2006-05-07

QUASE UM ANO DEPOIS, NOS CÉUS DE ÉVORA NADA DE NOVO

Quem não se recorda destas notícias, que encheram páginas de jornais regionais, nacionais e de campanha eleitoral de certos partidos políticos há um ano atrás, em pelo verão, antes de os eborenses irem de férias, marcando a agenda para o início da campanha eleitoral para as eleições autárquicas, logo a seguir ao termo das férias de verão?

Repare-se na segurança das afirmações produzidas, na certeza quanto aos cumprimentos dos prazos anunciados e na convicção das informações relatadas. Em parte alguma das notícias que vinham a público diariamente se referia qualquer eventual previsão de contratempo ou atraso relacionados com a angariação de recursos financeiros, captação de investidores, ou concorrência de outras cidades alentejanas: a criação de uma fileira aeronáutica em Évora foi dada como certa à população pela Câmara Municipal de Évora directamente e via comunicação social.

Um ano depois, os eborenses observam como continuam limpos os céus da cidade e dão-se conta que as notícias mudaram o tom de euforia e de certeza inabalável quanto ao famigerado investimento. Afinal, a fileira aeronáutica dificilmente pode estender-se de Évora a Beja e uma das cidades ficará a ganhar, em função das condições de que disponha à partida e de outras que esteja e pretenda estar em condições de assegurar no futuro.

Certo é que, um ano depois das promessas miraculosas do Presidente da Câmara de Évora durante a campanha eleitoral, as coisas não parecem estar a andar, pelos menos ao ritmo que foi anunciado.

Pior ainda é que, a julgar pelas notícias que vão surgindo nos órgãos de comunicação social, o cepticismo quanto à localização do projecto, no Alentejo, vai crescendo entre os eborenses, alguns dos quais não esperarão mais do que o final deste ano de 2006 para cobrar mais uma promessa eleitoral ao Presidente da Câmara de Évora, que acrescentará substancialmente o já agora amplo lote.

É que, pela sua importância e pelas expectativas geradas, trata-se de uma promessa eleitoral que, para bem de tudo e todos, desde a cidade ao concelho, passando pela população activa e pela economia regional, exije-se que seja mesmo cumprida, sem admissão de qualquer desculpa. Se tal não viesse a acontecer, quem a fez ficaria sem qualquer tipo de margem para continuar sentado na cadeira que ainda ocupa.

2006-05-06

GOVERNO FORTE COM OS MAIS FRACOS

NOTÍCIAS QUE RENDEM... DE CONCRETO NADA: uma verdadeira novela!

Já perdi a conta ao número de vezes que tropecei nesta notícia ao longo do último ano e meio, sempre veículada no mesmo sentido: vai começar, está quase, vamos ter, vai ser a maior, esperam-se muitos postos de trabalho ...
Na semana passada, nova volta do assunto aos jornais. Na prática, nada se concretizou ainda até agora. Nesta matéria, Guterres era mais habilidoso: vinha cá ao Alentejo enterrar a primeira pedra de uma nova fábrica de papel que substituiria a que se previa ser "afogada" por Alqueva, para as televisões filmarem a propaganda, que sempre ganhava uns votos, como se veio a verificar. O resultado no entanto, era o mesmo: passava tanto tempo sobre o lançamento da primeira pedra que quando os Governos seguintes iniciavam a obra que nunca tinha chegado a começar, já ninguém se lembrava do local onde estava a primeira pedra enterrada.
Com as centrais fotovoltaicas e parques solares do Baixo Alentejo parece acontecer a mesma coisa. Nem a pressão da escalada de preços do petróleo parece motivar o Governo a acelerar a procura de diminuição da dependência energética face àquela fonte. Antes temos mesmo assistido a notícias contraditórias, nomeadamente da falta de recursos financeiros do Governo para o apoio que tem vindo a fazer render na comunicação social, mas que na prática tem sido zero, até ao momento.
No início de 2005:

Em meados de Outubro de 2005:

No final do mês, a coisa sofreu novo impulso, com o compromisso de que se iniciaria efectivamente até final do ano de 2005:

Entretanto, não muito longe, logo desde Agosto de 2005, a novela era idêntica:

CONTRIBUTOS DO GOVERNO PARA O NOSSO EMPOBRECIMENTO

Ao que parece, os contributos do Governo para aumentar as dificuldades quotidianas das famílias portuguesas, ainda não terminaram.
Espera-se mais um aumento do ISP (Imposto Sobre Produtos Petrolíferos) em Junho, conduzindo a mais um aumento dos combustíveis pela via dos impostos, aqueles que o Governo prometeu durante a campanha eleitoral não aumentar.
Trata-se do segundo aumento o ISP (um imposto) só neste ano, como se não chegasse já o constante aumento do preço de referência dos mercados internacionais sobre a matéria-prima.
Por isso o PS fez poucas promessas em campanha eleitoral: das raras promessas feitas, é o que se vê ...

2006-04-21

TÍTULOS PERIGOSOS! Alguém devia já ter clarificado ...

O défice de qualificação da nossa população activa é bem conhecido de todos: bastante superior ao dos restantes países da UE e da OCDE, tal como atestam as estatísticas periódicas dos mesmos. Perante tal evidência consensualizada, como é possível que se permita que a comunicação social interprete abusivamente (isto é, oportunamente do ponto de vista comunicacional) as conclusões de um estudo sobre os resultados da formação profissional em termos de empregabilidade, sem que alguém venha a terreno esclarecer como estão erradas a induções construídas a partir de conclusões telegráficas?
Tenho dificuldade em aceitar como supostamente verdadeiros (porque publicamente apresentados e não contestados) os títulos de notícias que levam os jovens, adultos, empregados e desempregados deste país a julgar que não vale a pena apostar no aumento das suas qualificações, quando sabemos que:
  • O desemprego continua ainda assim a afectar mais os que se situam nos escalões mais baixos de qualificação;
  • Os detentores de qualificações dos níveis superiores tendem a estar menos tempo na situação de desemprego, aproveitando mais facilmente as oportunidades induzidas pelos ciclos de recuperação da economia.

É muito perigoso permitir (passivamente) fazer crer que, em Portugal, a formação profissional não garante emprego e que é inútil para quem a frequenta, nomeadamente na óptica da procura de emprego e da redução do tempo de permanência no desemprego.

Por dever de consciência, permito-me fazer aqui um exercício hipoteticamente explicativo dos resultados brutos do estudo, os quais ampliaram (não correctamente) vários órgãos de comunicaçao social, tendo em conta que se trata apenas de um exercício explicativo, sujeito a contestação séria e fundamentada (não em conversa de seminários para preencher curriculum, em títulos académicos para progressão na carreira ou idiotice politiqueira). À séria mesmo.

O perfil do formando-tipo do estudo revela um público adulto e feminino, que vive acima do Tejo (povoamento urbano e certamente metropolitano), a que se deve juntar o facto de deterem qualificações ao nível do ensino superior, de onde decorrem várias hipóteses de explicação do desajustamento entre a formação recebida a (falta) empregabilidade imediata:

  • São adultos os ex-formandos porque terminam as licenciaturas e mestrados cada vez mais tarde (porque os fazem de seguida), sendo mais tardia a sua entrada no mercado de trabalho;
  • Muita da formação de base (ministrada pelo IEFP) aos casos em que o inquérito revela dificuldades de inserção no mercado de trabalho foi dirigida a este tipo de públicos ao abrigo dos programas Fordesq e FAQ (Formação de Activos Qualificados);
  • São as mulheres que mais frequentam as licenciaturas que maiores excedentes têm gerado no mercado de trabalho (ciências sociais e humanas, direito, …), com proporções cada vez maiores face aos homens (entre 60% a 70%);
  • Uma boa fatia deste tipo de público é portador de licenciaturas via ensino (daí a resposta de que a formação recebida não tenha contribuído em nada para encontrarem emprego), que foram obrigados(as) a frequentar uma formação cuja filosofia foi à partida mal definida (numa lógica de reconversão de qualificações longas para outras profissões, em pouco tempo, sem resultados, como pode comprovar-se em boa parte dos casos, nomeadamente no caso dos públicos apetrechados com formação para ensino);
  • A formação dirigida a licenciados desempregados foi sempre mal encarada pelos seus destinatários e apenas legitimada nos casos em que os mesmos estavam a receber subsídio de desemprego (obrigados a ir para a formação). Como o subsídio de desemprego tinha sido conseguido há pouco tempo e como a formação profissional suspende o subsídio de desemprego sem queimar o tempo atribuído inicialmente, finda a mesma formação, foi retomado o subsídio pelos destinatários, até ao final, sem perigo de o perderem em consequência de oferta de emprego compatível (a qual apenas se aplica no caso de docência, situação que não aconteceu até aos novos concursos de ingresso no Ministério da Educação);
  • A falta de experiência dos recém-licenciados também não ajuda a, num momento de recessão do mercado de trabalho, encontrar emprego, mesmo que seja depois de frequentar formação profissional que não era complementar, como se viu atrás (apesar de adultos, muitos são candidatos a primeiro emprego ou pouco mais que isso: pouca experiência de trabalho e, quando tal acontece é na área do ensino, o que não é relevante para o mercado de trabalho, ele próprio também cada vez menos empregador de forma estável – esta é uma variável não clarificada suficientemente aqui, continuando a falar-se em emprego e não em trabalho, desprezando coisas como a empregabilidade por conta própria, que deveria traduzir expressões mais notórias do que acontece, confirmando mais uma vez o peso das licenciaturas de via ensino);
  • Como a frequência de formação para encontrar emprego era a principal motivação, segundo o estudo, perante o desajustamento existente entre a oferta e produção do sistema de ensino superior e do mercado de trabalho, há uma maior incidência do tipo de resposta que procura estabelecer a relação de causa-efeito entre a formação e a empregabilidade;
  • Há um grande acomodamento e fraca propensão à mobilidade geográfica (a falta de emprego na área de residência é apontada como dificuldade de empregabilidade por 28%), a que se pode juntar a falta de experiência (dificuldade apontada por 13%), os quais, somados, são muito mais importantes e justificativos (41%) do que a falta de emprego na área do curso, confirmando em parte algumas das hipóteses aqui avançadas para explicar a situação;

Daqui decorre que a formação avaliada não coincide totalmente com a que é ministrada regularmente nos Centros de Formação Profissional do IEFP, de carácter técnico, em estreita cooperação com o tecido empresarial, dirigida a áreas de identificada carência no mercado de trabalho e com elevado grau de empregabilidade. Os resultados menos positivos do estudo referem-se precisamente às áreas profissionais em que a formação ministrada é mais curta, mais ligeira e menos qualificante de base.

Tal não significa que ensinamentos não haja a retirar para incrementar níveis de eficácia da oferta formativa do IEFP, nomeadamente no que respeita a uma aposta de maior incidência na informação e orientaçao profissional aos jovens do ensino secundário, mais orientada pelas perspectivas de empregabilidade futura (oferta de trabalho pelo mercado) do que pela rejeição da matemática enquanto provocadora de insucessos.

No que toca aos que já estão qualificados, afigura-se por enquanto válida a máxima de que não há licenciados a mais mas sim um crescente desfasamento entre a oferta de cursos e a oferta de trabalho, o que , como é sabido, não é da responsabilidade do IEFP, mas sim das Universidades, cuja autonomia tanto reivindicaram: é altura de mostrarem e assumirem o significado de tal terminologia e entendimento.

2006-04-19

E A MODA ...? E OS AVIÕES ...?

A notícia é preocupante, havendo que pedir à CME explicações sobre as medidas tomadas para antecipação da situação, com vista a acautelar impactes negativos de outros tempos sobre o mercado de trabalho concelhio e regional, como aconteceu aquando do encerramento de outras fábricas do ramo, no concelho de Évora, em meados da década de 90.
Tais explicações nem deveriam ser solicitadas mas sim voluntária e antecipadamente fornecidas pela CME, tendo em conta que o actual Presidente da mesma gastou, no anterior mandato, bastante dinheiro a tentar cumprir a promessa eleitoral de criar em Évora um forte e inovador "cluster" da moda e do "design" pelo que será de esperar ouvir que o retorno do investimento tenha atingido um elevado valor, única situação que limpará de vez a arrastada desconfiança de que se tenha tratado apenas de promoção pessoal, partidária e eleitoral.
Nesse sentido, há que solicitar à CME informações sobre quais as alternativas criadas para diminuir os efeitos induzidos pela quebra de emprego das fábricas têxteis do concelho, permitindo a absorção de postos de trabalho libertos neste sector: será que a esperança continua voltada para os aviões, dos quais nunca mais se ouviu falar (a não ser para os lados de Beja)?
É a isto que chamam "cidade inteligente", sustentando o seu crescimento num "marketing territorial" que atrai recursos humanos, financeiros e de investimento? Tenho muita dificuldade em perceber essa qualificação de "inteligente"....

E A PROPOSTA DE COMEÇAR A POUPAR EM CASA?

O diagnóstico já todos conhecem sobejamente, pela repetição da cassete do Banco de Portugal e do Governo (curiosamente agora da mesma cor, para acertarem as ilusões que nos transmitem).
O que precisamos de descobrir é a forma de ultrapassar a situação, criada em boa parte pelas reformas milionárias do Banco de Portugal.

Ora, sabendo isso, o Banco de Portugal bem poderia ter começado por propor ao Governo um significativo corte das reformas dos seus (e de outros) funcionários públicos, acompanhada da fusão dos dois principais sub-sistemas de aposentação em Portugal.

Dessa forma evitaria a tentação do Governo para acelerar a transição para uma nova fórmula de cálculo de pensões do regime geral da segurança social (já de si prejudicadas face à Caixa Geral de Aposentações), vergonhosamente justificada com a ameaça de falência do sistema.

E a CGA não corre risco de falência? Então porque não se travam as reformas milionárias? A coragem e o peito cheio do PM é só para os mais fracos?

2006-04-17

ANIMAÇÃO TURÍSTICA

Exemplo de animação do Centro Histórico em Santiago de Compostela, contrastante com outras cidades cujo casco urbano com valor turístico é um autêntico deserto, especialmente de ideias que estimulem a ligação entre a marca história que neles se respira e o anseio do visitante em soltar a sua imaginação recriativa.

Tal como Évora, Santiago de Compostela é Património da Humanidade. A única semelhança, pois tudo o resto é um fosso enorme entre um Centro Histórico que se sente vivo por lá e uma morte lenta por cá.

Mas, o pior ainda está para vir... na minha opinião. As lojas novas do MODERNO FORUM (triste povo este cuja modernidade é simbolicamente vista no consumo e não nas ideais que contribuam para a definição e construção de um melhor futuro para os locais onde vivem).

Já agora, uma pergunta para quem saiba responder: quantas lojas novas estão prontas a abrir neste momento em Évora, espalhadas por toda a cidade (Centro Histórico e bairros)? Vai um palpite? Quem aposta no número 150? Quantas estão realmente abertas e a funcionar? Não aposto: a Associação Comercial de Évora ou a Câmara Municipal acertarão certamente... ou então, já não digo nada sobre o assunto.

Não se trata de nenhum engano esta confusão entre a animação turística do Centro Histórico eborense (melhor dizendo, a falta dela) e as ameaças que pairam sobre o comércio local que parece distraído (não se percebe porquê, já que as queixas de falta de clientes é constante, pelo que deveriam ter mais reflexão produzida quanto ao seu futuro). Tenho a certeza que não serão estes últimos apanhados desprevenidos quanto às consequências a médio e longo prazo induzidas pelas mudanças que têm vindo a acompanhar, de uma forma que acredito consciente e responsável.

É a animação que temos, pobre, medíocre... É o que merecemos?

Há mais vida para além do fatalismo. Haja protagonistas determinados e empenhados na valorização e promoção de Évora em vez de políticos actores, sejam da moda ou de novelas: para o bem de Évora...

2006-04-12

QUE ANIMAÇÃO PARA O TEMPLO ROMANO DE ÉVORA?

Imagem do Templo de Diana (Em Mérida, Espanha, com animação, como é aliás hábito em vários dos monumentos romanos daquela cidade aqui bem perto de Évora).
A questão não é nova mas continua actual: a animação turística de Évora é pouco mais que zero, se quizermos ser simpáticos em relação à matéria. Sim, porque, a tradicional e gasta desculpa do Presidente da Câmara Municipal de Évora sobre o retorno do contributo pago à Região de Turismo, não colhe aqui, por várias razões.
Se tal desculpa pode ser aceite no que se refere à sinalização turística (uma debilidade da cidade e do concelho que pode ser comprovada no coração da cidade, junto ao templo romano e em vários outros pontos de interesse turístico), não pode a mesma ser aceite no caso da animação, cuja responsabilidade é exclusiva da CME, cujo desempenho tem deixado muito a desejar.
Tomemos como parâmetro a cidade de Mérida, não muito longe deste local e com muitas semelhanças em termos patrimoniais: veja-se como vários do seus monumentos são objecto de animação permanente ao longo de todo o ano!
Ateste-se o caso do Templo de Diana ali situado, com animação retratada aqui (foto retirada do jornal "Hoy", Diário da Extremadura), por comparação ao Templo Romano de Évora (cuja animação mais aproximada - porque nas proximidades - que lhe é conhecida é o - finalmente extinto - ÉvoraModa).
Ter ovos e não saber cozinhar, nem sequer coisas simples, é triste, ... para Évora

2006-04-02

INSACIÁVEL

UM FRAQUINHO POR NOVELAS...

A notícia publicada na edição de hoje do jornal "Público" confirma que desde que o PS se instalou na Câmara Municipal de Évora, as novelas abundam na cidade. Quando não há filmagens da TVI, o Presidente e os Vereadores encarregam-se de dar um contributo local, alimentando a frequência da série.

2006-03-26

CURIOSIDADE PELAS REACÇÕES DE ALGUNS PROFESSORES

A este artigo de opinião publicado no jornal "Expresso" deste fim-de-semana, aguardam-se reacções de alguns professores, certo de que serão menos ofensivas, em termos pessoais do que as que me dirigiram no Diário do Sul, fruto de vários equívocos nos quais alguns membros da classe teimam em mergulhar:
  • 1º eqívoco: as políticas são definidas pelo Governo, traduzidas em planos de acção e medidas concretas pelos Ministérios, sustentadas em argumentação técnica e científica sempre que possível, seleccionadas por opções políticas. Quem se pronuncia sobre tais decisões, seja como cidadão, como agente ou actor político ou mesmo como membro de classe implicado pelo sistema de forma mais directa, não deverá constituir o alvo a abater pelos que se sentem prejudicados por tais medidas. Quem não o entende, não presta um contributo positivo à suposta defesa dos interesses daqueles em nome de quem se pronuncia;
  • 2º equívoco: quando alguém se debruça sobre este tipo de matérias e decide pronunciar-se sobre elas publicamente, sustentando a sua argumentação no debate das ideias, não merece ser objecto de respostas de natureza pessoal, ofensivas e indignas de quem as corporiza, humilhando muito mais este que o primeiro, pelo carácter agressivo que se lhes coloca. Quem à discussão de ideias responde discutindo coisas mundanas ou, pior ainda, pessoas, desce ao mais baixo nível que se possa admitir em qualquer classe profissional. Quem não o entende, não presta um contributo positivo à suposta defesa dos interesses daqueles em nome de quem se pronuncia;
  • 3º equívoco: quem assume tomar publicamente posição (o contrário da neutralidade indiferente de quem pretende passar pelos intervalos da chuva e parecer sempre bem com todos) sobre as matérias que afectam os modos de vida quotidianos e a nossa organização social, económica ou política, expõe-se publicamente à discordância, à oposição e mesmo, não raro, ao ressentimento de certas pessoas individuais ou colectivamente organizadas que não só não se revêem nas posições expressas como se sentem de certa forma afectados ou ao mesmos ameaçados pelas mesmas. Dada a existência de algum grau de organização colectiva da categoria profissional a que pertençam, tendem a seleccionar, incentivar e investir um dos seus membros mais visíveis e vulneráveis às debilidades que eles mesmos sentem ver expostas, na missão de resposta ao "estranho". Ao desferir o ataque contra o suposto agressor externo, o eleito provoca uma reacção de simpatia momentânea em seu benefício, criando-lhe a ilusão de uma concordância alargada com a sua posição geral no seio da classe, com a sua pessoa ou com as ideias que o mesmo decide não discutir, continuando o substancial das questões anteriormente colocadas, por discutir. Este é outro equívoco. Quem não o entende, não presta um contributo positivo à suposta defesa dos interesses daqueles em nome de quem se pronuncia.

2006-03-25

UMA FALSA QUESTÃO DE RECIPROCIDADE ANEDÓTICA

Seria interessante que a notícia nos desse a conhecer o curriculum profissional da esposa do PM britânico, permitindo-nos avaliar a experiência da advogada de defesa desta causa em situações opostas, isto é, em causas motivadas por impedimentos de uso de vestes ocidentais (imagine-se um simples fato de banho em praias sauditas, iraquianas, iranianas, etc...) em países muçulmanos.
Ou será que não existem advogados (nem ocidentais nem outros) com tais defesas no palmarés curricular, pelo simples facto de a ortodoxia religiosa muçulmana, a ditadura política ou a intolerância social não permitirem que tal alguma vez possa ocorrer, nem mesmo em pensamento?
E nós, ocidentais, temos que aguentar tudo à nossa porta para evitarmos ser acusados de intolerantes? Até mesmo as práticas contrárias à nossa cultura e atentatórias dos direitos humanos?
Chega de hipocrisia de quem ainda se permite acusar o ocidente de alguma coisa mais que ser inacreditavelmente brando...

INFORMAÇÃO ÚTIL PARA ESCOLHAS DE FUTURO!

TAMBÉM VAMOS TER MANIFESTAÇÕES POR CÁ?

ANTIGOS (E ETERNOS) PARADIGMAS DO MERCADO DE TRABALHO PORTUGUÊS

Ao que parece, duas décadas de integração europeia, 3 Quadros Comunitários de Apoio e inúmeros milhões de escudos e Euros, apenas contribuiram para eternizar as antigas contradições do funcionamento do mercado de trabalho português, em vez da sua resolução.

QUE PENA ...

Agora que eu tinha curiosidade em ouvir a explicação do próprio beneficiado ...

2006-03-23

ALGUMA COISA DE NOVO QUE ME ESTEJA A ESCAPAR, OU CONTINUARÁ TUDO NA MESMA?

Reestruturação da Administração Central do Estado >2006-03-24 06:30 Governo mantém número de governadores civis Executivo recusa desta forma a redução do número de governadores civis para cinco.
Afinal, só algumas das recomendações do grupo de trabalho para a reforma da Administração Pública são acatadas pelo Governo, nomeadamente no que toca à extinção de serviços.
A desconfiança que se instalará é que o critério de decisão, pelos vistos, não é o da necessidade dos serviços, da sua eficácia ou da legitimidade da sua missão, mas sim apenas político-partidário, já que dos 18 Governadores Civis, apenas um deles não é militante do PS.

BOA IDEIA PARA COMEÇAR CÁ POR CASA!