2007-08-02

AVIÕES NÃO CHOCAM COM PATRIMÓNIO

A construção de aviões Skylander em Évora valoriza uma cidade Património Mundial?
Não encontro dúvidas razoáveis relativas à compatibilidade entre os investimentos aeronáuticos de elevada incorporação tecnológica e a localização dos mesmos em cidades classificadas como património da humanidade, como Évora.
Sendo certo que a actividade industrial não beneficia ou reforça clara e directamente aquele estatuto, o contrário já não será tão líquido, se pensarmos que a imagem de certa cidade, com tal estatuto mundial, poderá pesar substancialmente sobre a atractividade de certo tipo de investimento, como o que está em causa.
O encerramento recente da fábrica da GM na Azambuja vem recordar aos gestores municipais distraídos o quanto outros factores materiais e imateriais são cada vez mais importantes que a competitividade salarial, para as multinacionais.

Recordemos os principais factores de atractividade que os especialistas do planeamento urbano identificaram há já algum tempo sobre os novos critérios para a constituição de um painel de bordo urbano, através dos quais as cidades de média dimensão se deverão distinguir e afirmar quanto à localização de pessoas e empresas:

  • Duração do trajecto casa-trabalho;
  • Rácio custo de habitação/salário;
  • Estado do parque habitacional;
  • Facilidade de acesso a outras cidades;
  • Grau de abertura a outras culturas;
  • Qualidade do ensino e da formação profissional;
  • Eficácia dos serviços públicos locais;
  • Animação cultural e oportunidades de entretenimento;
  • Políticas ambientais locais.

A forma como cada cidade, especialmente as de média dimensão, destacar e vender a imagem da sua vantagem comparativa quanto a cada uma das dimensões apontadas, é cada vez mais importante para que aquelas cidades atraiam investimentos, negócios e populações, tornando-se fortes pólos do desenvolvimento regional das áreas circundantes, com as quais existe forte interdependência.

A pergunta a formular é: melhorou Évora substancialmente nas duas últimas décadas quanto a estes factores, para se distinguir positivamente no contexto nacional e se revelar atractiva á fixação de quadros altamente qualificados conhecedores de tantas outras cidades da Europa e do mundo onde já trabalharam e viveram com as suas famílias, com as quais comparam Évora?

Tenhamos fé, mas nem sempre é suficiente.

O ANUNCIADO NOVO HOSPITAL DE ÉVORA

A decisão de construção de um hospital regional em Évora vem do último Governo do PSD e foi desde logo abandonada pelo PS que, inflectindo a discussão, esperemos que não a decisão, criou agora uma comissão para que o processo se (re)inicie.
É disso que se trata. Tudo o resto são anúncios que, vindos do Governo do PS, traduzem uma grande distância à prática e à concretização.
A decisão tomada pelo último Governo do PSD era partilhada pelas principais forças políticas, aos níveis local e regional, contemplando um equipamento com capacidade de 440 camas, que respondia às necessidades estimadas pelas projecções da população para as próximas duas décadas, possibilitando a Évora e ao Alentejo, disporem e usufruírem de uma plataforma de base inovadora, preparado para as gerações futuras.
Previa a instalação das actuais especialidades médicas existentes no Hospital do Espírito Santo e do Patrocínio, e a integração de novas especialidades hospitalares tais como a neurocirurgia, a cirurgia vascular, a radioterapia e um substancial esforço de modernização dos equipamentos de diagnóstico e terapêutica.
O projecto previa ainda o reforço da Telemedicina que já hoje destaca o Hospital do Espírito Santo de Évora no panorama nacional dos cuidados de saúde e o recurso a tecnologias biomédicas de elevada cientificidade, como é o caso do Sistema de Tomografia PET (através de emissão de positrões).
Comportava ainda a possibilidade de dispor de um Centro de Tecnologia Nuclear, bem como da valência de cirurgia ambulatória, o que permitiria reduzir substancialmente o tempo de permanência dos doentes no hospital, melhorando a sua recuperação e aumentando a comodidade dos mesmos.
O acordo celebrado entre o Governo do PSD e a CME para a revisão do PDM, previa a utilização de uma área de cerca de 70 ha., sendo 10 deles reservados à construção do novo HOSPITAL REGIONAL e demais equipamentos envolventes, que incluiriam:
1) estabelecimentos comerciais;
2) um lar residencial;
3) uma zona infantil de recreio;
4) vários espaços verdes;
5) parqueamentos automóveis;
A acessibilidade estaria garantida pelas várias vias de comunicação projectadas para Évora, nomeadamente o Itinerário Sines-Évora até ao IP2, entroncando com a A6 na envolvente externa Sudeste, de cuja construção decorreriam importantes vantagens de requalificação urbana para a cidade e concelho de Évora.
Aguardemos que o PS acompanhe a pujança que o PSD revelava na sua decisão e construa aquele que é um dos fundamentais equipamentos garante da qualidade de vida dos Alentejanos.

2007-07-14

MORTE DO TOURO EM MONSARAZ

Em Monsaraz, a tradição popular invocada choca com a legislação em vigor sobre as touradas de morte e, desde logo, a lei deve ser cumprida, apesar da justiça ou injustiça que a mesma encerre, dado vivermos num Estado de direito.
Cabe à população, através do uso da representatividade democrática decorrente das eleições para os diversos órgãos de soberania, reivindicar e influenciar os representantes políticos da sua localidade ou região, com vista a que sejam elaboradas propostas de alteração à legislação existente, nomeadamente no que se refere aos critérios de reconhecimento das excepções a conceder, que parece ser o que está em causa em Monsaraz.
Apesar de não ser aficionado, não me choca, do ponto de vista pessoal, que seja reconhecido ao caso de Monsaraz o carácter de expressão de cultura popular com tradição comprovada, menos ainda do ponto de vista da interpretação das manifestações culturais locais que conferem a sua identidade específica a cada local e às suas gentes.
A valorização das dimensões específicas e distintas dos locais tenderá a tornar-se cada vez mais acentuada, como resistência a uma globalização que se afirma esmagadoramente em sentido contrário. Ora, do ponto de vista da sobrevivência dos territórios rurais, em especial da importância que o turismo tem nesse processo, é por demais sabido que o único, diferente, genuíno e tradicional tende a afirmar-se como o principal determinante da procura dos visitantes.
Neste sentido, as excepções são essenciais à afirmação individualizada dos locais enquanto destinos turísticos ancorados em atracções únicas e genuínas, com tradição histórica. Aos visitantes e turistas, a festa tenderá cada vez menos a parecer barbara ou cruel, mas sim típica, diferente, única, curiosa, na qual cada tenderão a pretender participar activamente, na lógica da alteração da prova pela participação e experimentação, que marca actualmente â tendência da procura turística.

E ÉVORA?

Após 6 anos de excelência socialista na gestão de Évora, esperava-se que mais nenhuma outra cidade em Portugal recebesse estágios de selecções de futebol ou de rugby, tendo em conta as excelentes condições desportivas prometidas e garantidas pelo PS ao concelho.
O que se passa afinal?

ESTAR ATENTO

VALE A PENA LER

OPÇÃO INTERESSANTE

Uma interessante opção para ser adoptada nas Universidades do interior, que estão a ficar sem alunos e com dificuldades financeiras devido à diminuição da procura e à dificuldade em ajustar a oferta.

URGENTE A CONSTRUÇÃO DO NOVO HOSPITAL

Noticiava a Rádio Diana no passado 30 de Junho:
Alentejo : Espera de 132 dias por uma cirurgia a um cancro
O relatório da Saúde, que vai ser apresentado para a semana, revela números inaceitáveis para as listas de espera de doentes com cancro, avança a TVI.Segundo a estação de televisão, a situação é escandalosa em todo o território nacional, sendo que no Alentejo, em média, a espera é de 132 dias.
De acordo com padrões internacionais, o tempo de espera medicamente aceitável para tumores malignos não pode exceder as duas semanas, ou seja, 14 dias.
O Observatório Português dos Sistemas de Saúde considera estes tempos de espera manifestamente excessivos e critica o Ministério da Saúde por não definir e fazer cumprir os tempos de espera clinicamente aceitáveis para estes doentes.

2007-07-06

EM ÉVORA, CÂMARA DISCRIMINA PESSOAS NOS EQUIPAMENTOS PÚBLICOS

Nota de Imprensa do PSD-Évora
Equipamentos públicos sem acesso para pessoas fisicamente debilitadas e insuficiente eliminação de barreiras arquitectónicas, constituem factores de discriminação entre a população de Évora.
O PSD, empenhado na criação de uma cidade com verdadeira igualdade de oportunidades, tem nos últimos dois anos apresentado propostas de reforço das irrisórias verbas inscritas no orçamento da Câmara Municipal para a eliminação de barreiras arquitectónicas no concelho, propósito em que não tem sido acompanhado pela gestão socialista.
Ao arrepio dos mais elementares valores de respeito pela diferença, a renovada Praça de Touros de Évora, não dispõe de acesso para pessoas fisicamente debilitadas às bancadas, tendo vários espectadores nessas circunstâncias sido impedidos de assistir aos espectáculos tauromáquicos de S. João e S. Pedro.
Financiada em cerca de 60% por fundos da União Europeia, a que se junta a contrapartida nacional de financiamento público e apesar de ser a Câmara Municipal o órgão responsável pela garantia de igualdade de oportunidades no acesso aos locais destinados aos espectáculos, através do mecanismo do licenciamento municipal, é este órgão o primeiro a não cumprir e a não dar o exemplo.
Nem pelo facto de ser 2007 o Ano Europeu para a Igualdade de Oportunidades para Todos, a Câmara de Évora desperta a sua sensibilidade para o acesso de pessoas fisicamente debilitadas aos vários edifícios públicos, nomeadamente municipais. A título de exemplo, veja-se como a Assembleia Municipal extraordinária de Junho, dedicada a esta temática, ocorreu no Palácio de D. Manuel, outro edifício público que não garante a todos igual oportunidade no acesso.
Urge tomar medidas, ao nível municipal, para garantir uma verdadeira igualdade de oportunidades para todos no que toca aos acessos físicos a serviços públicos, bem como aos equipamentos colectivos, com vista a aumentar o nível de solidariedade da cidade e a qualidade de vida de todos os seus cidadãos, sem discriminação.
O PSD espera que a gestão socialista da Câmara de Évora não continue a obstaculizar as propostas de reforço orçamental neste e noutros domínios vitais, dos eleitos no executivo municipal impedindo a melhoria sustentada da cidade, enquanto desbarata montantes superiores em festarolas de pré-campanha eleitoral.

SISTEMA DE ENSINO PÚBLICO: PAIS CONTAM POUCO NAS DECISÕES

Em tempos fui confrontado em casa com um panfleto vindo da escola frequentada pelos filhos que, através da listagem de “14 regras para os pais desrespeitarem”, responsabilizava estes por todos os males do sistema de ensino público naquela escola: desinteresse dos alunos, maus resultados, ambiente da escola, abandono escolar no limite …

Considerando despropositado e exagerado o recado e manifestado publicamente o desacordo, logo fui elevado à categoria de inimigo público número um de uma suposta “classe docente”, por alguns membros também supostamente defensores do interesse do corpo, como se tivesse desferido pior ataque que aquele que a senhora da DREN corporizou contra o Professor Charrua, relativamente ao qual, ainda ninguém viu uma linha escrita de defesa, pelos intitulados defensores da “classe”. O verdadeiro motivo da indignação era outro: os agentes institucionais do sistema reagem mal à crítica e intromissão dos pais no seu funcionamento.

Neste momento, um grupo de pais vê-se confrontado com a seguinte situação que ocorre na Escola E.B.1 do Rossio, em Évora, decretada unilateralmente pela direcção executiva do Agrupamento: a mudança dos seus educandos (4º ano do 1º Ciclo) para a Escola E.B.2,3 André de Resende, situação da qual não foram informados aquando da primeira inscrição na respectiva escola.

Os pais, responsavelmente, dirigiram correspondência ao órgão decisor, com conhecimento à DREA e à Câmara de Évora, invocando que, para além de considerarem pouco adequado que as crianças sejam objecto de uma alteração prematura no seu percurso escolar, a escola de acolhimento não tem condições para receber alunos deste nível etário: poucos espaços cobertos, perigos do espaço descoberto para crianças desta idade (piso acidentado, declives acentuados muitos esconderijos perigosos...), incapacidade de resposta do refeitório, insuficiência das instalações sanitárias no bloco onde estão a funcionar as turmas de 1º ciclo (1 casa de banho para 68 alunos), escasso número de auxiliares para efectuar a vigilância dos alunos do 1º ciclo e para os alunos mais crescidos, desajustamento do funcionamento da campainha para os tempos lectivos do Primeiro Ciclo,...

Apesar de não terem deixado de manifestar à direcção do Agrupamento Escolar o profundo descontentamento e desagrado pela falta de respeito pelos encarregados de educação e principalmente pelos alunos da Escola do Rossio vítimas da infeliz decisão, os pais não deixaram ainda assim de apontar caminhos para ultrapassar a situação, nomeadamente a mudança da actual biblioteca para o espaço devoluto no edifico da cantina, libertando uma sala que permite o funcionamento de uma turma de 1 º ano de escolaridade e manteria em funcionamento na escola do Rossio todas as actuais turmas.

Conscientes de que tal proposta implicava a intervenção da Câmara Municipal na gestão do espaço escolar, procuraram os pais que tal assunto fosse debatido em reunião de Câmara o que aconteceu, pela voz do vereador António Dieb, tendo aquele órgão autárquico manifestado a sua disponibilidade para equacionar a solução proposta pelos pais, caso a direcção do Agrupamento Escolar assim o entendesse.

Propunham ainda os pais, em alternativa, que não fosse autorizada a entrada de alunos de 1º ano para a Escola do Rossio, antes fossem absorvidos pelos outros estabelecimentos de ensino do 1º ciclo do agrupamento, permitindo assim que os alunos que frequentam aquela escola aí pudessem permanecer até ao fim do percurso escolar do 1º ciclo.

De pouco serviu o esforço dos pais em defesa do interesse dos seus educandos e do funcionamento do sistema, porque as decisões tomadas pela direcção do Agrupamento em nada parecem atender ao interesse dos pais, numa atitude de claro desrespeito e mesmo desprezo pelos mesmos.

A prova está na resposta que o Conselho Executivo do Agrupamento fornece aos pais, depois de, recebida a exposição destes, conceber e aplicar um inquérito por questionário “à medida” da resposta a fornecer, aos alunos que já frequentaram o 4º ano na nova escola no ano anterior. Assim, os resultados não poderiam ser mais surpreendentes, especialmente por serem divulgados pelo próprio Conselho Executivo, iludindo propositada e deliberadamente a argumentação dos pais. O que pensam os 68 alunos da sua sala de aula?

  • (24%) - Boa/Muito Boa;
  • (35%) - Bonita/Gira;
  • (10%) - Grande/Espaçosa;
  • (7%) - Com Mais/Muitos materiais;
  • (4%) - Confortável;
  • (26%) - Quente (devem referir-se à primavera, quando foi o inquérito);
  • (7%) - Devia ter cortinas;
  • (9%) - Gosto;
  • (21%) - Pequena;
  • (16%) - Tem muita luz, é luminosa;
  • (1%) - Fantástica;

Não contente com esta majestosa lição dada aos pais reclamantes, ainda é fornecido na justificação aos mesmos o resultado das 15 respostas (descritivas) obtidas à pergunta “Porque é que gostas de andar nesta escola?”, supondo-se que foi feita alguma pergunta antes do tipo “Gostas de andar nesta escola?”, ficando os pais a saber que apenas 22% dos alunos responderam positivamente.

Eis pois como a insensibilidade na gestão da coisa pública pode minar a cada dia o funcionamento de vários subsistemas, com implicações directas e indirectas no futuro das gerações seguintes, sem que ninguém seja responsabilizado, como se de um mal menor se tratasse, menor mesmo que uma piada contada (ainda que por um professor) sobre algum político.

2007-06-30

Kemet e Skylander

Notícias Alentejo O deputado social democrata Luís Rodrigues dirigiu um requerimento ao Governo no qual solicita informações sobre as "notícias que dão conta do despedimento 170 trabalhadores na empresa Kemet Electronics Portugal, em Évora".
Para o parlamentar "impõe-se uma reflexão relativamente ao motivo pelo qual esta empresa multinacional, que ao longo dos últimos anos tem contribuído de forma significativa para a sustentabilidade da sociedade eborense, se vê numa situação de clara perda de competitividade tendo como última consequência o anunciado ciclo de despedimentos".
Por isso, Luís Rodrigues pretende que o Estado explique que compromissos foram assumidos com a multinacional norte-americana e que lhe remeta cópia dos contratos. "Em caso de incumprimento, que sanções o Governo impôs à empresa?" questiona o deputado que constata, no requerimento, que nunca a empresa atingiu o número de trabalhadores acordado. "Através dos contratos de incentivo esta empresa assumiu compromissos com o Estado Português que não cumpriu, nomeadamente quanto ao número de trabalhadores que deveria ter atingido os 1100 e nunca chegou sequer aos 700", sublinha.
Luís Rodrigues interroga ainda os ministérios da Economia, das Finanças e do Trabalho sobre "o acompanhamento que o Governo fez dos anunciados despedimentos" e das "medidas de apoio aos desempregados e às suas famílias". O deputado pretende ainda conhecer "as intenções futuras da empresa no que respeita ao nível de emprego e de manutenção da sua actividade em Évora".
O requerimento dirigido na segunda-feira ao presidente da Assembleia da República solicita ainda informações sobre novos investimentos. Luís Rodrigues quer saber como está o projecto "Skylander". "Este Governo tem vindo a prometer ao longo de quase três anos, tal como a Câmara Municipal de Évora, a instalação de um novo investimento no sector aeronáutico (Skylander), mas até agora o que existe é um grande sonho e uma grande (des)ilusão", escreve o deputado. O parlamentar solicita à autarquia eborense "informações concretas" sobre o projecto de investimento previsto para a cidade.

2007-06-29

DÚVIDAS MAIS QUE RAZOÁVEIS

A este propósito, vem a jeito aleitura de Nicolau Santos no site do Expresso, sobre a matéria em concreto: Cem por Cento : Legislação laboral: já chegámos à China?
As recomendações da Comissão do Livro Branco das Relações Laborais aproximam-nos dos países nórdicos – mas indicam-nos o caminho da China. Explico-me. Há um conjunto de medidas propostas que, chame-lhe o ministro adaptabilidade ou flexigurança, decalcam, com as necessárias adaptações, o modelo que regula actualmente as relações laborais em países como a Suécia, Noruega ou Dinamarca – e que Bruxelas recomenda a todos os Estados-membros. Não está, pois, em causa o sentido que fazem algumas medidas para responder aos desafios da globalização, mas, no essencial, aqui como na Europa, o trajecto aponta para a diminuição dos direitos dos trabalhadores conquistados nos últimos 30 anos. Na verdade, de que outro modo podem ser considerados a maior flexibilidade do despedimento individual (diminuição substancial do prazo para a interposição da acção de impugnação do despedimento, alargamento do âmbito do despedimento por inadaptação, aumento dos obstáculos à reintegração do trabalhador mesmo quando ganhe o processo de despedimento), a perda de salário por “fundamentos objectivos”, o corte no subsídio de férias (ao ser expurgado de tudo o que não seja salário base), a redução do limite mínimo de descanso de uma para meia hora, após cada cinco horas de trabalho…? Poder-se-ia dizer: são estes os factores que justificam o nosso fraco crescimento económico desde 2002. Mas exactamente com este enquadramento laboral ou ainda pior, Portugal registou entre 1970 e 1998 uma taxa média anual de crescimento de 2,9%, só ultrapassada pela Coreia, Irlanda e Luxemburgo. Entre 1985 e 1991, o crescimento económico português (valores do PIB a preços constantes de 2000 e ajustados pela paridade do poder de compra) foi de 5,7% contra 4,3% na Irlanda, 3,7% em Espanha, 2,3% nos Quinze e 1,1% na Grécia. A partir daí, tem sido sempre a cair: 2,2% entre 1991 e 2001 e 0,1% entre 2001 e 2005, contra 3,6% da Irlanda, 3% da Grécia, 2% de Espanha e 1,1% dos Quinze. E a grande questão é se estas mudanças garantem maior crescimento e competitividade à economia portuguesa. Não, não garantem por si só esses objectivos, assim como a descida dos impostos sobre o investimento também não os garantem. Mas garantem certamente uma muito maior precariedade das relações laborais, sem oferecer nenhuma compensação aos trabalhadores. E garantem também uma muito maior instabilidade familiar, ao contrário do que diz o ministro Vieira da Silva. Os portugueses são dos europeus que mais horas trabalham. Não é por isso que a riqueza do país aumenta, residindo grande parte dos problemas na péssima organização da sociedade e na falta de lideranças competentes e motivadoras. Mas essas são questões que ninguém sabe resolver. Por isso, um dia destes, mais ano menos ano, algum Governo pensará que bom mesmo é termos as mesmas leis laborais que existem na China, com a miragem de que passaremos a crescer 10% ao ano. Subsistirá, contudo, sempre um problema. É que nós não somos chineses. E gostamos de pastéis de nata. É uma desvantagem brutal.

O curioso e mais sintomático de que o Governo está a abusar e a avançar para além do razoável nunca transgredido por qualquer outro Estado-Membro europeu com melhores condições de suporte social para aguentar o embate, mas que nunca se atreveram a tanto ou que foram obrigados a recuar (ex. França), é que Bagão Félix veio alertar para o excesso e Nicolau Santos, que em tempos defendia algum avanço neste sentido, considera que esta investida é excessiva.

Nicolau Santos, num artigo na edição de 02.04.2005 no Expresso, intitulado “A globalização está a dar cabo de nós” referia que, não há teoria que possa esconder a nudez forte dos factos.
Se o custo médio da mão-de-obra na Europa é de 40 dólares, se esse mesmo custo é de quatro dólares no Leste europeu e de 40 cêntimos na China, não há nenhum ganho de produtividade possível capaz de encurtar este diferencial, por melhor que seja a gestão das companhias e a excelência dos trabalhadores. Só um milagre conseguiria atingir esse objectivo em tempo útil.
A única via, como é óbvio, passa pela redução drástica dos direitos laborais e dos salários dos trabalhadores europeus, ou seja, pelo desmantelamento do designado modelo social europeu - porque esperar que sejam esses mesmos direitos e os salários a subir na China e noutros países asiáticos é uma ilusão, que terminará com a destruição de toda a indústria do Velho Continente. Vejamos o Japão, que começa finalmente a sair da longa estagnação em que caiu. Qual foi o segredo? O abandono do pacto social saído do pós-guerra, que garantia um emprego para toda a vida ao cidadão que entrasse numa companhia nipónica. Ora neste momento mais de 40% dos japoneses ocupam um posto de trabalho a tempo parcial ou a termo certo, três vezes mais do que há um quarto de século. E o desemprego subiu para 4,5%, um recorde para um país habituado a uma taxa de desemprego de 1% ou 2% - mas que, mesmo assim, se pode considerar um resultado excelente para um país rodeado por outros Estados onde o trabalho custa cem vezes menos. Como contrapartida, a Toyota ganha mais dinheiro do que a General Motors, Ford e DaimlerChrysler todas juntas - e em todos os sectores, com excepção do farmacêutico e da aeronáutica, existem pelo menos um ou dois gigantes nipónicos entre os cinco primeiros grupos mundiais. Trocando por miúdos, para se sobreviver na era da globalização há que alinhar os modelos sociais por aqueles onde há menos direitos e onde os salários são mais baixos. Mais: o resultado é a concentração de riqueza num cada vez menor número de megaempresas e o avanço da pobreza e da insegurança profissional à escala planetária.

2007-06-21

ÉVORA EXCELENTE DESAPARECEU DO MAPA?

Desta vez o Presidente da Câmara de Évora não veio logo a correr à comunicação social a comentar os menos bons resultados de Évora quanto ao emprego, a segurança e o combate à criminalidade, o acesso a cuidados de saúde e a habitação, que foram os factores que mais influenciaram a satisfação dos inquiridos com o local onde vivem.
Também é verdade que não quis assumir responsabilidade por nenhum deles, mas oportunidade não lhe faltou e tinha bem por onde escolher.
Segundo o estudo que o Diário Digital noticia: A habitação foi o aspecto mais positivo apontado, em especial pelos habitantes de Aveiro, Braga, Castelo Branco, Faro, Leiria e Santarém, mas para os restantes o calor ou frio dentro de casa são a principal crítica. Quanto ao calor, as casas de Aveiro, Guarda e Viana do Castelo são as mais frescas, enquanto as de Castelo Branco, Évora, Lisboa e Portalegre aquecem demasiado quem lá mora. Lisboa destaca-se pela negativa devido aos problemas dentro de casa, como a humidade na casa de banho, mas as habitações por fora são também criticadas nesta cidade, tal como nas de Aveiro, Coimbra, Évora, Faro, Leiria, Portalegre e Setúbal.
Beja e Guarda surgem como as cidades com melhor meio ambiente e menos poluição, enquanto para Setúbal, Viana do Castelo e Viseu foi referida a paisagem urbana.
Quanto aos aspectos negativos, o emprego foi o mais apontado em 10 das 18 cidades, para o qual contribui o aumento do desemprego no último ano.

ANIMAÇÃO CULTURAL DO PATRIMÓNIO

EBORENSES NOVAMENTE ILUDIDOS

Em 2001, o Presidente da Câmara de Évora prometia um novo Parque de Feiras, Exposições e Actividades Económicas para o primeiro mandato e, em 2003, repetia a promessa para 2005, ano de novas eleições autárquicas.
Dizia o Presidente da CME que apesar da importância da Feira de S. João para a economia da região, a realização da mesma no Rossio de S. Brás traz algum incómodo à população, que nesta altura se vê privada do referido espaço de estacionamento. Passados 6 anos na CME, nem novo parque de feiras, nem mudança da feira, nem remodelação do Rossio de S. Brás, que continua num lastimável estado, à porta de um Centro Histórico que é Património da Humanidade.
O Presidente da CME prometia ainda, no seu primeiro mandato, a Recuperação do Jardim Público e do Parque de Merendas, devido à sua elevada degradação, mas a promessa está no mesmo saco que todas as outras feitas em 2001 e repetidas em 2005: o complexo desportivo municipal com a pista de atletismo, a recuperação das piscinas municipais, a construção do novo PARQUE DE FEIRAS, a construção da nova biblioteca, …
Com o Presidente da CME poderá apenas concordar-se no que toca às suas próprias palavras de que as pessoas não estão desatentas, nem é possível utilizar eternamente a sua esperança em melhores condições de vida, para se lhe continuar a prometer e não cumprir.
A recuperação da antiga Praça de Touros para Pavilhão Multiusos, junto ao Rossio de S. Brás será o prenúncio de que o Presidente da CME já abandonou a ideia de construir um novo espaço de feiras e exposições para albergar a Feira de S. João?
Esperemos para ver as promessas que aí vêm, as quais não devem tardar, porque a campanha já começou...