2010-02-28

ESTE É O PAÍS "MODERNO" DOS SUCESSIVOS GOVERNOS PS?



Apesar da irrelevante taxa de execução do QREN e dos seus programas regionais como o INALENTEJO, a notícia dá conta de que:

Os trabalhos arqueológicos realizados ao abrigo do projecto Alqueva e da construção da barragem custaram 14 milhões de euros, mas os quase 1000 vestígios recolhidos continuam fechados em contentores, à espera que haja condições que permitam o seu estudo e a sua divulgação científica.
Foi um trabalho laborioso, efectuado ao longo de sete anos, entre 2002 e 2009, e que incidiu no território onde a barragem de Alqueva foi construída, no que ficou submerso pela água da albufeira e na área onde foram instalados blocos de rega (albufeiras e sistema de canais). Uma tarefa sem paralelo, segundo o arqueólogo Samuel Melro, do Igespar, que salientou, anteontem, em Castro Verde que "a arqueologia deve muito a Alqueva".
Este responsável falava no quarto colóquio de arqueologia do Alqueva, que termina hoje naquela localidade, tendo acrescentado que "resta saber até que ponto a arqueologia ficou refém das obras". Isto porque depois do forte investimento na barragem e de 14 milhões de euros gastos em escavações - segundo o montante referido por Miguel Martinho, técnico da empresa que gere este empreendimento - ainda não houve capacidade para dar sequência aos quase 1000 achados arqueológicos que foram identificados naquela região.
O material recolhido enche centenas de contentores à espera que haja condições que concretizem o seu "estudo e divulgação científica", observou António Carlos Silva, coordenador dos trabalhos arqueológicos de Alqueva entre 1996 e 2002.
O impacto deste tipo de intervenção tem sofrido as inconveniências associadas à instalação do empreendimento hidro-agrícola. Miguel Martinho destaca a quantidade de obras que ocorrem em simultâneo. "Em em 2009 havia mais de 20 empreitadas a decorrerem ao mesmo tempo" salienta. E foi neste enorme estaleiro de obras que os arqueólogos tiveram de gerir uma espécie de jogo de batalha naval, com a execução das sondagens no terreno partilhado com os trabalhos de construção dos canais de rega.
Durante os três dias do colóquio foram apresentados os resultados de cerca de 30 trabalhos de pesquisa arqueológica realizados sobre a Pré-História Recente, Proto-História, Época Romana e Tardo-Romana Medieval na área destinada ao plano de rega, que inclui 110 mil blocos de rega.

2010-02-21

NINGUÉM FEZ TANTO PELO ALENTEJO E ... PELO DÉFICE (O DEMOCRÁTICO TAMBÉM). BEM À VISTA DE TODOS

DISTRACÇÕES NA REGIÃO MORNA

Nada de novo, apenas bastante tempo depois, se tivermos em conta o que se dizia aqui em 2007-04-14:

O retardamento que se faz sentir dos supostamente “miraculosos” efeitos das valências de Alqueva (EFMA) para o Alentejo, nomeadamente no que se refere a uma eventual transformação da região da noite para o dia, vêm dar algum crédito à oportunidade de reflexão sobre as reservas da probabilidade de que uma das regiões mais pobres da Europa, com deficientes estruturas, poucos trabalhadores e quadros qualificados, sem atractivos ambientais e turísticos diferenciadores (com excepção do lago criado pela albufeira da barragem, mas mesmo esse ameaçado pela contaminação dos esgotos da região, crescentemente denunciada pelos ambientalistas), se transfigure em área de turismo de alta qualidade, no curto prazo.
Um novo destino turístico que se pretenda posicionar nos mercados nacional, ibérico, europeu e mundial, partindo e surgindo do nada, levará anos a lançar e décadas a posicionar nos mercados, segundo muitos especialistas do sector. Mas, para além disso, toda a área de influência do Alqueva (concelhos de influência do EFMA), é uma área rural, um território de baixa densidade em várias dimensões e critérios, onde o investimento de raiz e cariz local é e foi quase nulo ao longo de várias décadas, (criação de empresas, de negócios e emprego), apesar dos instrumentos e apoio existentes (vejam-se os fracos resultados dos instrumentos de apoio à criação de emprego disponibilizados no âmbito dos vários QCA’s), situação que não se espera venha a mudar substancialmente nos próximos anos deste novo QREN, apesar do EFMA, pois tal não aconteceu igualmente nos últimos anos e décadas.
Para que alguns ganhos sejam conseguidos, urge uma correcta identificação do tipo de incentivos ou acções de base local necessários para que a região desenvolva e fertilize a emergência de iniciativas empresariais de pequena dimensão, negócios de natureza familiar, com vista ao fornecimento e complementaridade dos grandes investimentos e projectos turísticos previstos para o regolfo do Alqueva.
Ao nível da geração de emprego e sua relação com a disponibilidade de recursos humanos locais, será importante determinar de que forma a região pode beneficiar de alguma complementaridade e construção de capacidade de abastecimento local, de forma activa, agressiva e antecipada na oferta.
Mas também será importante desenvolver estratégias locais de adaptabilidade a um conjunto de iniciativas empresariais externas que possam servir ao escoamento e ocupação profissional de uma parte do maioritário perfil de RH que não será certamente absorvido pelos modernos e exigentes empreendimentos turísticos a construir, dada a sua natureza de marcado e adiantado envelhecimento demográfico, com elevado atraso e desfasamento no que se refere às qualificações profissionais e às habilitações escolares.
Uma outra questão determinante será a de conceber estratégias públicas e privadas de contorno à mais que constatada dificuldade de o Alentejo encontrar capacidade de resposta para preencher os milhares de postos de trabalho que se prevê sejam criados em resultado dos investimentos turísticos previstos para a área do EFMA. Em Junho de 2006, a APEA (Agência de Promoção Externa do Alentejo) estimava que nos próximos 10 anos, o turismo alentejano virá a precisar de, pelo menos, o dobro da mdo que neste momento trabalha no sector (cerca de 11.000 trabalhadores), dos quais apenas 20% têm formação profissional adequada. É certo que existe uma fileira de actividades com potencial de exploração regional em associação ao EFMA e que são as indústrias de energia renovável (nomeadamente solar), com os investimentos realizados em Serpa e previstos para Moura, gerando sinergias com os empreendimentos previstos, que beneficiarão da imagem de um destino saudável, ecológico, amigo do ambiente e sustentável.
Também é certo serem elevadas as expectativas quanto aos impactes do um conjunto de empreendimentos turísticos de grande porte, enquanto catalizadores da descolagem da economia regional alentejana. Mas, não deixará de ser conveniente recordar e ter-se em consideração que, o turismo sustentável deverá ser sempre uma prioridade para a oferta a construir, enquanto motor de uma estratégia de desenvolvimento sustentável para a região. Uma estratégia de turismo sustentável deverá obrigatoriamente ter em linha de conta a necessidade de promoção das actividades tradicionais e de cariz local, que permitam valorizar a identidade regional e preservar os valores culturais e a sua salvaguarda para as gerações vindouras.


PERIGO REAL

2010-01-27

QUE ORDENAMENTO?

Depois de um estudo sobre a viabilidade dos espaços comerciais ter apontado uma proximidade ao Centro Histórico como a mais adequada para um (e apenas um) futuro espaço comercial e de lazer a criar em Évora, promovendo dessa forma, por via da complementaridade, a revitalização do pequeno comércio daquela área e a requalificação urbana da Rua de Avis e Rua do Muro; 
Depois de estudos sobre o ordenamento urbano da área envolvente da futura estação de Alta Velocidade de Évora terem previsto, para a zona nordeste da cidade: um novo aglomerado urbano com vários milhares de fogos e habitantes; núcleo turístico; serviços complementares ao turismo; rede de equipamentos com Pólo desportivo / Parque Urbano, Pólo Tecnológico, Parque Temático.

Assistimos agora à notícia de licenciamento de uma grande superfície comercial a sul da cidade, junto à zona industrial, no lado oposto da cidade à residência do maior volume de população, indiferente ao trânsito que faz qualquer um desesperar nas filas que consomem tempos frequentemente superiores a 30 minutos para fazer esse percurso entre os bairros a norte e os já existentes espaços comerciais a sul.

Que ordenamento é este? Que contributo para a (degradação) da qualidade de vida de Évora?








ACOMPANHAMOS OS OUTROS NA CRISE, NÃO NA RETOMA



2010-01-16

HONORABILIDADE NA POLÍTICA. A TRADIÇÃO JÁ NÃO É O QUE ERA

A cada dia que passa, amigos e conhecidos questionam-me sobre a insistência no exercício de um direito entendido por mim como dever, de participação e envolvimento nas decisões que afectam não só o quotidiano da nossa comunidade e sociedade, mas também e, nomeadamente por esta razão, o seu futuro e o futuro dos nossos filhos. Muitos desses reparos insistem na constante perda na luta por uma causa cada vez mais arrasada pela degradação da vida política a que se chegou em Portugal, alucinante em ritmo durante a década de 1990, mais ainda no rompante da primeira década deste século.
Para além da forte consciência de um dever de participação na influência de construção do futuro dos nossos descendentes que já referi, tendo invariavelmente a invocar personalidades de Évora que me influenciaram enquanto estudante, algumas infelizmente já ausentes, sob os auspícios valorativos e referenciais de um grande e incomparável HOMEM que a política portuguesa conheceu durante as décadas de 1970 e 1980, que foi o General Ramalho Eanes, cujas provas de seriedade e desprendimento ainda recentemente reiterou com a recusa do vultuoso montante financeiro atribuído retroactivamente pelo Estado português.
Concorde-se ou não com as suas decisões e posições, era dotado de uma estrutura de valores cuja comparação com muitos dos actuais actores políticos faria corar de vergonha (se alguma vez a tivessem conhecido) muitos daqueles que todos os dias nos invadem a sala nas horas nobres da televisão, enchendo a boca sobre a ética do exercício da representação pública dos eleitores que neles confiaram. Seguiu-se Cavaco que, a seu tempo, procurou garantir até ao limite, o máximo possível de continuidade na garantia da honorabilidade associada ao desempenho das suas funções públicas.
Outros tempos, quando dificilmente se admitia a mínima suspeita sobre a honorabilidade das referências políticas da nação, enquanto âncoras da estabilidade política e de respeitabilidade da estrutura social que aquela sentia por missão assegurar enquanto garantia de respeitabilidade das instituições de referência da democracia.
Impossível compreender hoje, para quem iniciou a sua participação cívico política nesses tempos, que os governantes nacionais e locais se desculpem com os erros dos anteriores ocupantes dos seus cargos para justificarem a inércia e as suspeitas sobre os erros da sua acção, procurando assegurar apenas a manutenção do poder a todo o custo e a distribuição de dividendos para os elementos da sua família política, hoje bem mais vasta, interessada, interferente e dependente desses exercício político do que então.
Ao nível local, a transparência da gestão municipal (à semelhança dos exemplos pantanosos que vêm dos governantes nacionais), parece hoje um valor cada vez mais em erosão, conduzindo a um avolumar de (legítimas) dúvidas dos eleitores sobre a acção daqueles que procuram a fuga para a frente com ataques a uma oposição que deveriam agradecer como construtiva e benéfica para completar a incompetência do que as maiorias absolutas (entretanto perdidas) não justificaram.
É caso para dizer que, a tradição, na política, já não é o que era, sendo de todo legítimo estabelecer a hipótese de que a falta de confiança que alguns governantes geram nos seus eleitores, em consequência das promessas repetidamente anunciadas e rapidamente esquecidas, associados ao desrespeito pela pluralidade democrática dos representantes das várias correntes políticas, em nada contribuirão para o bem-estar e a modernização social (mesmo que se aprovem os casamentos gay enquanto pseudo-expoente da mesma), para o desenvolvimento económico, nem mesmo para a excelência de qualquer cidade, por muito que se faça anunciar como tal.
Resta saber qual o limite político para um clima de suspeição e desconfiança dos eleitores nos seus governantes, resultado de uma reiterada solicitação de transparência política não correspondida nem assegurada. Cabe aos governantes questionarem-se sobre o limite de resistência da corda que estão a esticar porque, se a mesma partir, serão os principais prejudicados, parecendo não ter aprendido a lição na continuada perda de base eleitoral que, certamente não se deverá apenas ao mau feitio da oposição, por sinal em crescimento igualmente continuado.

DESTA VEZ NÃO FALHAMOS, É MESMO A VALER ...












OS PIORES? LONGE DISSO ...

Há coisas em que até somos bem melhores, por exemplo nos valores conhecidos para os vencimentos no Banco de Portugal, estamos bem melhor que os outros países da Europa.
Que o diga Constâncio, ainda assim insatisfeito e em constante procura de aumento, julga-se que pelo brilhante desempenho em Portugal, por todos notado... Basta recordar como MFL o deixou continuar, pressupondo que tenha sido por esse motivo, ou talvez não?




INTEIRAMENTE DE ACORDO



Há muito que considero lamentável que um país pobre em recursos e parco em capital intelectual verdadeiramente activo, se permita o desperdício do génio e brilhantismo que Marcelo tem, cuja utilidade perante a crise que Portugal atravessa é indesmentível, pelo respeito que merece a honorabilidade sem mácula e a competência inquestionável.
Quando a inteligência assusta a mediocridade envolvente, parece mais que certo um futuro suicida.
E ao PSD, não se aplica o mesmo raciocínio? Sem dúvida e em primeira instância.

2010-01-03

A HONESTIDADE POLÍTICA DEVE IMPERAR NA DIMENSÃO LOCAL





O tema já tinha sido debatido no final do mandato anterior, clarificadas as posições e verificada a ausência de fundamentos que não sejam a demagogia da diversão e procura da dispersão daquilo que deveriam constituir as verdadeiras preocupações de quem governa e se deveria preocupar com a resolução dos problemas locais, a cada dia agravados, vai para 9 anos do PS em Évora.