2006-05-21

REABRIR O PROCESSO REGIONALIZAÇÃO EM PORTUGAL?

Só se for para rebentar com o resto, que vai sendo cada vez menos. Ou, para que alguns profissionais da política, ao nível local, garantam os seus tachos até à altura da reforma.

Outros argumentos, destacando vantagens para áreas como o Alentejo? Procurei e não encontrei nenhum que não conseguisse rebater em 3 segundos.

2006-05-19

ESTA FEBRE DO FUTEBOL QUE AFECTA TANTA GENTE ... AGORA EM ÉVORA!

A discussão local em torno do futebol, envolvendo os mais emotivos e obcecados aos mais racionais e distantes, passando pelos moderados na razão e coração, preencherá o quotidiano alentejano em geral e eborense em particular, durante as próximas duas semanas.
De forma desprendida em relação à reacção colectiva e sem qualquer ingerência na dimensão política de análise, atrevo-me a recordar aqui partes de algumas das peças já escritas noutros tempos, sobre o fenómeno, encarado apenas do ponto de vista das ciências sociais, a partir de pesquisas direccionadas essencialmente à interpretação do papel do futebol enquanto meio instrumental de afirmação de identidade social.
Na semana em que escrevo, o quotidiano da vida portuguesa foi quase totalmente dominado pelo jogo de futebol para disputar a final da taça EUFA, antes e depois do mesmo acontecer. A identidade nacional saiu reforçada com o resultado conseguido, mas, mais reforçada saiu ainda a identidade social da região norte do país, para a qual o futebol tem sido o instrumento fundamental da sua afirmação.
É possível identificar a influência de vários vectores de diferenciação social dos desportos, conferindo aos mesmos um carácter simbólico consonante com os vários tipos de capital (económico, cultural, …) que as classes sociais detêm, traduzindo-se, na prática, numa diferenciação social dos gostos e das práticas desportivas: desportos colectivos ou individuais, autonomia ou regramento, uso do corpo e da força física ou da criatividade, etc. O futebol é, no entanto, um desporto de carácter universal, seduzindo praticantes e adeptos de todas as classes sociais, independentemente do volume ou da estrutura do respectivo capital, garantindo uma pluralidade de usos e interpretações para quase todos os gostos e feitios.
A identificação clubística assenta em praticamente tudo, menos em bases classicistas, antes as diluindo, desempenhando um papel político de consolidação de identidades sociais que extravasam as divisões de classe. Preenche ainda funções de terapia social, enquanto válvula de escape das tensões, agressividades e ressentimentos da vida quotidiana, aliviando as ansiedades e as frustrações (o stress) que preenchem o dia a dia do homem moderno, mas também de animação da monotonia quotidiana (anti-depressivo). No fundo, o futebol ocupa uma boa parte do imaginário da nossa sociedade e marca o ritmo do quotidiano.
Mas, no Porto, o futebol representa ainda mais do que tudo isso: representa o instrumento de afirmação de uma identidade social regional que se consolida em torno de um clube no qual todo o norte se revê em boa medida. Gritar "Porto" não significa apenas exaltar o FCP, mas também o vinho com o mesmo nome e toda uma região, identificada simbolicamente com a cidade. Ser do Porto ou do FCP é mais do ser apreciador de bom futebol, amante do futebol, simpatizante de um clube de futebol: é uma maneira de estar na vida, que traduz uma expressão cultural claramente marcada por traços distintivos (com ânsia de afirmação e reconhecimento) do todo hegemónico nacional e, principalmente, do elitismo urbano e metropolitano da antiga capital de um império já desaparecido. Bourdieu defendia convictamente que toda a expressão linguística é um acto de poder, mesmo que dissimulado, pelo que as estruturas mentais e simbólicas que estruturam o discurso objectivo veiculado pela pronúncia do norte, consumam um sentimento subjectivo de identificação e de pertença a uma região que preza como nenhuma outra, em Portugal, o espírito empreendedor, inconciliável com a frustração decorrente dos malefícios do histórico centralismo político e administrativo, perpetuado pelo Estado Novo e ainda hoje marcante. O FPC representa, neste contexto, o veículo adequado à aglutinação dos valores colectivos, garante da afirmação de uma identidade regional que se quer ver reconhecida nos planos nacional e internacional, contra o cosmopolitismo "sulista e elitista" que tende a equiparar Lisboa a Portugal e a paisagem provinciana tudo o resto. Quinta, 22 de Maio de 2003 - 21:39 Fonte: Noticias Alentejo - Jornalista :
Passados 2 anos sobre o acontecimento que muitos dizem ter mudado o mundo, ou pelo menos ter aprofundado as divergências entre as sociedades ocidental e o Islão, os ataques terroristas estão ultrapassados mas não esquecidos, em especial pelo crescimento da insegurança resulta de, a qualquer momento, novas acções poderem ser desencadeadas por fundamentalistas islâmicos. Quando se fala em fundamentalismos, tendemos apenas a atribui-los ao Islão, em consequência da não separação entre o poder político, a organização social e, a religião.
Mas, a aceitação e defesa de um conjunto de princípios ortodoxos tidos por verdades fundamentais e indispensáveis à formação de uma certa consciência (individual ou colectiva), também se observa nas sociedades ocidentais, nomeadamente na europeia, particularmente nos países do sul, ainda hoje marcados, em termos culturais, pelo prolongado predomínio dos regimes políticos autoritários e do dogmatismo religioso da igreja católica.
Habituadas e necessitadas de princípios rígidos que ofereçam segurança interior e estabilidade na organização social, as sociedades europeias do sul, entre elas Portugal, têm vindo a (re)inventar, nas últimas décadas, mecanismos de organização da centralidade dos seus quotidianos que tendem a assumir formas obsessivas, entre elas o futebol.
Vejamos:
1. Cada jornada de futebol das ligas nacionais e internacionais institucionalizou-se, em Portugal, com carácter ritualizante: as discussões iniciam-se antes de a semana chegar a meio, aquando dos primeiros treinos e das correspondentes convocatórias dos jogadores, alimentam-se durante a mesma com os desempenhos dos jogadores nos treinos e culminam, no final, com as apostas no totobola e totogolo, ou ainda com a ida ao estádio ou a assistência à transmissão televisiva dos jogos. O ritual continua nos primeiros dias da semana seguinte, com as discussões em torno dos resultados, dos golos marcados, dos casos polémicos, dos erros das arbitragens e por aí fora, matérias que servirão de entretenimento até metade da semana, altura em que o ciclo se reinicia.
2. O futebol serve de início a todo o tipo de conversação com desconhecidos, ao balcão ou à mesa do café, substituindo o tradicional tema da meteorologia, e de alimentação a disputas verbais mais incendiadas entre conhecidos, amigos e familiares, chegando mesmo a referenciar as opções de amizades e inimizades produzidas e alimentadas no quotidiano. O fanatismo e a intolerância não são fenómenos esporádicos, observando-se a inimaginável simultaneidade de opiniões contraditórias sobre o mesmo facto, assumidas hipocritamente como objectivas e verdadeiras. O futebol serve de escapatória à monotonia da vida quotidiana e de uma cada vez menor implicação pessoal no trabalho, mas também desenvolve um efeito de catarse e alívio das tensões produzidas pelo modo de vida moderno.
3. O fenómeno atravessa e penetra todas as classes sociais, que se desiludem da política, participam cada vez menos na eleição dos seus representantes no Parlamento e dos que decidem o futuro dos concelhos onde residem e onde viverão os seus filhos, ou ainda em referendos sobre matérias tão importantes como o aborto ou a regionalização, mas que não parecem afectados no seu interesse com o funcionamento do futebol nem com a actuação já raramente convencional e transparente dos dirigentes dos clubes e SAD's, nem com a promiscuidade com os políticos. Estes últimos, servem-se eles próprios dessa obsessão das massas, sendo dos poucos factores que parecem ainda despertar algum interesse junto do eleitorado, aquando das campanhas eleitorais e das respectivas promessas formuladas: revela-se mais mobilizador da angariação de preferências eleitorais a construção de um estádio municipal de futebol ou a realização de um campeonato europeu, do que as opções estratégicas para o futuro de um concelho, a construção de escolas e hospitais, ou de projectos estruturantes para o desenvolvimento do país.
4. Nos parques de recreio das escolas, não existem mais equipamentos desportivos do que os campos de futebol e, para aqueles que não têm apetência ou têm preferências por desportos que exijam maior desempenho intelectual e menor limitação à força bruta do corpo, não restam opções, nem são valorizadas ou incentivadas as suas escolhas, quando as fazem. O sonho com o estrelato das vedetas milionárias inicia-se logo na infância, valorizando toda uma elite simbólica que personaliza valores ou aspirações facilmente cativantes dos jovens (modos de vida, estrelato, acesso a bens materiais…), exercendo influência nos hábitos, atitudes e comportamentos dos mesmos.
5. Até há relativamente pouco tempo, não se dispensou a devida importância ao estudo da influência deste tipo de elites, por estarem mais individualizadas e não existir um laço organizativo entre elas. No entanto, o relevo dos meios de comunicação social nas sociedades modernas e o seu consequente efeito de imagem e mobilização de massas, vieram dar maior importância à influência das mesmas, em particular no meio desportivo, que dispõe de vasta imprensa especializada e grande capacidade de mobilização de massas no âmbito das audiências televisivas.
6. As massas projectam as suas aspirações nos seus heróis, levando os atletas a converterem-se em símbolos de uma cidade, região ou país, ou de qualidades como a combatividade, o esforço, a capacidade de sofrimento ou a vontade de superação própria. Apesar de algumas das elites simbólicas (ex. dos meios artístico, da literatura ou da moda) serem em regra mais instáveis e transitórias que outro tipo de elites, como o são os valores ou modas que representam, tal tendência parece não ter acolhimento no futebol. Apesar de as multidões se revelarem vulneráveis à mensagem que lhe é transmitida, facilmente renegando hoje os que aplaudiram ontem, a preferência clubística, a participação no espectáculo e a centralidade do futebol na vida quotidiana parecem cada vez mais reforçadas, independentemente dos protagonistas individuais, que a todo o momento se renovam.
7. A última estrela do imaginário futebolístico português é o jovem madeirense Cristiano Ronaldo, cujo nome parece extraído de uma das telenovelas brasileiras que toda a família certamente não perderá nos horários nobres do serão televisivo, transportando para uma realidade virtualizada as aspirações, longínquas da sua vida quotidiana, pois tais novelas apontam claramente como próxima a possibilidade de um qualquer desconhecido de uma degradante favela brasileira saltar de um estado miserável de vida para a fama, o estrelato e a fortuna, bafejado por qualquer sorte milagreira, ou pela aposta no futebol, sem qualquer esforço de construção do seu percurso escolar e sócio-profissional.
8. Um estudo norte-americano publicado em Agosto deste ano na revista "New Scientist" revelava que 1 em cada 10 pessoas é viciada em celebridades, vício esse que pode conduzir a problemas de depressões, ansiedade e psicoses, podendo mesmo chegar-se a um estado de patologia marcada por comportamentos perigosos ou até mesmo criminosos. Nada melhor para ilustrar a susceptibilidade deste estado de idolatria do que o filme americano "Adepto Fanático", um thriller psicológico de alta tensão com Robert De Niro e Wesley Snipes, no qual um adepto fanático de baseball arrasta o melhor jogador da sua equipa para um pesadelo alucinante. Bobby Rayburn tem uma vida deplorável: foi despedido do seu emprego e a sua ex-mulher quer impedi-lo de ver o filho. A sua única felicidade na vida é o Baseball, a equipa dos "Giants" e o jogador Gil Renard. Bobby é um adepto obsessivo e demencial que vai ao ponto de assassinar um jogador dos "Giants" para Gil, cujo desempenho na equipa tem sido medíocre, poder recuperar a sua velha camisola número 11 e voltar a exibir o seu talento. Porém, Gil não encara o Baseball como a coisa mais importante da sua vida e Bobby decide obrigá-lo a pensar como ele: rapta-lhe o filho para o obrigar a jogar melhor. Trata-se de um thriller psicológico sobre as criminosas e demenciais iniciativas de um adepto fanático do Baseball, de uma equipa e do seu jogador vedeta, que não se detém perante o homicídio, a chantagem ou o rapto para ver a sua equipa ganhar. No caso, é o desporto que serve de pano de fundo a esta história perturbadora sobre o psicótico culto da celebridade, que na América pode atingir níveis absolutamente desconcertardes e perversos.
9. Resultados de outras investigações, em Inglaterra, continuam ainda assim a relativizar os efeitos desta dimensão, revelando que, seguir atentamente a vida das estrelas só poderá dar mau resultado se isso se tornar uma obsessão, algo que, garantem, acontece em raríssimos casos (1%), pelo que o "síndrome das celebridades", caracterizado pelo dispêndio de vários horas a ler artigos ou a ver imagens e tirar modelos das celebridades, pode até trazer sucesso e ser vantajoso para a vida das pessoas que as seguem.
10. O pai da nova estrela madeirense referia ao jornal "Correio da Manhã" em Agosto que «O Cristiano sempre foi um rapaz muito decidido, por isso, penso que este seja o caminho certo. Estou muito orgulhoso, como o resto da sua família (…)». É natural que a família sinta orgulho no filho que se tornou no jogador de 18 anos mais bem pago, deslumbrada pelo acesso repentino a níveis de capital económico antes inimagináveis. Mas, para além deste, que outros tipos de capital marcam a formação daquele jovem? Que importância foi atribuída ao capital cultural (aquisição de competências escolares e profissionais), cada vez mais determinante nesta sociedade, marcada pelo capitalismo informacional e pela sociedade do conhecimento, tendo por centralidade a capacidade de adquirir e interpretar informação com vista à produção de conhecimento?
11. Aceitando que adorar e respeitar pessoas que se distinguem por alguma razão é algo que vem dos tempos da pré-história, e que se adoram hoje celebridades cuja fama e fortuna é desejada por aqueles que as seguem, a questão deve colocar-se ao nível das hipóteses que têm os seguidores em desenvolver as características estéticas dos modelos, de representação dos actores de Hollywood, ou de jogar futebol como o Cristiano Ronaldo. Nesta sociedade por alguns apelidada de pós-moderna, o trabalho ainda não deixou de ser central na atribuição do estatuto social, pelo que o capital sócio-económico dos indivíduos é ao mesmo tempo resultado do tipo e prestígio das profissões e do uso e combinação feita com outro tipo de capital: o cultural. Em consequência, a aquisição de competências escolares e profissionais proporcionada pelo sistema de educação-formação é, cada vez mais, determinante da aquisição de posições na estrutura social formal e informal.
12. Tal exige, no entanto, um esforço e um investimento ao longo de anos, a rentabilizar no longo prazo, ao qual a sociedade mediática de hoje, paradoxal e hipocritamente não retribui compensação, sendo menos valorizada a atribuição do prémio Leonardo da Vinci, pela Sociedade Europeia para a Formação de Engenheiros a um português pelo reconhecimento das suas obras nos contextos nacional e europeu, do que a ilusória conquista dos 15 minutos de fama preconizados por Andy Warhol em qualquer Big Brother ou clube de futebol, ainda que não se possuam obra feita para reconhecimento.
13. A prová-lo está o facto de Alberto João Jardim ter transformado a jovem vedeta madeirense no embaixador da região no estrangeiro, como se não tivesse mais nenhuma imagem de marca que simbolizasse outras vias de aquisição do estrelato por obra feita. Joe Berardo, empresário de sucesso e personificador da capacidade de iniciativa não parece tão atractivo para o efeito, vá-se lá saber porquê. Não estranha pois que nenhum político português tenha procurado aparecer frente aos media ao lado de Nuno Viegas, jovem português de 27 anos, finalista de Engenharia Biotecnológica da Universidade do Algarve que engendrou uma maneira de usar a Estação Espacial Internacional para ajudar a desenvolver novos antibióticos que possam combater mais eficazmente as bactérias em terra, recorrendo à microgravidade e apresentou a sua ideia num com concurso promovido pela Agência Espacial Europeia, tendo chegado à final do mesmo, entre 100 projectos aceites, apesar de não o ter ganho.
14. O que me incomoda neste cenário é pois a não valorização ou estímulo da sociedade portuguesa ao esforço de aquisição e desenvolvimento de competências científicas por este jovem, nem à sua aplicação criativa e inovadora na produção de conhecimento técnico, ao contrário do estrelato atribuído a Cristiano Ronaldo, que aos 11 anos abandonou a escola para jogar futebol sendo, escandalosamente valorizadas pelos media as suas fugas ao estudo em busca de um espaço de jogo.
15. Referia a edição do jornal "Correio da Manhã" de 25.08.2003 que Cristiano Ronaldo «Mais que tudo na vida queria ser jogador de futebol, mesmo que isso lhe custasse o isolamento da família, um inferno na adaptação a Lisboa, a hipoteca de um futuro académico. (…) qualquer preço era justo, desde que a recompensa fosse chegar aos relvados. Tinha 9 anos». Eis um desafio para pais e professores, porque este "modelo" ou símbolo que é vendido aos jovens e que eu não quero para o meu filho, resulta não apenas do sistema educativo, para onde tendem a ser remetidas quase todas as culpas.
16.O enraizamento cultural das causas do insucesso escolar, do abandono precoce da escola e da fraca motivação e qualidade de formação dos jovens que chegam à Universidade e ao mercado de trabalho, revela-se em dimensões como esta, fazendo lembrar a letra da canção dos Rio Grande: «Mestre-escola diga lá se for capaz, faz-me falta ouvir outra opinião …». Quinta, 11 de Setembro de 2003 - 14:54 Fonte: Noticias Alentejo - Jornalista

2006-05-11

O CAPITAL HUMANO É MESMO CAPITAL!

O texto da notícia refere ainda que:

«... Itália só alcançará o rendimento per capita da Alemanha em 2014 e que Grécia e Portugal demorarão ainda mais anos a faze-lo».

«Segundo o Deutsche Bank a educação é o factor que mais prosperidade trouxe a Espanha, com mais investimento no ensino secundário e universitário e 37% dos espanhóis entre os 25 e os 34 já com cursos superiores, comparativamente aos 20% mantidos pela Alemanha durante várias décadas.»

«O motor do aumento do rendimento per capita não assenta nos investimentos nem no desenvolvimento demográfico, explica o estudo referindo-se a Espanha, mas sim no capital humano do país.»

Um país com índices de envelhecimento não muito diferentes de Portugal, sem preocupações de recurso à imigração como tábua de salvamento (embora ela exista e seja importante, não é perspectivada como nuclear), concentrou-se no essencial, que é a valorização dos recursos humanos ou, o capital humano, como referem os economistas, que é capital para a produtividade do factor trabalho e para a competitividade da economia.

Tal exige uma planificação estratégica, o mesmo é dizer traçar um rumo de longo prazo e não se desviar dele a não ser por razões de força maior, rumo esse que é aceite enquanto caminho de um desígnio nacional assumido e partilhado entre as principais forças político-partidárias, as quais que se encarregam de garantir a manutenção de um "core" necessário à sua consecução, quando estão no Governo (do país).

Colocar Espanha entre os primeiros e mais influentes países do mundo é um objectivo de há muito estabelecido, que funciona como mobilizador de vontades, esforços e empenho de todos os diversos tipos de agentes, aos mais variados níveis de acção de localização institucional e geográfica, sendo o turismo, a cultura e o futebol apenas alguns dos campos mais visíveis do exterior.

Tenho alguma dificuldade em aceitar uma explicação substancial dos resultados pelo factor autonomia regional, como muitos pretendem logo à primeira vista argumentar, justificando dessa forma aquilo que consideram ser a solução derradeira para o sucesso do modelo de desenvolvimento português.

Por um lado, porque algumas comunidades autonómicas espanholas, como por exemplo a nossa (do Alentejo) vizinha Andaluzia, tem quase a dimensão territorial e populacional de Portugal, pelo que não nasceu assim do nada e totalmente desprovida de recursos de sustentação, como se quer fazer crer que é possível a algumas das mais pobres regiões europeias como o Alentejo. Veja-se como se posiciona a Espanha enquanto destino turístico europeu e mundial e atente-se no facto de os recursos turísticos da Andaluzia permitirem, só a esta região, dispor de uma oferta quase tão ampla e diversificada como um país inteiro seu vizinho, que é Portugal.

Por outro lado, trata-se de reflectir sobre que investimentos temos andado a fazer em capital humano quando, observando as estatísticas da OCDE elas nos indicam que Portugal é um dos países daquele grupo que mais despesas per capita realiza com a educação e formação dos seus recursos humanos mas que a mesma despesa não tem repercussões na produtividade do factor trabalho nem na produtividade total dos factores económicos. Ou seja, o dinheiro gasto esfuma-se sem resultado que se veja, em vez de se multiplicar.

Ora, é sabido que as opções relativas às áreas profissionais de aposta dos operadores do sistema de educação e formação profissional está bastante descentralizada em Portugal, sendo os organismos regionais da administração pública e os estabelecimentos de ensino da rede pública e e outras redes associadas a esta, que definem as suas opções de oferta, as quais, à partida, deveriam ser suficientemente sustentadas por uma forte componente técnica de associação e ancoragem aos sistemas regionais e locais de emprego e respectivos mercados de trabalho.

O mesmo sucede com a autonomia universitária, já que é a este nível que a Espanha parece ter descoberto a chave de alavancagem económica, resultado em boa medida de uma apurada e estudada aposta no capital humano, o que nos deverá levar, relativamente ao panorama nacional, mas desde logo no que ao nível regional diz respeito, a procurar respostas para algumas questões:

  • Sendo as Universidades e Institutos Politécnicos portugueses suficientemente autónomos para proporem a abertura (e encerramento) dos cursos que consideram necessários (ou não) na sua envolvência, porque não tem tal produção de recursos o mesmo efeito multiplicador que em Espanha?
  • Porque cresce todos os meses o número de desempregados recém-licenciados em Portugal?
  • O que justifica ainda hoje, 20 anos depois da criação de uma rede pulverizadora de estabelecimentos de ensino superior pelo interior do país, a sua existência, nos mesmos moldes que lhe deram origem, face às alterações dos territórios de implantação, nomeadamente em termos empresariais e demográficos?
  • O que justifica tão ampla diversidade da oferta formativa dos estabelecimentos de ensino superior nos territórios do interior, atingindo com frequência as duas ou três dezenas de cursos em estabelecimentos sitos na capital de pequenos distritos, por oposição a uma especialização distintiva associada às potencialidades de fertilização económica dos ambientes territoriais circundantes?
  • Até quando estarão os recursos financeiros nacionais em condições de aguentar a alimentação de uma oferta formativa sobordinada à lógica de um acesso democratizado e igualitário à educação, mais que à racionalidade da repercussão do investimento, enquanto capital que replica noutros tipos de capital do sistema económico?

2006-05-10

RECEPÇÃO DA CIDADE À SELECÇÃO NACIONAL?

Entrando na cidade pelo acesso de Estremoz (logo, Convento do Espinheiro, onde a selecção nacional ficará alojada), encontramos este panorama nas rotundas de acolhimento da variante, o qual não se afigura muito adequado à dimensão mediática que a Câmara Municipal de Évora pretende atribuir às duas próximas semanas, para a qual vários factores deverão contribuir.
Diga-se em boa verdade que, mesmo que a CME venha a cortar a erva daquelas rotundas, nos próximos dias, ficarão as mesmas ainda assim bastante aquém de um nível mínimo de arranjo que deveria ter sido providenciado pela CME, para cuja ausência não se encontra explicação plausível.
Também é verdade que não estou preocupado com a selecção nacional, mas sim com o facto de todos os dias por ali passar de automóvel e sentir uma enorme dificuldade em avistar os veículos em circulação do outro lado das rotundas em causa, o que acarreta eventuais perigos para a circulação automóvel.

2006-05-07

OPÇÕES CONSUMISTAS ACENTUADAS PELOS GOVERNOS SOCIALISTAS

UMA IDEIA PARA A ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE ÉVORA

Apesar da ajuda que a Câmara Municipal de Évora (CME) pretendeu emprestar à nobre causa da defesa da construção do IC33, não se vislumbra que o contributo possa vir a consubstanciar-se numa decisão positiva por parte do Governo socialista, já que, o exercício de pressão junto do mesmo, com vista à conclusão do traçado do IP2 junto a Évora (a partir do cruzamento de S. Manços até Estremoz), ou não deu resultado, ou não foi exercido, pela CME.
De qualquer das forma, mesmo que exercida pressão junto do actual Governo socialista, pela Câmara Municipal de Évora (que recebeu recomendação da Assembleia Municipal, para o efeito, em Fevereiro de 2002), não parece igualmente que a mesma possa vir a obter resultados positivos quanto ao IP2, dado o nível de desprezo e abandono dedicados pelo Governo ao executivo socialista naquela autarquia, mais que gritantes logo durante toda a campanha eleitoral autárquica de 2005.

Neste sentido e, em consequência, só resta uma solução de arrojo, por parte da AME (Assembleia Municipal de Évora), substituindo-se à CME nesta tarefa de defesa dos interesses do município.

À semelhança do que fizeram os autarcas do Alentejo Litoral há alguns tempos: a realização de um dos seus plenários em pleno traçado do IP2 por concluir (poderia ser no cruzamento de S. Manços), como forma de chamar a atenção do Governo para a necessidade de terminar uma obra que se encontra interrompida há 10 anos e que esteve inscrita no PIDDAC de 2005 pelo anterior Governo.

A não ser que os socialistas presentes nos órgãos autárquicos eborenses sejam mais dedicados e sumissos ao Governo e ao partido, que aos interesses da população e do concelho de Évora, que prometeram defender. Não seria a primeira vez, nem será certamente a última...

QUASE UM ANO DEPOIS, NOS CÉUS DE ÉVORA NADA DE NOVO

Quem não se recorda destas notícias, que encheram páginas de jornais regionais, nacionais e de campanha eleitoral de certos partidos políticos há um ano atrás, em pelo verão, antes de os eborenses irem de férias, marcando a agenda para o início da campanha eleitoral para as eleições autárquicas, logo a seguir ao termo das férias de verão?

Repare-se na segurança das afirmações produzidas, na certeza quanto aos cumprimentos dos prazos anunciados e na convicção das informações relatadas. Em parte alguma das notícias que vinham a público diariamente se referia qualquer eventual previsão de contratempo ou atraso relacionados com a angariação de recursos financeiros, captação de investidores, ou concorrência de outras cidades alentejanas: a criação de uma fileira aeronáutica em Évora foi dada como certa à população pela Câmara Municipal de Évora directamente e via comunicação social.

Um ano depois, os eborenses observam como continuam limpos os céus da cidade e dão-se conta que as notícias mudaram o tom de euforia e de certeza inabalável quanto ao famigerado investimento. Afinal, a fileira aeronáutica dificilmente pode estender-se de Évora a Beja e uma das cidades ficará a ganhar, em função das condições de que disponha à partida e de outras que esteja e pretenda estar em condições de assegurar no futuro.

Certo é que, um ano depois das promessas miraculosas do Presidente da Câmara de Évora durante a campanha eleitoral, as coisas não parecem estar a andar, pelos menos ao ritmo que foi anunciado.

Pior ainda é que, a julgar pelas notícias que vão surgindo nos órgãos de comunicação social, o cepticismo quanto à localização do projecto, no Alentejo, vai crescendo entre os eborenses, alguns dos quais não esperarão mais do que o final deste ano de 2006 para cobrar mais uma promessa eleitoral ao Presidente da Câmara de Évora, que acrescentará substancialmente o já agora amplo lote.

É que, pela sua importância e pelas expectativas geradas, trata-se de uma promessa eleitoral que, para bem de tudo e todos, desde a cidade ao concelho, passando pela população activa e pela economia regional, exije-se que seja mesmo cumprida, sem admissão de qualquer desculpa. Se tal não viesse a acontecer, quem a fez ficaria sem qualquer tipo de margem para continuar sentado na cadeira que ainda ocupa.

2006-05-06

GOVERNO FORTE COM OS MAIS FRACOS

NOTÍCIAS QUE RENDEM... DE CONCRETO NADA: uma verdadeira novela!

Já perdi a conta ao número de vezes que tropecei nesta notícia ao longo do último ano e meio, sempre veículada no mesmo sentido: vai começar, está quase, vamos ter, vai ser a maior, esperam-se muitos postos de trabalho ...
Na semana passada, nova volta do assunto aos jornais. Na prática, nada se concretizou ainda até agora. Nesta matéria, Guterres era mais habilidoso: vinha cá ao Alentejo enterrar a primeira pedra de uma nova fábrica de papel que substituiria a que se previa ser "afogada" por Alqueva, para as televisões filmarem a propaganda, que sempre ganhava uns votos, como se veio a verificar. O resultado no entanto, era o mesmo: passava tanto tempo sobre o lançamento da primeira pedra que quando os Governos seguintes iniciavam a obra que nunca tinha chegado a começar, já ninguém se lembrava do local onde estava a primeira pedra enterrada.
Com as centrais fotovoltaicas e parques solares do Baixo Alentejo parece acontecer a mesma coisa. Nem a pressão da escalada de preços do petróleo parece motivar o Governo a acelerar a procura de diminuição da dependência energética face àquela fonte. Antes temos mesmo assistido a notícias contraditórias, nomeadamente da falta de recursos financeiros do Governo para o apoio que tem vindo a fazer render na comunicação social, mas que na prática tem sido zero, até ao momento.
No início de 2005:

Em meados de Outubro de 2005:

No final do mês, a coisa sofreu novo impulso, com o compromisso de que se iniciaria efectivamente até final do ano de 2005:

Entretanto, não muito longe, logo desde Agosto de 2005, a novela era idêntica:

CONTRIBUTOS DO GOVERNO PARA O NOSSO EMPOBRECIMENTO

Ao que parece, os contributos do Governo para aumentar as dificuldades quotidianas das famílias portuguesas, ainda não terminaram.
Espera-se mais um aumento do ISP (Imposto Sobre Produtos Petrolíferos) em Junho, conduzindo a mais um aumento dos combustíveis pela via dos impostos, aqueles que o Governo prometeu durante a campanha eleitoral não aumentar.
Trata-se do segundo aumento o ISP (um imposto) só neste ano, como se não chegasse já o constante aumento do preço de referência dos mercados internacionais sobre a matéria-prima.
Por isso o PS fez poucas promessas em campanha eleitoral: das raras promessas feitas, é o que se vê ...

2006-04-21

TÍTULOS PERIGOSOS! Alguém devia já ter clarificado ...

O défice de qualificação da nossa população activa é bem conhecido de todos: bastante superior ao dos restantes países da UE e da OCDE, tal como atestam as estatísticas periódicas dos mesmos. Perante tal evidência consensualizada, como é possível que se permita que a comunicação social interprete abusivamente (isto é, oportunamente do ponto de vista comunicacional) as conclusões de um estudo sobre os resultados da formação profissional em termos de empregabilidade, sem que alguém venha a terreno esclarecer como estão erradas a induções construídas a partir de conclusões telegráficas?
Tenho dificuldade em aceitar como supostamente verdadeiros (porque publicamente apresentados e não contestados) os títulos de notícias que levam os jovens, adultos, empregados e desempregados deste país a julgar que não vale a pena apostar no aumento das suas qualificações, quando sabemos que:
  • O desemprego continua ainda assim a afectar mais os que se situam nos escalões mais baixos de qualificação;
  • Os detentores de qualificações dos níveis superiores tendem a estar menos tempo na situação de desemprego, aproveitando mais facilmente as oportunidades induzidas pelos ciclos de recuperação da economia.

É muito perigoso permitir (passivamente) fazer crer que, em Portugal, a formação profissional não garante emprego e que é inútil para quem a frequenta, nomeadamente na óptica da procura de emprego e da redução do tempo de permanência no desemprego.

Por dever de consciência, permito-me fazer aqui um exercício hipoteticamente explicativo dos resultados brutos do estudo, os quais ampliaram (não correctamente) vários órgãos de comunicaçao social, tendo em conta que se trata apenas de um exercício explicativo, sujeito a contestação séria e fundamentada (não em conversa de seminários para preencher curriculum, em títulos académicos para progressão na carreira ou idiotice politiqueira). À séria mesmo.

O perfil do formando-tipo do estudo revela um público adulto e feminino, que vive acima do Tejo (povoamento urbano e certamente metropolitano), a que se deve juntar o facto de deterem qualificações ao nível do ensino superior, de onde decorrem várias hipóteses de explicação do desajustamento entre a formação recebida a (falta) empregabilidade imediata:

  • São adultos os ex-formandos porque terminam as licenciaturas e mestrados cada vez mais tarde (porque os fazem de seguida), sendo mais tardia a sua entrada no mercado de trabalho;
  • Muita da formação de base (ministrada pelo IEFP) aos casos em que o inquérito revela dificuldades de inserção no mercado de trabalho foi dirigida a este tipo de públicos ao abrigo dos programas Fordesq e FAQ (Formação de Activos Qualificados);
  • São as mulheres que mais frequentam as licenciaturas que maiores excedentes têm gerado no mercado de trabalho (ciências sociais e humanas, direito, …), com proporções cada vez maiores face aos homens (entre 60% a 70%);
  • Uma boa fatia deste tipo de público é portador de licenciaturas via ensino (daí a resposta de que a formação recebida não tenha contribuído em nada para encontrarem emprego), que foram obrigados(as) a frequentar uma formação cuja filosofia foi à partida mal definida (numa lógica de reconversão de qualificações longas para outras profissões, em pouco tempo, sem resultados, como pode comprovar-se em boa parte dos casos, nomeadamente no caso dos públicos apetrechados com formação para ensino);
  • A formação dirigida a licenciados desempregados foi sempre mal encarada pelos seus destinatários e apenas legitimada nos casos em que os mesmos estavam a receber subsídio de desemprego (obrigados a ir para a formação). Como o subsídio de desemprego tinha sido conseguido há pouco tempo e como a formação profissional suspende o subsídio de desemprego sem queimar o tempo atribuído inicialmente, finda a mesma formação, foi retomado o subsídio pelos destinatários, até ao final, sem perigo de o perderem em consequência de oferta de emprego compatível (a qual apenas se aplica no caso de docência, situação que não aconteceu até aos novos concursos de ingresso no Ministério da Educação);
  • A falta de experiência dos recém-licenciados também não ajuda a, num momento de recessão do mercado de trabalho, encontrar emprego, mesmo que seja depois de frequentar formação profissional que não era complementar, como se viu atrás (apesar de adultos, muitos são candidatos a primeiro emprego ou pouco mais que isso: pouca experiência de trabalho e, quando tal acontece é na área do ensino, o que não é relevante para o mercado de trabalho, ele próprio também cada vez menos empregador de forma estável – esta é uma variável não clarificada suficientemente aqui, continuando a falar-se em emprego e não em trabalho, desprezando coisas como a empregabilidade por conta própria, que deveria traduzir expressões mais notórias do que acontece, confirmando mais uma vez o peso das licenciaturas de via ensino);
  • Como a frequência de formação para encontrar emprego era a principal motivação, segundo o estudo, perante o desajustamento existente entre a oferta e produção do sistema de ensino superior e do mercado de trabalho, há uma maior incidência do tipo de resposta que procura estabelecer a relação de causa-efeito entre a formação e a empregabilidade;
  • Há um grande acomodamento e fraca propensão à mobilidade geográfica (a falta de emprego na área de residência é apontada como dificuldade de empregabilidade por 28%), a que se pode juntar a falta de experiência (dificuldade apontada por 13%), os quais, somados, são muito mais importantes e justificativos (41%) do que a falta de emprego na área do curso, confirmando em parte algumas das hipóteses aqui avançadas para explicar a situação;

Daqui decorre que a formação avaliada não coincide totalmente com a que é ministrada regularmente nos Centros de Formação Profissional do IEFP, de carácter técnico, em estreita cooperação com o tecido empresarial, dirigida a áreas de identificada carência no mercado de trabalho e com elevado grau de empregabilidade. Os resultados menos positivos do estudo referem-se precisamente às áreas profissionais em que a formação ministrada é mais curta, mais ligeira e menos qualificante de base.

Tal não significa que ensinamentos não haja a retirar para incrementar níveis de eficácia da oferta formativa do IEFP, nomeadamente no que respeita a uma aposta de maior incidência na informação e orientaçao profissional aos jovens do ensino secundário, mais orientada pelas perspectivas de empregabilidade futura (oferta de trabalho pelo mercado) do que pela rejeição da matemática enquanto provocadora de insucessos.

No que toca aos que já estão qualificados, afigura-se por enquanto válida a máxima de que não há licenciados a mais mas sim um crescente desfasamento entre a oferta de cursos e a oferta de trabalho, o que , como é sabido, não é da responsabilidade do IEFP, mas sim das Universidades, cuja autonomia tanto reivindicaram: é altura de mostrarem e assumirem o significado de tal terminologia e entendimento.

2006-04-19

E A MODA ...? E OS AVIÕES ...?

A notícia é preocupante, havendo que pedir à CME explicações sobre as medidas tomadas para antecipação da situação, com vista a acautelar impactes negativos de outros tempos sobre o mercado de trabalho concelhio e regional, como aconteceu aquando do encerramento de outras fábricas do ramo, no concelho de Évora, em meados da década de 90.
Tais explicações nem deveriam ser solicitadas mas sim voluntária e antecipadamente fornecidas pela CME, tendo em conta que o actual Presidente da mesma gastou, no anterior mandato, bastante dinheiro a tentar cumprir a promessa eleitoral de criar em Évora um forte e inovador "cluster" da moda e do "design" pelo que será de esperar ouvir que o retorno do investimento tenha atingido um elevado valor, única situação que limpará de vez a arrastada desconfiança de que se tenha tratado apenas de promoção pessoal, partidária e eleitoral.
Nesse sentido, há que solicitar à CME informações sobre quais as alternativas criadas para diminuir os efeitos induzidos pela quebra de emprego das fábricas têxteis do concelho, permitindo a absorção de postos de trabalho libertos neste sector: será que a esperança continua voltada para os aviões, dos quais nunca mais se ouviu falar (a não ser para os lados de Beja)?
É a isto que chamam "cidade inteligente", sustentando o seu crescimento num "marketing territorial" que atrai recursos humanos, financeiros e de investimento? Tenho muita dificuldade em perceber essa qualificação de "inteligente"....

E A PROPOSTA DE COMEÇAR A POUPAR EM CASA?

O diagnóstico já todos conhecem sobejamente, pela repetição da cassete do Banco de Portugal e do Governo (curiosamente agora da mesma cor, para acertarem as ilusões que nos transmitem).
O que precisamos de descobrir é a forma de ultrapassar a situação, criada em boa parte pelas reformas milionárias do Banco de Portugal.

Ora, sabendo isso, o Banco de Portugal bem poderia ter começado por propor ao Governo um significativo corte das reformas dos seus (e de outros) funcionários públicos, acompanhada da fusão dos dois principais sub-sistemas de aposentação em Portugal.

Dessa forma evitaria a tentação do Governo para acelerar a transição para uma nova fórmula de cálculo de pensões do regime geral da segurança social (já de si prejudicadas face à Caixa Geral de Aposentações), vergonhosamente justificada com a ameaça de falência do sistema.

E a CGA não corre risco de falência? Então porque não se travam as reformas milionárias? A coragem e o peito cheio do PM é só para os mais fracos?

2006-04-17

ANIMAÇÃO TURÍSTICA

Exemplo de animação do Centro Histórico em Santiago de Compostela, contrastante com outras cidades cujo casco urbano com valor turístico é um autêntico deserto, especialmente de ideias que estimulem a ligação entre a marca história que neles se respira e o anseio do visitante em soltar a sua imaginação recriativa.

Tal como Évora, Santiago de Compostela é Património da Humanidade. A única semelhança, pois tudo o resto é um fosso enorme entre um Centro Histórico que se sente vivo por lá e uma morte lenta por cá.

Mas, o pior ainda está para vir... na minha opinião. As lojas novas do MODERNO FORUM (triste povo este cuja modernidade é simbolicamente vista no consumo e não nas ideais que contribuam para a definição e construção de um melhor futuro para os locais onde vivem).

Já agora, uma pergunta para quem saiba responder: quantas lojas novas estão prontas a abrir neste momento em Évora, espalhadas por toda a cidade (Centro Histórico e bairros)? Vai um palpite? Quem aposta no número 150? Quantas estão realmente abertas e a funcionar? Não aposto: a Associação Comercial de Évora ou a Câmara Municipal acertarão certamente... ou então, já não digo nada sobre o assunto.

Não se trata de nenhum engano esta confusão entre a animação turística do Centro Histórico eborense (melhor dizendo, a falta dela) e as ameaças que pairam sobre o comércio local que parece distraído (não se percebe porquê, já que as queixas de falta de clientes é constante, pelo que deveriam ter mais reflexão produzida quanto ao seu futuro). Tenho a certeza que não serão estes últimos apanhados desprevenidos quanto às consequências a médio e longo prazo induzidas pelas mudanças que têm vindo a acompanhar, de uma forma que acredito consciente e responsável.

É a animação que temos, pobre, medíocre... É o que merecemos?

Há mais vida para além do fatalismo. Haja protagonistas determinados e empenhados na valorização e promoção de Évora em vez de políticos actores, sejam da moda ou de novelas: para o bem de Évora...

2006-04-12

QUE ANIMAÇÃO PARA O TEMPLO ROMANO DE ÉVORA?

Imagem do Templo de Diana (Em Mérida, Espanha, com animação, como é aliás hábito em vários dos monumentos romanos daquela cidade aqui bem perto de Évora).
A questão não é nova mas continua actual: a animação turística de Évora é pouco mais que zero, se quizermos ser simpáticos em relação à matéria. Sim, porque, a tradicional e gasta desculpa do Presidente da Câmara Municipal de Évora sobre o retorno do contributo pago à Região de Turismo, não colhe aqui, por várias razões.
Se tal desculpa pode ser aceite no que se refere à sinalização turística (uma debilidade da cidade e do concelho que pode ser comprovada no coração da cidade, junto ao templo romano e em vários outros pontos de interesse turístico), não pode a mesma ser aceite no caso da animação, cuja responsabilidade é exclusiva da CME, cujo desempenho tem deixado muito a desejar.
Tomemos como parâmetro a cidade de Mérida, não muito longe deste local e com muitas semelhanças em termos patrimoniais: veja-se como vários do seus monumentos são objecto de animação permanente ao longo de todo o ano!
Ateste-se o caso do Templo de Diana ali situado, com animação retratada aqui (foto retirada do jornal "Hoy", Diário da Extremadura), por comparação ao Templo Romano de Évora (cuja animação mais aproximada - porque nas proximidades - que lhe é conhecida é o - finalmente extinto - ÉvoraModa).
Ter ovos e não saber cozinhar, nem sequer coisas simples, é triste, ... para Évora

2006-04-02

INSACIÁVEL

UM FRAQUINHO POR NOVELAS...

A notícia publicada na edição de hoje do jornal "Público" confirma que desde que o PS se instalou na Câmara Municipal de Évora, as novelas abundam na cidade. Quando não há filmagens da TVI, o Presidente e os Vereadores encarregam-se de dar um contributo local, alimentando a frequência da série.