilização dos equipamentos colectivos já existentes em detrimento da construção de novos, a reorientação da oferta formativa dos actores do sistema de educação e formação regional em função das necessidades concretas ditadas pelo investimento externo que surge e pela expansão produtiva das unidades regionais em produção, a procura de agentes e actores que promovam novas medidas de criação de emprego que rompam o ciclo da crise e dos novos contextos económicos e sociais em que o aumento do desemprego ocorre.

Ora, o grande desafio que agora ocorre é o da responsabilidade de participação dos vários e diferentes actores regionais não apenas na aplicação futura dos apoios comunitários do período de programação 2014-20, mas também na discussão construtiva de um quadro de definição das prioridades e linhas de acção do Programa Operacional Regional do Alentejo para esse novo período que se encontra em discussão pública, tradicionalmente com exíguos níveis de participação.

Passados 4 QCA’s e 28 anos sobre o início das ajudas comunitárias (ajudas de pré-adesão com início em 1986), seria incompreensível que a participação dos actores regionais alentejanos na definição do figurino e dos mecanismos de aplicação de um QEC que destina 93% da sua dotação às regiões menos desenvolvidas, entre elas o Alentejo, passasse mais uma vez ao lado daquilo que no futuro se adivinha possa vir a ser reclamado por alguns dos que hoje se sintam tentados a ficarem em casa: a adaptação das opções do QEC às necessidades do futuro da região.

2014-02-16

O SERVIÇO PÚBLICO DE EMPREGO, AGENTE ATIVO NA QUALIFICAÇÃO DO EMPREGO REGIONAL

O desemprego em 2013 ficou abaixo de todas as previsões: do INE, do Orçamento de Estado, da OCDE, da Comissão Europeia e do FMI. Segundo o INE, no último trimestre do ano passado, a taxa de desemprego ficou nos 15,3%, contra 16,9% no final de 2012 e, pela primeira vez desde o início da crise financeira e económica, houve criação líquida de emprego.

A inversão da tendência observada no comportamento do desemprego em Portugal verificou-se igualmente no Alentejo, onde, segundo o INE, o ano de 2013 terminou com uma taxa de desemprego de 15,5%, bem abaixo dos 17,2% observados no final de 2012. Apesar de os números do desemprego serem ainda bastante elevados para a realidade nacional e alentejana, não parece haver dúvida de que se começa a instalar uma trajetória de redução do desemprego que, a par de sinais como o crescimento económico positivo, o aumento das exportações e a descida das taxas de juro da dívida portuguesa, gera otimismo nos agentes económicos e nos cidadãos.
No Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), o número de desempregados inscritos nos ficheiros no final de 2013 situava-se 5% abaixo do valor registado em igual data do ano 2012, depois de termos assistido a taxas de crescimento anual do número de inscritos superiores a 40% em meados de 2012, iniciando a partir de então um percurso descendente. Ora, essa inversão regional, acentuada no último trimestre de 2013, dever-se-á por certo em grande medida às variáveis nacionais antes referidas, para além de duas dimensões de ação da política governativa, a saber: a) por um lado, sobre as políticas ativas de emprego e; b) por outro lado, sobre o relançamento do Serviço Público de Emprego (SPE).
Entre as primeiras, podemos apontar o lançamento de um conjunto de novas medidas ativas de emprego pelo governo, nos 2 últimos anos, destinadas a incentivar e estimular a criação de emprego e a contratação de desempregados pelas empresas, para além dos estágios profissionais e da sistematização e simplificação das próprias medidas ativas de emprego.

Por outro lado, o SPE sofreu uma profunda reforma que reestruturou a sua rede regional, reorganizou o modelo de gestão, integrou as dimensões do emprego e da formação nas práticas e modelos de intervenção quotidiana e fomentou um aprofundamento da relação com o exterior e uma otimização dos recursos disponíveis.
Essa otimização traduziu-se num crescimento galopante das taxas de execução e aplicação dos recursos financeiros (co-financiados pela União Europeia) colocados ao dispor do Alentejo, superando os 93% da dotação disponível em 2013, o que se traduziu num crescimento igualmente substancial do número de pessoas abrangidas pelas medidas de Emprego, Formação Profissional e Reabilitação Profissional promovidas pelo IEFP: quase 45.000 pessoas durante o ano de 2013, no Alentejo.
O crescimento do número de pessoas abrangidas no Alentejo pelas medidas ativas de emprego (incluindo a formação profissional) promovidas pelo IEFP no ano passado, foi pois de 35% sobre o mesmo volume de pessoas abrangidas em 2011 e de 32% sobre 2010. Se tomarmos 2011 por referência, o crescimento de 2013 é mais acentuado nas medidas de emprego (39,3%) do que na formação profissional (29,7%), sendo que os programas de emprego abrangeram mais 39% de pessoas e as colocações de desempregados cresceram em 40,6% nos anos em apreço, o que é apreciável, tendo em conta a degradação da economia regional observada nesse período, em consequência da crise financeira e económica.
Novas formas de programação da produção de competências profissionais, orientadas menos pelo anunciado potencial e mais pelo acompanhamento de proximidade aos investimentos reais; uma aproximação às empresas líderes das fileiras produtivas regionais, orientadora dos perfis de competências necessários para a formação de desempregados e ativos; um posicionamento ativo das estruturas formativas do IEFP na rede de interface entre o Sistema de Ciência e Tecnologia regional e o tecido empresarial regional; um aprofundamento dos mecanismos de integração das componentes emprego e formação, na concretização das medidas ativas de emprego, foram as opções estratégicas regionais do IEFP, no Alentejo, tomadas e seguidas em 2013.


Na certeza de que muito ainda haverá a melhorar durante este ano de 2014, as preocupações principais prendem-se com: a) a necessidade de estimular e apoiar a iniciativa empresarial e de empregabilidade de jovens e desempregados, qualificados; b) incentivar e apoiar o espírito empresarial dos desempregados com experiência profissional, na criação de empresas em várias atividades; c) a dinamização articulada das estruturas de apoio ao desenvolvimento empresarial existentes na região (do IEFP e outras), que explorem as oportunidades locais de investimento de pequena escala.

2014-01-21

INSTALAÇÃO DO MUSEU DA MÚSICA EM ÉVORA - PSD INSISTE COM GOVERNO PARA MANTER DECISÃO

O PSD do distrito de Évora dirigiu comunicação escrita ao Secretário de Estado da Cultura, com sugestões alternativas para a localização do Museu da Música em Évora, que sustentem manter a decisão de instalação do mesmo no concelho, nomeadamente no Centro de Histórico da cidade de Évora.
O desajustado volume de investimento face ao espólio a acolher, ou a localização periférica face à procura turística, prevista no projeto anunciado em 2009, não constituem para o PSD de Évora motivos pertinentes à justificação de qualquer possível troca de Évora por Mafra ou qualquer outro local exterior ao Alentejo, porque existem alternativas viáveis, à luz das quais o Governo é convidado a refletir de forma ponderada, para melhor decidir.
O recurso a vários dos edifícios públicos existentes no Centro Histórico de Évora, com dimensão suficiente e adequada ao acolhimento pretendido, beneficiando de obras de requalificação urbana num Centro Histórico património Mundial da Humanidade classificado pela UNESCO, representa uma oportunidade única de inserção do Museu da Música num contexto patrimonial de forte atracão turística no plano mundial, com avultados benefícios para a fruição pública do equipamento em causa.
Pertinente é sim, para o PSD de Évora que o Alentejo, considerado um dos 10 melhores destinos turísticos do mundo pela National Geographic, cuja imagem carece de reforço em várias dimensões como a patrimonial, associada à classificação mundial de Évora pela UNESCO, possa vir a beneficiar de novas ofertas de atracão turística na vertente cultural através da instalação do Museu da Música;

Évora, 21 de janeiro de 2014

A Comissão Política Distrital de Évora do PSD

2013-12-11

UM NOVO QUADRO COMUNITÁRIO QUE EXIGE UMA NOVA GESTÃO E ATITUDE, NO ALENTEJO

A partir de 2014 e até 2020, Portugal receberá um pacote de 21 mil milhões de € de fundos comunitários da União Europeia, estrategicamente destinados à promoção e criação do emprego e ao estímulo à economia e às empresas, especialmente PME, em detrimento de infraestruturas como estradas e escolas como aconteceu no QREN que agora termina. A criação de riqueza e de emprego sustentável serão pois as prioridades para a aplicação de 10M€ por dia.

Para evitar os atrasos observados com a implantação do atual QREN e o desperdício de elevado volume de verbas que não foram utilizadas, Portugal foi um dos primeiros países da União Europeia a entregar à Comissão Europeia a proposta de acordo para aplicação dos fundos, marcado pelo reforço do FSE, representando uma aposta clara na valorização das pessoas e das suas competências e uma descida dos investimentos em infraestruturas e equipamentos, sendo a quase totalidade das verbas distribuídas por 4 das 7 regiões, entre elas a do Alentejo, através dos programas operacionais regionais, aos quais serão alocados 93% dos fundos comunitários a receber.

O Alentejo verá reforçadas em 42% as verbas disponíveis durante o próximo período de fundos comunitários a vigorar entre 2014 e 2020, num total de cerca de 1.200M€, o que representa um verdadeiro desafio para a gestão pública daquele pacote financeiro bem como para os potenciais promotores de projetos que transfiram os resultados da sua aplicação para os beneficiários finais, logo a partir do segundo semestre do próximo ano.

Não se prevê no entanto que seja fácil e rápido convencer os potenciais promotores a refletirem sobre as razões explicativas para os fracos resultados de muitos dos projetos desenvolvidos anteriormente, ao nível dos impactos sobre o desenvolvimento do território, seja ele económico ou social. Entre esses promotores, conta-se uma boa fatia de autarquias alentejanas que, ao longo dos vários quadros comunitários de apoios financeiros se dedicaram quase exclusivamente à construção de infraestruturas que agora deixarão de ser prioritárias, devido ao grau de cobertura já atingido com a obra executada até aqui.

Haverá assim que estimular uma maior capacidade local e regional de projeção do desenvolvimento desejável e possível à luz dos recursos financeiros disponíveis e das ações necessárias e adequadas à sua concretização, junto das autarquias locais, as quais têm um papel determinante enquanto agentes dinamizadores da iniciativa pública e estimuladores da iniciativa privada no território.

Ora, apesar da reiterada ilibação das autarquias locais no contributo para a situação financeira do país feita pela ANMP, recusando o epíteto de despesismo aos municípios, não deixam de faltar obras e equipamentos locais de duvidosa utilidade, de insuficiente exploração e uso, de degradação crescente por falta de meios para a sua manutenção, de difícil inserção nas dinâmicas de desenvolvimento regional, ou mesmo de desajustada programação à luz da relação entre a demografia e a capacidade da rede existente ou em construção.

Convencer os autarcas alentejanos a pensarem de uma forma mais regional que local, menos centrados na micro realidade concelhia e mais preocupados com a dimensão alentejana, onde devem fazer sentido as estratégias locais em função do seu contributo para o conjunto, será o grande desafio da gestão pública regional dos fundos comunitários que ai vêm.


Tal não poderá deixar de exigir da mesma gestão pública regional uma liderança política forte, marcante do rumo do desenvolvimento pretendido para o Alentejo, a seguir por todos os que para o mesmo pretendam contribuir, através do acesso a fundos comunitários que concretizem esses contributos. As circunstâncias exigem e justificam pois muito do que antes não foi feito. 

2013-11-20

IEFP e IST associam-se na investigação e formação aeronáutica | Tecnologias | Dinheiro Digital

IEFP e IST associam-se na investigação e formação aeronáutica | Tecnologias | Dinheiro Digital

Os institutos do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e Superior Técnico (IST) vão colaborar na formação e na investigação nas áreas aeroespacial e mecânica, numa parceria ligada à Embraer e ao ‘cluster’ aeronáutico de Évora.

«Queremos ser uma plataforma para a transferência de conhecimento e tecnologia e dos resultados da investigação e desenvolvimento entre o ensino superior e as necessidades práticas das empresas», explicou José Palma Rita, delegado do Alentejo do IEFP, em declarações à Lusa.

A parceria, já formalizada, é centrada nos polos de formação de Évora e Setúbal do IEFP, que têm formado mão-de-obra especializada para as duas fábricas da construtora aeronáutica brasileira Embraer, na cidade alentejana, assim como para outras empresas fornecedoras de componentes.

«É um projeto pioneiro a nível nacional do ponto de vista do IEFP e vai enriquecer a qualidade da nossa formação profissional», sendo também uma mais-valia «para projetos de investigação desenvolvidos pelo IST», instituição de ensino superior situada em Lisboa e que já tinha um acordo prévio com a Embraer, disse Palma Rita.
De acordo com um comunicado da instituição de ensino superior público, o IST  e  a  Embraer  Portugal  SGPS assinaram um Memorando  de  Entendimento (MoU), no passado dia 9 de novembro, «ao abrigo do qual serão estruturadas atividades de  cooperação  visando  a  troca  permanente  de conhecimento científico e tecnológico  em  áreas  de  interesse  comum para o IST e para as operações industriais das duas subsidiárias da Embraer Portugal SGPS em Évora».
«Válido  para  um  período de quatro anos, a implementação do MoU será suportada  por  um  plano de ações revisto anualmente e que incluirá, entre outras,  iniciativas como visitas regulares de alunos do IST às instalações da  Embraer  em  Évora  no  âmbito  de atividades de ensino, intercâmbio de informação em novas tecnologias nas áreas de materiais metálicos, materiais compósitos  e  tecnologias  de  produção,  e  projetos  de  Investigação  e Desenvolvimento de âmbito Nacional ou Comunitário».
A cooperação [entre o IST e o IEFP] prevê que mestrandos, doutorandos e outros investigadores daquela instituição de ensino superior possam utilizar instalações do IEFP, nomeadamente o polo tecnológico de Évora, para ensaios práticos.

«Neste polo tecnológico temos equipamentos de topo virados para a produção industrial e aeronáutica, iguais aos da Embraer, mas a empresa tem uma linha de produção em funcionamento. Por isso, com a parceria, os investigadores podem fazer no IEFP todos esses ensaios ligados a projetos de investigação», afirmou Palma Rita.

 «Os investigadores vão fazer formações dirigidas aos nossos formandos e formadores, pelo que vamos ter contacto direto com o que de melhor se faz nos campos da aeronáutica e dos processos produtivos», destacou ainda o responsável do instituto público de emprego e formação.

O projeto, segundo o IEFP, insere-se «no quadro das preocupações comuns de incremento à empregabilidade dos diplomados» de ambas as instituições, mediante «ações conjuntas que melhorem a qualidade e a eficácia das respetivas intervenções».

A Embraer está no ‘centro’ deste esforço conjunto, mas o delegado do IEFP no Alentejo não reduz a esta empresa as potencialidades futuras da parceria.

Dinheiro Digital com Lusa

2013-10-31

PORTUGAL NO RUMO CERTO


QUE SE LIXEM OS QUE PRETENDEM AFUNDAR O PAÍS DE HOJE, O NOSSO FUTURO E O DOS NOSSOS FILHOS!

À medida que surgem os sinais de confirmação da saída de Portugal da recessão técnica vigente no período de ajustamento financeiro e económico ditado pelo resgate internacional a que a governação socialista nos conduziu, parece aumentar a contestação sindical estimulada e manipulada por uma certa esquerda radical, pouco respeitadora da legitimidade que as eleições conferem aos governantes nacionais, pois nas autarquias, quando se trata de vitórias suas, já a legitimidade será considerada de outra forma.

Ouvem-se na rua os gritos de contestação à troika, a qual se manda lixar a viva voz e pede-se a sua saída de Portugal, com o argumento de que dessa forma se recuperaria soberania financeira. Confesso não entender, tendo em conta que os juros que pagamos pelos empréstimos concedidos pela troyca (1,5%), são bem mais favoráveis do que quaisquer outros quando, em 2011, todos os financiadores externos nos fecharam a torneira do crédito. Pode acrescentar-se o fato de os défices das administrações públicas terem ficado quase 3.000M€ abaixo do limite estimado pela execução orçamental dos primeiros 9 meses deste ano, ou ainda que a economia portuguesa cresceu 0,5% no 3º trimestre de 2013, face ao anterior.

Ainda assim, os sinais parecem indiferentes a uma certa esquerda radical e anti-democrática que sai à rua pedindo a saída da troyca, o perdão da dívida e, em consequência, a saída do Euro. No fundo, o que se pede é o colapso total do nosso país, um reset que nos conduziria à total anarquia social e económica, terreno propício à ascensão de modelos totalitaristas que conhecemos, sem qualquer sucesso evidenciado, do outro lado de um muro que caiu em 1989.

A esquerda que sai à rua a exigir o colapso da economia e da sociedade portuguesa, rejeita o aumento de impostos e ao mesmo tempo a redução da despesa: no fundo, o impossível. Qual a alternativa? Sacudir a troyca e declarar a falência, pois sem a mesma, ficaríamos com autonomia financeira para um limite de 1 ou 2 meses de pagamento de salários e de pensões do Estado. O que move pois esta gente que pretende deliberadamente rebentar com o presente e com o futuro do país e comprometer todas as gerações seguintes? Não é difícil adivinhar …

Na verdade, o modelo de facilitismo consumista que fez crescer (ainda que de forma insignificante) a economia nacional ao longo dos últimos 15 anos de governação socialista, sustentado pelo assédio bancário para recurso ao crédito barato, afetou uma significativa franja da sociedade portuguesa, com especial incidência nas classes sociais menos favorecidas e nas classes média e média-baixa, que se veem agora em dificuldades para cumprirem as suas obrigações contraídas no âmbito do crédito ao consumo, mais ainda quando diminui a cada dia o rendimento disponível, por via das medidas de política que forçam a poupança ou a limitação do consumo das famílias. 

Mas, compreender as motivações, não significa desculpar os comportamentos, pelos que será impossível aceitar o branqueamento da responsabilidade dos consumidores excessivos de bens supérfluos e de crédito bancário, em parte responsável pela crise em que estamos, como se a mesma nunca tivesse existido e se possa retomar o caminho interrompido, no mesmo nível que tal aconteceu. Tal falsidade e demagogia é uma perfeita ilusão, correspondente a uma alegada possibilidade de perdão da dívida, que (mesmo a ser possível) nunca beneficiaria a sociedade no seu todo, nem o futuro dos nossos filhos, mas apenas os próprios protagonistas e, mesmo assim, de forma apenas fugaz, pois retomariam de forma imediata a espiral de irresponsabilidade que nos trouxe até aqui.


O nivelamento da sociedade portuguesa não pode fazer-se por baixo, pela mediocridade e pelo empobrecimento que alimenta certas ideologias totalitaristas, mas antes pela ambição de elevação dos níveis de exigência e pelo upgrade económico, social e político, a bem dos nossos filhos.

2013-10-26

Os 3 Embustes do regresso de Sócrates - por José Gomes Ferreira

AUTÁRQUICAS 2013 E ORÇAMENTO DE ESTADO PARA 2014: PREVISÍVEL E QUASE INEVITÁVEL, RESPETIVAMENTE

Os resultados das recentes eleições autárquicas no Alentejo resultaram num previsível recuo do PS em vários concelhos, em benefício da CDU. Recorde-se a campanha eleitoral autárquica de 2009, a seguir à ilusória campanha legislativa pouco mais de um mês antes, durante a qual os portugueses rejeitaram o assustador realismo do discurso de Manuela Ferreira Leite, em troca da ilusória demagogia de Sócrates, com efeito arrastador nas eleições autárquicas, a favor do PS. O resultado da governação nacional do PS viu-se 2 anos depois e o da governação local, em 2013. Previsível.

Muitos alentejanos deixaram-se arrastar pela onda socialista rosa florida, em plena crise, estafadora de um discurso irrealista e fantasioso que prometia o impossível céu na terra, bem mais sedutor do que a prudência da CDU, instalada em vários municípios que acabou por perder. Em 2013, alguns deles foram recuperados pela CDU, diretamente ao PS, tal como aconteceu em Vila Viçosa, em Beja e, com um ciclo mais longo mas de igual resultado, em Évora.

Os 3 casos apontados têm em comum várias coisas que convém ter em atenção: a primeira é a da constatação da incompetência dos autarcas socialistas em executarem o mandato de esperançada mudança que os eleitores neles confiaram, tendo gerado uma enorme desilusão que conduziu os eleitores ao regresso à origem, de forma imediata ou mais dilatada, mas sem interregnos. É obra do PS, que não se pode queixar de nada mais do que falta de habilidade, de incompetência e de arrogância dos seus autarcas derrotados.

Já agora, convirá uma nota breve sobre os candidatos socialistas reformados que perderam a junta de freguesia da Senhora da Saúde e Bacelo, em Évora, que já consideravam deles, com excesso de confiança e evidente arrogância, à qual o eleitorado não foi alheio. Pior do que não ganhar uma CM a que somos candidatos, de forma desprendida, com programas sérios, realistas e sem pretensões de apropriação pessoal, imagino que seja perder uma junta de freguesia que já se considerava mobília do PS, ou talvez fosse este que considerasse os eleitos já como mobília. Certo é que os eleitores, nem sempre respeitados por alguns candidatos do PS eborense, mudaram a mobília e deixaram alguns …inhos sentadinhos durante algum tempo. É a vida… como diria o outro vosso conhecido.

Voltando atrás, um segundo fator a reter nas mudanças e reposições de gestão autárquica nos concelhos enunciados, parece decorrer de uma tendência comum: a mobilidade do eleitorado do PSD e de muitos dos seus militantes, num ou noutro sentido, mas nunca em benefício e antes sempre alheios às candidaturas do próprio PSD nesses concelhos.

Nesse eleitorado do PSD, para além dos simpatizantes, há também os militantes, com deveres de participação em prol do partido mas que, qual permanentes contestatários de todos os dirigentes locais, regionais e nacionais, primam por apoiar sempre todos os que sejam contra o PSD, em qualquer lugar e circunstância. Recusam integrar listas, recusam defender o governo do PSD quando este (por fugazes períodos governa, …), e contestam publicamente o OE para 2013, 2014,...

Se é incompreensível a posição de contestação da oposição (em especial do PS) ao OE para 2014, pior ainda é o desafio de aceitar a suposta bondade dos militantes do PSD que se querem arvorar em arautos de um suposto descontentamento interno, quando criticaram o OE2013 porque carregava brutalmente nos impostos, da mesma forma que criticam o OE2014 porque reduz substancialmente a despesa pública. Não se entendem (nem eles próprios), qual a alternativa.

Com ou sem acordo ortográfico, só há uma forma de dizer isto: o OE2014 é quase inevitável, em elevada medida, enquanto consequência da governação de um “estupor” e um “filho da mãe” socialista português, não alemão ou de outro partido ou país quaisquer. O mesmo que ganhou eleições com votos de simpatizantes e militantes do PSD, silenciosos durante os quase 7 anos da sua desastrosa governação, mesmo nos jornais onde hoje escrevem contra o governo atual, como se este governo que pretende resgatar o país, fosse pior que aquele que o afundou. Estranha gente …

Por isso é que estamos perante um OE de ajustamento e de austeridade. Por culpa de ambos.

Trata-se de um orçamento que evita a redução precipitada e o despedimento de funcionários do Estado, antes reduzindo um pouco do salário a todos com garantia de alguma equidade nos sacrifícios, o que parece ainda assim estranho a muitos sempre inconformados, quer se corte nas pensões, isenções fiscais, salários.

Aqueles que não entendem isto ou não o querem entender, principalmente dentro do PSD, apenas estarão a abrir as portas ao regresso branqueado dos que nos levaram à beira do abismo e ao próximo e inevitável passo, por ação dos mesmos, de bancarrota, saída do Euro e arrastamento para um irremediável default que pesará sobre os nossos filhos e do qual dificilmente os filhos deles recuperarão em condições de vida semelhantes às nossas. 

Resta saber as motivações de alguma desta gente (do próprio PSD, porque as da oposição externa já conhecemos): se por convicção social democrata, se por defesa dos interesses instalados, se por guerrilha interna, se por feitio de contestação permanente a tudo, a todos e a si próprios, se por falta de estatura, de estrutura, de estatuto,…