2011-11-25

GREVE GERAL: A IDEIA É EVITAR SALVAR O PAÍS E SEGUIR O CAMINHO DA GRÉCIA?

Nunca ao longo da minha vida profissional alinhei em qualquer greve, geral, parcial ou sectorial, por considerar que a participação política dos cidadãos se exige a montante, com maior regularidade e não apenas face a situações consumadas e por vezes já irreversíveis. Por isso enveredei por outro tipo de participação cívica e política, mais activa no quotidiano da nossa sociedade.

É nesse contexto de acção que acompanhei ao longo dos últimos 15 anos, num primeiro bloco de 6 anos da governação socialista liderada por Guterres e num segundo bloco igualmente extenso liderada por Sócrates, as denúncias e os alertas de economistas que iam abandonando tais governos, por considerarem que o caminho certo não poderia ser aquele e que o mesmo acarretaria, mais cedo ou mais tarde, consequências bem gravosas para as nossas vidas. Recordo Daniel Bessa, Augusto Mateus e Campos e Cunha, entre outros.
Acompanhei igualmente e secundei muitos dos alertas desesperados de Medina Carreira, considerado um pessimista porque via, responsável e desinteressadamente, bem mais longe que a ponta do seu nariz, o desastre que se anunciava como inevitável. Foram poucos os que acompanharam tais preocupações e despertaram para elas, acomodados e indiferentes a uma autofagia despesista irresponsavelmente alimentada pela governação socialista.
Também não vi tais preocupações e antecipações serem acompanhadas pelos assinantes de um manifesto que pede agora um novo rumo, quando Portugal está no buraco, mas que nunca antes o fizeram, para que a governação socialista evitasse conduzir Portugal para o mesmo. Antes barafustaram e condenaram o controlo do défice e a travagem da fúria despesista que Manuel Ferreira Leite procurou levar a cabo na intermédia e curta governação não socialista.

Ouvir Mário Soares (cujos direitos adquiridos se traduzem num interminável caudal de apoios públicos à sua faustosa actividade de reformado) atentar contra a austeridade em curso, decorrente de um pedido de resgate financeiro ao exterior originado pela desgovernação socialista e pedir outro rumo porque Portugal corre o risco de dar uma grande cabeçada (coisa que ele parece desconhecer já ter acontecido), ou assistir às críticas do PS ao OE2012, partido que ameaça deitar por terra o apoio ao memorando de entendimento com a Troika, é de perder a paciência para com os socialistas portugueses.

Parece ser aliás essa a reacção dos portugueses, a avaliar pelas sondagens publicadas no mesmo dia da greve geral (aumento da base eleitoral dos partidos do governo e da popularidade do Primeiro Ministro), compreendendo que não há outro caminho a percorrer para sairmos desta desesperada situação e que o mesmo está a ser construído com responsabilidade e determinação, cumprindo Portugal os objectivos acordados com a Troika, tal como revelou publicamente a missão de acompanhamento da mesma na sequência da recente segunda avaliação.


O PS e os seus ex-governantes agora deputados, pelos vistos, parecem não compreender nada disto, antes anunciando que compreendem sim a greve geral. Continuam no entanto a negar que tenham alguma responsabilidade na situação, como se tivessem abandonado o governo há uma eternidade e como se ainda houvesse financiamento externo para alimentar outro caminho, irresponsável e despesista, como aquele que eles percorreram e que nos trouxe até aqui. Tal só vem dar razão à teoria diversas vezes avançada de que os incompetentes não conseguem corrigir ou melhorar o seu medíocre desempenho porque não têm competência para reconhecer a sua própria incompetência.



Se o PS enveredar por seguir o PCP e do BE na alimentação da contestação social contra as medidas por ele próprio também assinou com a Troika, apenas contribuirá fortemente para arrastar Portugal para uma situação de perigosa ingovernabilidade que, tal como na Grécia, já demonstrou ser a principal responsável pela espiral de insucesso das medidas aplicadas para recuperar o país. Os portugueses ajuizarão a seu tempo, se tal acontecer.

2011-11-17

PSD DEFENDE A ESPECIFICIDADE DE ÉVORA NA REFORMA ADMINISTRATIVA


O PSD de Évora congratula-se com a preocupação do Governo em atender à especificidade do Alentejo na corajosa Reforma Administrativa do Poder Local que reforce o municipalismo e promova a coesão e a competitividade do território, através de uma reforma de gestão, uma reforma de território e uma reforma política do poder local. 

O choque reformista em curso, decorrente do acordo assinado com a Troika pelos partidos do Governo e pelo PS, assentando na proximidade aos cidadãos e orientando-se para a melhoria da prestação do serviço público, procurando aumentar a eficiência e reduzindo custos, não deixará de considerar as especificidades locais, nomeadamente as do distrito de Évora e as do concelho de Évora. 

Para além da racionalização do Sector Empresarial Local, da revisão do modelo de Gestão Municipal, Intermunicipal e do Financiamento autárquico, ou do desenho de uma Nova Democracia Local, a nova Organização do Território afectará particularmente os concelhos do interior de Portugal, reduzindo e aglomerando o número de Freguesias para lhes conferir maior dimensão e escala.

No concelho de Évora, marcado por fracos níveis de densidades populacional e económica, urge a promoção do debate local entre todos os autarcas e os agentes e actores locais da sociedade civil, no sentido de afinar um mosaico de freguesias que assegure a especificidade de um território urbano que alberga um Centro Histórico classificado como Património Mundial, pela UNESCO, desde há 25 anos.

Ao contrário do PS e da CDU, os quais, sem proporem alternativas, apostam apenas na agitação das populações para que nada se faça e se abandonem os compromissos assumidos perante a Troika nesta matéria, o PSD de Évora pretende ouvir os agentes locais e as pessoas, debater a reforma em curso e apresentar propostas concretas que salvaguardem a identidade cultural e económica do Centro Histórico de Évora face ao restante tecido urbano, sem esquecer a identidade, a gestão do território e a proximidade funcional às populações na espaço rural, mantendo a Freguesia como espaço reconhecível pela comunidade de cidadãos.

Todos concordaremos na necessidade de adaptar as autarquias locais às novas realidades económica, financeira e social dos dias de hoje, pelo que importa agora que todos sejamos capazes de ponderar e discutir as soluções, sem recurso a lógicas destrutivas ou de interesses eleitoralistas.

Acima de tudo, o nosso País, o nosso Distrito e o nosso Concelho...

Évora, Novembro de 2011
A Comissão Política Concelhia de Évora do PSD

2011-10-16

DESVIOS ORÇAMENTAIS E DESPERDÍCIOS QUE O PS DIZ DESCONHECER

Salários da ERC sobem 700 euros - TV & Media - Correio da Manhã

Em apenas três anos, entre 2007 e 2010, o salário médio dos colaboradores da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) teve um aumento de 700 euros. Em 2007, o ordenado médio dos 52 funcionários era de 1400 euros. Já em 2010, a média anual de salários era de 2100 euros brutos.
Os números foram cedidos pelo próprio gabinete do conselho regulador, presidido por Azeredo Lopes, para demonstrar que a média dos salários é inferior a 2900 euros.
Em 2010 a Administração Pública teve os salários congelados, o mesmo não acontecendo na ERC. Pelo contrário, registou-se um aumento de quase vinte por cento, em comparação com 2009, nos ordenados dos colaboradores do organismo regulador, como revela o mesmo documento.
Em 2009, a ERC tinha 66 colaboradores, número que diminuiu em 2010, tendo sido dispensadas oito pessoas.
Apesar da diminuição do número de funcionários de 2009 para 2010, regista--se o aumento do salário médio e das despesas com pessoal. Em 2009, o rendimento médio era de 1700 euros, e em 2010 já ultrapassava os 2100 euros. Uma subida de 400 euros no espaço de apenas um ano.
Refira-se que o documento não faz referência aos salários dos membros do conselho regulador do primeiro mandato da ERC.
Os cinco elementos do conselho regulador - reduzido a quatro com a saída de Luís Gonçalves da Silva a 17 de Setembro de 2010 - ganharam, em conjunto, mais de 30 mil euros mensais em 2010.
Azeredo Lopes, presidente do regulador dos media de 2006 a 2011 - mandato prolongado por mais oito meses -, Elísio de Oliveira, vice-presidente e os vogais Estrela Serrado e Assis Ferreira auferem mensalmente mais de quatro mil euros. O primeiro mandato devia ter terminado a 17 de Fevereiro de 2011.

ERC NÃO COLABORA COM TRIBUNAL

Em 2008, no relatório síntese sobre regulação, o Tribunal de Contas (TC) dava conta da deficiente colaboração da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) com o TC. Assim, os resultados apresentados pelo Tribunal sobre Regulação não incluíram dados de qualquer auditoria à ERC. Não por a mesma não ter sido oportunamente programada pelo Tribunal de Contas, mas, essencialmente, pelo facto de tal auditoria não estar ainda concluída. As auditorias incidiam sobre o período 2003-2006.

2011-10-10

PSD PREOCUPADO COM INTERRUPÇÃO DOS TRANSPORTES ESCOLARES EM ÉVORA

O Partido Social Democrata foi surpreendido durante a reunião pública da Câmara Municipal de Évora, realizada ao final do dia de segunda-feira, pelo protesto de um significativo número de munícipes das freguesias de Torre de Coelheiros e S. Manços, os quais alegaram terem os seus filhos sido impedidos de frequentar a escola nesse dia como consequência directa da recusa de transporte por parte do prestador do serviço, a empresa Rodoviária do Alentejo.

Em face das informações prestadas na referida reunião pelos munícipes e pelo Presidente da Câmara de Évora, as quais constam da acta daquele órgão, pode concluir-se que na manhã de segunda-feira, 3 de Outubro, sem qualquer aviso prévio às populações, a empresa Rodoviária do Alentejo decidiu não transportar os alunos das duas referidas freguesias por não ter recebido até ao momento o valor da factura referente aos serviços de transportes escolares prestados no mês de Setembro de 2011, o que só viria a acontecer algumas horas mais tarde.

Perante estes factos, não pode o Partido Social Democrata e os seus eleitos no Município de Évora deixar de exigir à Câmara Municipal o escrupuloso cumprimento das condições contratuais acordadas com este e os demais prestadores do serviço de transporte escolar, para que situações como as agora vividas não se voltem a registar, as quais constituem factor de perturbação da comunidade escolar e do sucesso educativo que se pretende para as crianças e jovens do concelho.

Pesem as dificuldades financeiras conhecidas do Município de Évora, o episódio agora registado evidencia que as prioridades de gestão da CME estão desadequadas da realidade, deixando transparecer a existência de algum descontrolo de tesouraria, única justificação para que o pagamento efectuado a 3 de Outubro não tenha sido processado dois dias antes, de forma a evitar esta confrangedora situação para as famílias e alunos.

Porém, não está isenta de reparo a atitude de força e desproporcionada da Rodoviária do Alentejo. É inqualificável que uma empresa, sobretudo quando prestadora de um serviço de inquestionável interesse público, se permita utilizar o transporte escolar de crianças e jovens como moeda de troca para o recebimento de facturas, sem que estejam esgotados todos os meios legais à disposição dos operadores económicos para a recuperação dos seus créditos.

A atitude agora tomada pela Rodoviária do Alentejo não pode deixar descansados pais, alunos e toda a comunidade, já que, conhecidas as divergências entre esta empresa e a Câmara Municipal de Évora sobre outros créditos, mútuos, já contabilizados no passado e ainda não saldados, poderemos a todo o momento voltar a assistir a idêntica tomada de posição, com manifesto prejuízo para os interesses dos munícipes, os quais, em primeiro lugar, aos eleitos locais compete salvaguardar e proteger. As populações e o interesse público não podem estar reféns dos estados de alma prepotentes de qualquer administrador ou empresa, independentemente da sua dimensão.

Nesta medida, consideram os eleitos do Partido Social Democrata que a Câmara Municipal de Évora deverá, desde já e sem demoras, procurar encontrar as alternativas necessárias e que se impõem à actual rede de transportes escolares, através da captação de novos operadores, públicos ou privados, com os quais deverá negociar contratos que melhor salvaguardem o interesse público, seja através do preço ou dos prazos de pagamento, mas sempre garantido a ininterruptibilidade do serviço.

Évora, 04 de Outubro de 2011

2011-09-22

SEM HIPOCRISIA NEM HISTERISMO: PORTUGAL É TODO ELE UM ENORME JARDIM

Alberto João Jardim, à frente do Governo Regional Autónoma da Madeira (RAM), gastou sem limites, escondeu esses gastos, não contabilizou como dívida os encargos assumidos para os anos seguintes, tendo a acção da Troika permitido agora que viesse à luz uma situação pouco dignificante para o protagonista, para RAM e para Portugal. Esta declaração de interesse reprovadora dos actos que conduzirão a uma revisão e penalização em 1.681,3M€ dos défices do país entre 2008 e 2011 não justifica ainda assim o alinhamento fácil numa quase colectiva hipocrisia que pretende crucificar Alberto João Jardim e transformá-lo no bode expiatório que branqueie toda a responsabilidade de outros que fizeram o mesmo (pelo menos) que ele e sobre os quais nunca se observou a actual histeria de criminalização.

Um factor merece desde logo destaque, que é o de ter sido um governo do PSD a revelar o descalabro financeiro escondido na RAM, mostrando uma transparência e independência da governação que contrasta claramente com a opacidade e dissimulação dos últimos 6 anos em Portugal. O Primeiro Ministro e o Governo estiveram bem perante uma situação que os apanhou de surpresa mas que ocorreu durante a governação socialista e que por isso já seria certamente do conhecimento daqueles que tinham por obrigação a fiscalização das contas da RAM mas que agora parecem não ter pudor em lançar-se sobre Jardim, num aproveitamento político cobarde.

Este é aliás um segundo factor que não pode ser alheio ao debate sobre as responsabilidades pelo descalabro financeiro da RAM: Jardim é o principal culpado da situação, mas não é o único, porque outros o permitiram e, por isso, foram coniventes. Nos últimos 15 anos, vários governos (entre eles 4 governos socialistas que ocuparam o poder durante 12 anos) foram coniventes, perdoando repetidamente dívida e fechando os olhos aos alertas constantes nos relatórios do Tribunal de Contas, como recorda o actual presidente daquele órgão. Os governos socialistas fecharam os olhos, para não terem que os abrir sobre as partes dos mesmos relatórios que, desde 2005, também alertavam para o perigo de descalabro das contas públicas do país, em consequência das PPP (SCUT e Hospitais à cabeça).

Não podem por isso os socialistas lançar-se assim publicamente sobre Jardim, condenando aquilo que eles próprios fizeram, depois de terem deixado Portugal à beira da insolvência, pretendendo desculpar o aumento da dívida pública em cerca de 150% por Sócrates, que apresentou um deficit antes das eleições de 2009 e outro muito superior depois, que deixou facturas e encargos não orçamentadas (condenando a empresa Estradas de Portugal a perecer em 2014) e outras não registadas (no IPJ são cerca de 600), que teve com outros governantes o seu nome envolvido nos maiores escândalos públicos, que instrumentalizou um banco público e desbaratou 600M€ para que Joe Berardo ajudasse no assalto ao BCP e que ainda hoje vê as capas dos jornais anunciarem a investigação à fortuna da família, supostamente localizada em offshore.

Agora posta a nú, a situação financeira da RAM reproduz a do continente, onde empresas do Estado como a Parpública e a Parque Escolar foram constituídas para assumirem e esconderem dívida pública, deixando a mesma para contabilização futura, com a excepção de que até agora não há conhecimento de que Alberto João Jardim se tenha visto pessoalmente envolvido em casos de que ele ou a sua família possam ter tirado benefício patrimonial.

A dupla moralidade dos dirigentes socialistas é pois incompreensível à luz da confiança política que revelam continuar a manter em Sócrates e em todos os ex-membros dos seus governos, para os quais, apesar da responsabilidade pela dívida pública do país acima dos 100% do PIB, nenhuma crítica é formulada nem qualquer responsabilidade criminal é equacionada. Que a situação financeira da RAM já deveria ter sido posta na ordem, é verdade. Mas, não teria sido possível fazê-lo nos 15 anos em que a governação socialista preencheu 12?

Resta-nos a inquietação interior provocada pelas palavras de Medina Carreira que na estreia do programa «Olhos nos olhos», no TVI24, sobre o défice da Madeira referia de forma lapidar: «Estamos muito furiosos com a Madeira porque andaram a enganar e a gastar o que não tinham. É exactamente o que os alemães pensam de nós».