De qualquer das forma, mesmo que exercida pressão junto do actual Governo socialista, pela Câmara Municipal de Évora (que recebeu recomendação da Assembleia Municipal, para o efeito, em Fevereiro de 2002), não parece igualmente que a mesma possa vir a obter resultados positivos quanto ao IP2, dado o nível de desprezo e abandono dedicados pelo Governo ao executivo socialista naquela autarquia, mais que gritantes logo durante toda a campanha eleitoral autárquica de 2005.
Neste sentido e, em consequência, só resta uma solução de arrojo, por parte da AME (Assembleia Municipal de Évora), substituindo-se à CME nesta tarefa de defesa dos interesses do município.À semelhança do que fizeram os autarcas do Alentejo Litoral há alguns tempos: a realização de um dos seus plenários em pleno traçado do IP2 por concluir (poderia ser no cruzamento de S. Manços), como forma de chamar a atenção do Governo para a necessidade de terminar uma obra que se encontra interrompida há 10 anos e que esteve inscrita no PIDDAC de 2005 pelo anterior Governo.
A não ser que os socialistas presentes nos órgãos autárquicos eborenses sejam mais dedicados e sumissos ao Governo e ao partido, que aos interesses da população e do concelho de Évora, que prometeram defender. Não seria a primeira vez, nem será certamente a última...
Repare-se na segurança das afirmações produzidas, na certeza quanto aos cumprimentos dos prazos anunciados e na convicção das informações relatadas.
Em parte alguma das notícias que vinham a público diariamente se referia qualquer eventual previsão de contratempo ou atraso relacionados com a angariação de recursos financeiros, captação de investidores, ou concorrência de outras cidades alentejanas: a criação de uma fileira aeronáutica em Évora foi dada como certa à população pela Câmara Municipal de Évora directamente e via comunicação social.

Um ano depois, os eborenses observam como continuam limpos os céus da cidade e dão-se conta que as notícias mudaram o tom de euforia e de certeza inabalável quanto ao famigerado investimento. Afinal, a fileira aeronáutica dificilmente pode estender-se de Évora a Beja e uma das cidades ficará a ganhar, em função das condições de que disponha à partida e de outras que esteja e pretenda estar em condições de assegurar no futuro.
Certo é que, um ano depois das promessas miraculosas do Presidente da Câmara de Évora durante a campanha eleitoral, as coisas não parecem estar a andar, pelos menos ao ritmo que foi anunciado.
Pior ainda é que, a julgar pelas notícias que vão surgindo nos órgãos de comunicação social, o cepticismo quanto à localização do projecto, no Alentejo, vai crescendo entre os eborenses, alguns dos quais não esperarão mais do que o final deste ano de 2006 para cobrar mais uma promessa eleitoral ao Presidente da Câmara de Évora, que acrescentará substancialmente o já agora amplo lote.
É que, pela sua importância e pelas expectativas geradas, trata-se de uma promessa eleitoral que, para bem de tudo e todos, desde a cidade ao concelho, passando pela população activa e pela economia regional, exije-se que seja mesmo cumprida, sem admissão de qualquer desculpa. Se tal não viesse a acontecer, quem a fez ficaria sem qualquer tipo de margem para continuar sentado na cadeira que ainda ocupa.


Em meados de Outubro de 2005:

No final do mês, a coisa sofreu novo impulso, com o compromisso de que se iniciaria efectivamente até final do ano de 2005:

Entretanto, não muito longe, logo desde Agosto de 2005, a novela era idêntica:
O défice de qualificação da nossa população activa é bem conhecido de todos: bastante superior ao dos restantes países da UE e da OCDE, tal como atestam as estatísticas periódicas dos mesmos.
Perante tal evidência consensualizada, como é possível que se permita que a comunicação social interprete abusivamente (isto é, oportunamente do ponto de vista comunicacional) as conclusões de um estudo sobre os resultados da formação profissional em termos de empregabilidade, sem que alguém venha a terreno esclarecer como estão erradas a induções construídas a partir de conclusões telegráficas?É muito perigoso permitir (passivamente) fazer crer que, em Portugal, a formação profissional não garante emprego e que é inútil para quem a frequenta, nomeadamente na óptica da procura de emprego e da redução do tempo de permanência no desemprego.
Por dever de consciência, permito-me fazer aqui um exercício hipoteticamente explicativo dos resultados brutos do estudo, os quais ampliaram (não correctamente) vários órgãos de comunicaçao social, tendo em conta que se trata apenas de um exercício explicativo, sujeito a contestação séria e fundamentada (não em conversa de seminários para preencher curriculum, em títulos académicos para progressão na carreira ou idiotice politiqueira). À séria mesmo.
O perfil do formando-tipo do estudo revela um público adulto e feminino, que vive acima do Tejo (povoamento urbano e certamente metropolitano), a que se deve juntar o facto de deterem qualificações ao nível do ensino superior, de onde decorrem várias hipóteses de explicação do desajustamento entre a formação recebida a (falta) empregabilidade imediata:
Daqui decorre que a formação avaliada não coincide totalmente com a que é ministrada regularmente nos Centros de Formação Profissional do IEFP, de carácter técnico, em estreita cooperação com o tecido empresarial, dirigida a áreas de identificada carência no mercado de trabalho e com elevado grau de empregabilidade. Os resultados menos positivos do estudo referem-se precisamente às áreas profissionais em que a formação ministrada é mais curta, mais ligeira e menos qualificante de base.
Tal não significa que ensinamentos não haja a retirar para incrementar níveis de eficácia da oferta formativa do IEFP, nomeadamente no que respeita a uma aposta de maior incidência na informação e orientaçao profissional aos jovens do ensino secundário, mais orientada pelas perspectivas de empregabilidade futura (oferta de trabalho pelo mercado) do que pela rejeição da matemática enquanto provocadora de insucessos.
No que toca aos que já estão qualificados, afigura-se por enquanto válida a máxima de que não há licenciados a mais mas sim um crescente desfasamento entre a oferta de cursos e a oferta de trabalho, o que , como é sabido, não é da responsabilidade do IEFP, mas sim das Universidades, cuja autonomia tanto reivindicaram: é altura de mostrarem e assumirem o significado de tal terminologia e entendimento.
A notícia é preocupante, havendo que pedir à CME explicações sobre as medidas tomadas para antecipação da situação, com vista a acautelar impactes negativos de outros tempos sobre o mercado de trabalho concelhio e regional, como aconteceu aquando do encerramento de outras fábricas do ramo, no concelho de Évora, em meados da década de 90.
Ora, sabendo isso, o Banco de Portugal bem poderia ter começado por propor ao Governo um significativo corte das reformas dos seus (e de outros) funcionários públicos, acompanhada da fusão dos dois principais sub-sistemas de aposentação em Portugal.

Dessa forma evitaria a tentação do Governo para acelerar a transição para uma nova fórmula de cálculo de pensões do regime geral da segurança social (já de si prejudicadas face à Caixa Geral de Aposentações), vergonhosamente justificada com a ameaça de falência do sistema.
E a CGA não corre risco de falência? Então porque não se travam as reformas milionárias? A coragem e o peito cheio do PM é só para os mais fracos?
Exemplo de animação do Centro Histórico em Santiago de Compostela, contrastante com outras cidades cujo casco urbano com valor turístico é um autêntico deserto, especialmente de ideias que estimulem a ligação entre a marca história que neles se respira e o anseio do visitante em soltar a sua imaginação recriativa.
Tal como Évora, Santiago de Compostela é Património da Humanidade. A única semelhança, pois tudo o resto é um fosso enorme entre um Centro Histórico que se sente vivo por lá e uma morte lenta por cá.
Mas, o pior ainda está para vir... na minha opinião. As lojas novas do MODERNO FORUM (triste povo este cuja modernidade é simbolicamente vista no consumo e não nas ideais que contribuam para a definição e construção de um melhor futuro para os locais onde vivem).
Já agora, uma pergunta para quem saiba responder: quantas lojas novas estão prontas a abrir neste momento em Évora, espalhadas por toda a cidade (Centro Histórico e bairros)? Vai um palpite? Quem aposta no número 150? Quantas estão realmente abertas e a funcionar? Não aposto: a Associação Comercial de Évora ou a Câmara Municipal acertarão certamente... ou então, já não digo nada sobre o assunto.
Não se trata de nenhum engano esta confusão entre a animação turística do Centro Histórico eborense (melhor dizendo, a falta dela) e as ameaças que pairam sobre o comércio local que parece distraído (não se percebe porquê, já que as queixas de falta de clientes é constante, pelo que deveriam ter mais reflexão produzida quanto ao seu futuro). Tenho a certeza que não serão estes últimos apanhados desprevenidos quanto às consequências a médio e longo prazo induzidas pelas mudanças que têm vindo a acompanhar, de uma forma que acredito consciente e responsável.
É a animação que temos, pobre, medíocre... É o que merecemos?
Há mais vida para além do fatalismo. Haja protagonistas determinados e empenhados na valorização e promoção de Évora em vez de políticos actores, sejam da moda ou de novelas: para o bem de Évora...
Imagem do Templo de Diana (Em Mérida, Espanha, com animação, como é aliás hábito em vários dos monumentos romanos daquela cidade aqui bem perto de Évora). 


A este artigo de opinião publicado no jornal "Expresso" deste fim-de-semana, aguardam-se reacções de alguns professores, certo de que serão menos ofensivas, em termos pessoais do que as que me dirigiram no Diário do Sul, fruto de vários equívocos nos quais alguns membros da classe teimam em mergulhar:
Seria interessante que a notícia nos desse a conhecer o curriculum profissional da esposa do PM britânico, permitindo-nos avaliar a experiência da advogada de defesa desta causa em situações opostas, isto é, em causas motivadas por impedimentos de uso de vestes ocidentais (imagine-se um simples fato de banho em praias sauditas, iraquianas, iranianas, etc...) em países muçulmanos.