



As maiores escolas de Évora estão em obras no momento em que já deveriam ter iniciado as aulas, porque as obras que podiam ter sido executadas durante as férias, apenas se iniciaram pouco tempo antes do início prevista das aulas. Os prejuízos para os alunos que começam mais tarde, sem cantinas nem tempos livres operacionais são mais que muitos, bem como para os pais, que não dispõem de espaços de ocupação para os seus filhos durante este período.
Como os meninos ainda não se fazem de barro, alguns dos professores do 1º ciclo do Ensino Básico e Educadores de Infância recém formados ou ainda em formação, nunca virão a exercer a profissão para cujo perfil estão a adquirir competências.
O arauto da desgraça em tempos idos e da "mais que desejável" miragem recuperadora agora, que é o máximo do Banco de Portugal, não se cansa de fazer publicar relatórios sobre a suposta sustentada recuperação da economia nacional.
Eu, que percebo pouco do assunto mas aprendi a somar 2+2, escaldado pelos tempos em que os Governos de Guterres+Sócrates nos pretendiam fazer crer que é possível crescer sustentadamente em termos económicos com base apenas na variável consumo interno (num mercado pequeno como este), pergunto como cidadão desconfiado: e agora?
Como é que essa variável vai dar votos ao então Ministro Sócrates que permitiu de boca fechada o endividamento que hoje temos (acima das azinheiras como se diz no Alentejo) das famílias (quando era Ministro do refugiado Guterres)?
Por acaso o PM (com a experiência acumulada que tem) já avisou o país que em breve haverá novas subidas de juros e acréscimo substanacial dos encargos para as famílias, devido ao aumento das prestações mensais do crédito à habitação?
E como será então o comportamento da procura interna no crescimento económico?
Évora é, infelizmente, um caso preocupante no que ao desporto e ocupação de tempos livres de jovens diz respeito. Assim é desde há várias décadas, sentindo-se no entanto as carências com maior intensidade à medida que nos vão iludindo com uma maior modernidade. O desporto ao ar livre é um exemplo de carência pela total inexistência de espaços, sentido por adultos e jovens, pais, crianças e adolescentes, apesar de tais espaços estarem prometidos há décadas, com mais intensidade eleitoralista nos últimos 5 anos em que o PS prometeu e não cumpriu transformar a cidade e apetrechá-la das necessárias infra-estruturas à satisfação das suas necessidades e superação das suas carências.

Se pensarmos no que é a oferta de Actividades de Tempos Livres (ATL) para crianças e jovens durante o verão e as restantes interrupções escolares, ficamos com os nervos em franja e com uma grande tristeza por constatarmos a incapacidade e inércia da Câmara Municipal de Évora.
Um cidade que detém espaços adequados (ao ar livre) para oferecer programas de actividades organizados e com qualidade vê durante os meses de Julho e Agosto a oferta de ATL reduzida a um pequeno punhado de iniciativas privadas, muitas em espaços cobertos e fechados e grandes parte delas sem oferta de alimentação.
Alguma oferta mais completa que se foi estruturando nos últimos anos viu-se este ano desaparecer, perante o olhar impávido da Câmara de Évora, incapaz de estruturar alternativas adequados, em espaços abertos como as piscinas municipais ou o jardim público, para o que poderia ter contratado meia dúzia de professores desempregados enquanto animadores, sem que daí decorresse qualquer prejuízo, dada a auto-suficiência financeira deste tipo de serviços.
Não basta argumentar que se deve deixar à iniciativa privada certo tipo de oferta de serviços às populações, aliviando os serviços municipais, princípio com o qual concordo. A discussão a encetar, se quisermos ser intelectualmente honestos é outra, a saber:
Um concelho que pretende atrair investimentos em sectores de elevada incorporação tecnológica como é o caso do ramo aeronáutico, não se pode dar ao luxo de permitir a escassez de oferta de serviços básicos às famílias de técnicos altamente qualificados, sob pena de tais investimentos virem a falhar de futuro, em consequência de uma rejeição de tais quadros pelo concelho que pouco lhes oferece face às (elevadas) exigências que colocam para a educação e crescimento dos seus filhos.
Se este argumento não for entendido pela Câmara de Évora, nem me atrevo a invocar as necessidades da população eborense para os seus filhos porque dessa já desisti, face à arrogância de gestão e permanente demagogia política de uma Câmara que a todo o momento nos quer convencer que estamos melhor hoje, quando a inércia se tornou a imagem de marca, as promessas não cumpridas entraram no anedótico quotidiano e o afundamento de Évora é galopante, ao fim de 5 anos de mandatos do PS.
Não admira, se nos recordarmos da duplicação da dotação orçamental do Ministério da saúde logo que o Guterrismo herdou o poder em 1995, não tendo o crescimento do défice do sub-sector saúde mais parado desde então até hoje.
Agora, a coisa é mais engraçada, ficando os portugueses a saber, da boca do próprio Ministro que:
Bonito. Este Ministro sempre foi um verdadeiro artista. Apesar disso, não consigo apreciar a arte ...

De forma estranha, as declarações do Ministro surgem no dia em que o constante e indomável fogo que lavra no Parque Nacional da Peneda-Gerês começa a incomodar o Governo pelo facto de que, tendo aquela zona tal classificação (Parque Nacional), os mecanismos de actuação do Governo e dos seus serviços desconcentrados, nomeadamente da agricultura, florestas e conservação do mundo rural, não parece terem sido suficiente e eficazmente accionados, com vista a proteger recursos de natureza considerados de importância nacional, ultrapassando por isso a responsabilidade dos proprietários privados.
Esses organismos actuaram eficazmente na prevenção, com todos os instrumentos que tinham ao seu dispor? O Senhor Ministro deverá encontrar respostas e atribuir responsabilidades. O País agradeceria, mais que as declarações fúteis ...

Ao mesmo tempo, na imprensa nacional surgem informações preocupantes, decorrentes de análises cuidadas sobre a incidência dos fogos no território alentejano nos últimos anos, mostrando que a mesma tem vindo a aumentar assustadoramente, pondo a nu a vulnerabilidade do mesmo território, apesar de muito desértico.
Tal preocupação só agora surge devido à exposição e visibilidade mediática do fogo na Serra d'Ossa. No entanto, os cuidados preventivos, ao nível local, deverão ser acautelados e aperfeiçoados de forma permanente, com vista a evitar o accionamento dos planos de emergência que resultam sempre, tal como agora aconteceu no Alentejo, na destruição de vários milhares de hectares de floresta ou mata, avultados bens materiais e, quando não mesmo, em perda de vidas humanas.
Ao nível local, nos espaços rurais do interior do país, mais do que os serviços regionais do poder central (agricultura, florestas...) é ao poder local que cabe boa parte da prevenção de fogos, incentivando e fiscalizando a desmatação e limpeza de terrenos e acessos.
Se isto é verdade no que respeita aos concelhos veradeiramente rurais, mais o é no que toca aos concelhos urbanos, em especial, quando se trata, como acontece com Évora, de núcleos urbanos que detêm consideráveis espaços de vulnerabilidade incendiária entre o núcleo histórico e os bairros afastados ou os equipamentos colectivos e sociais de serviço à população.
As 3 fotos que aqui surgem, referem-se ao espaço circundante à Aminata, em Évora (integrado no perímetro urbano, encaixado entre o Centro Histórico e alguns dos maiores bairros residenciais de Évora, entre o complexo de piscinas da Aminata e os complexos desportivos do Lusitano e do Juventude).
Poderia ainda acrescentar a Escola C+S que deste local apenas está separada por uma estrada, um hotel e várias propriedades privadas que com este espaço confinam, os depósitos de gás que junto aos equipamentoa colectivos se encontram, entre eles um dos maiores lares de terceira idade da cidade (Barahona), associado a um hospital de retaguarda que no mesmo espaço de perigosidade se localizam.
Razões mais que suficientes para que, em sessão de Assembleia Municipal, o Presidente da CME já tenha sido alertado para o efeito, durante o mês de Junho, movido pela mesma preocupação com a que agora volto à carga, dada a inércia do Presidente da Câmara de Évora, desde então até agora, apesar dos alertas.
Eu próprio tirei estas fotos, hoje ao final da tarde, julgando serem suficientes para sensibilizar o executivo municipal para o risco de incêndio neste ano que, tendo chovido substancialmente durante os meses de Abril e Maio, os pastos cresceram anormalmente debaixo das árvores, em todos os lugares, mesmo às portas da cidade, aumentando de forma perigosa o risco de incêndio.
A questão que se coloca é a de saber até que ponto a Câmara de Évora já deveria ter actuado perante tal situação, ou esperar que os incêndios deflagrem, às portas do Centro Histórico, para depois vir responsabilizar os particulares donos dos terrenos, pela falta da sua limpeza, na esteira do Ministro da Administração Interna, do mesmo Partido Socialista.
Pessoalmente, não acredito que uma CM não disponha dos meios suficientes para accionar em situações de risco como esta, mesmo que os mesmos vão contra a vontade dos particulares, tendo em conta a segurança pública.
Os meios próprios não são suficientes?
Mas sabendo que, são alguns deles (os possíveis) accionados em situação de emergência, como aconteceu com máquinas da CM de Évora, para combater o incêndio da Serra d'Ossa, tenho dificuldades em entender porque não acontece tal mobilização com vista à prevenção, no concelho de Évora.
Se é possível à Câmara Municipal de Évora, mandar pintar as fachadas dos prédios da Praça do Giraldo e ruas confluentes, independentemente da vontade dos seus proprietários, enviando-lhes posteriormente a conta para pagamento, também deverá ser possível desencadear acções semelhantes relativamente a proprietários de prédios rústicos, em nome da prevenção de incêndios.
O pressuposto é o de que este executivo municipal, que prometeu uma cidade de excelência, não pretende ficar apenas pelas fachadas ... Mas, facilmente admitirei estar iludido, como quase metade dos eleitores eborenses.
O desafio actual consiste em adivinhar quantos dos 150.000 novos empregos prometidos pelo PS serão preenchidos por outros critérios que não este.
Bem que podem chover milhões para a educação e formação, que o Alentejo continuará a secar em recursos humanos e a definhar na sua base económica.

Em contrapartida, vá-se lá perceber porquê, 19 membros do Grupo Municipal do Partido Socialista decidiram votar contra uma recomendação que sugeria à CME a preparação de iniciativas tendentes à valorização e projecção do património cultural eborense no contexto nacional.Esta estratégia de colocarem nos órgãos autárquicos eborense os carreiristas e seguidistas políticos do partido socialista, só podia dar tal resultado, para prejuízo de Évora e desilusão dos incautos eleitores eborense (substancialmente menos, é verdade) que ainda se deixaram iludir pelo canto enganoso.
Nada que se estranhe da atitude de suposto seguidismo cego, a avaliar pela democraticidade revelada aquando das recentes eleições para a Presidência da República. Nunca se sabe as consequências que podem advir para os dissonantes da "nomenklatura".
Se assim fazem entre eles, ...
Só se for para rebentar com o resto, que vai sendo cada vez menos. Ou, para que alguns profissionais da política, ao nível local, garantam os seus tachos até à altura da reforma.
Outros argumentos, destacando vantagens para áreas como o Alentejo? Procurei e não encontrei nenhum que não conseguisse rebater em 3 segundos.
Passados 2 anos sobre o acontecimento que muitos dizem ter mudado o mundo, ou pelo menos ter aprofundado as divergências entre as sociedades ocidental e o Islão, os ataques terroristas estão ultrapassados mas não esquecidos, em especial pelo crescimento da insegurança resulta de, a qualquer momento, novas acções poderem ser desencadeadas por fundamentalistas islâmicos. Quando se fala em fundamentalismos, tendemos apenas a atribui-los ao Islão, em consequência da não separação entre o poder político, a organização social e, a religião.
O texto da notícia refere ainda que:
«... Itália só alcançará o rendimento per capita da Alemanha em 2014 e que Grécia e Portugal demorarão ainda mais anos a faze-lo».
«Segundo o Deutsche Bank a educação é o factor que mais prosperidade trouxe a Espanha, com mais investimento no ensino secundário e universitário e 37% dos espanhóis entre os 25 e os 34 já com cursos superiores, comparativamente aos 20% mantidos pela Alemanha durante várias décadas.»
«O motor do aumento do rendimento per capita não assenta nos investimentos nem no desenvolvimento demográfico, explica o estudo referindo-se a Espanha, mas sim no capital humano do país.»
Um país com índices de envelhecimento não muito diferentes de Portugal, sem preocupações de recurso à imigração como tábua de salvamento (embora ela exista e seja importante, não é perspectivada como nuclear), concentrou-se no essencial, que é a valorização dos recursos humanos ou, o capital humano, como referem os economistas, que é capital para a produtividade do factor trabalho e para a competitividade da economia.
Tal exige uma planificação estratégica, o mesmo é dizer traçar um rumo de longo prazo e não se desviar dele a não ser por razões de força maior, rumo esse que é aceite enquanto caminho de um desígnio nacional assumido e partilhado entre as principais forças político-partidárias, as quais que se encarregam de garantir a manutenção de um "core" necessário à sua consecução, quando estão no Governo (do país).
Colocar Espanha entre os primeiros e mais influentes países do mundo é um objectivo de há muito estabelecido, que funciona como mobilizador de vontades, esforços e empenho de todos os diversos tipos de agentes, aos mais variados níveis de acção de localização institucional e geográfica, sendo o turismo, a cultura e o futebol apenas alguns dos campos mais visíveis do exterior.
Tenho alguma dificuldade em aceitar uma explicação substancial dos resultados pelo factor autonomia regional, como muitos pretendem logo à primeira vista argumentar, justificando dessa forma aquilo que consideram ser a solução derradeira para o sucesso do modelo de desenvolvimento português.
Por um lado, porque algumas comunidades autonómicas espanholas, como por exemplo a nossa (do Alentejo) vizinha Andaluzia, tem quase a dimensão territorial e populacional de Portugal, pelo que não nasceu assim do nada e totalmente desprovida de recursos de sustentação, como se quer fazer crer que é possível a algumas das mais pobres regiões europeias como o Alentejo. Veja-se como se posiciona a Espanha enquanto destino turístico europeu e mundial e atente-se no facto de os recursos turísticos da Andaluzia permitirem, só a esta região, dispor de uma oferta quase tão ampla e diversificada como um país inteiro seu vizinho, que é Portugal.
Por outro lado, trata-se de reflectir sobre que investimentos temos andado a fazer em capital humano quando, observando as estatísticas da OCDE elas nos indicam que Portugal é um dos países daquele grupo que mais despesas per capita realiza com a educação e formação dos seus recursos humanos mas que a mesma despesa não tem repercussões na produtividade do factor trabalho nem na produtividade total dos factores económicos. Ou seja, o dinheiro gasto esfuma-se sem resultado que se veja, em vez de se multiplicar.
Ora, é sabido que as opções relativas às áreas profissionais de aposta dos operadores do sistema de educação e formação profissional está bastante descentralizada em Portugal, sendo os organismos regionais da administração pública e os estabelecimentos de ensino da rede pública e e outras redes associadas a esta, que definem as suas opções de oferta, as quais, à partida, deveriam ser suficientemente sustentadas por uma forte componente técnica de associação e ancoragem aos sistemas regionais e locais de emprego e respectivos mercados de trabalho.
O mesmo sucede com a autonomia universitária, já que é a este nível que a Espanha parece ter descoberto a chave de alavancagem económica, resultado em boa medida de uma apurada e estudada aposta no capital humano, o que nos deverá levar, relativamente ao panorama nacional, mas desde logo no que ao nível regional diz respeito, a procurar respostas para algumas questões:


