Reestruturação da Administração Central do Estado >2006-03-24 06:30 Governo mantém número de governadores civis Executivo recusa desta forma a redução do número de governadores civis para cinco.
Como se pode depreender da notícia, esta avaliação e as punições anunciadas são para os comuns funcionários públicos, aqueles que estão destinados ao sacrifício, a bem da imagem da governação em prol do emagrecimento do Estado pedido por Belmiro e outros séquitos.
Até agora, sempre que os decisores políticos franceses pretendem alterar o seu modelo social, as manifestações de rua têm pesado mais e feito recuar as intenções. O resultado é o adiamento do inevitável e a continuada perda de competitividade da economia francesa e do país, cuja maior perda foi, desde logo, o alicerçamento da globalização na língua inglesa e não na sua.
Já em euforia com sinais tão fracos como o aumento do consumo?
Esperam ser essa a grande sustentação do crescimento económico deste e dos próximos anos em Portugal?
E querem convercer-nos que estamos a criar riqueza e a recuperar terreno na compensação das debilidades produtivas da nossa economia, cada vez mais abalada pelas recentes deslocalizações industriais?
Estamos perante um aumento generalizado da ansiedade, que leva não só a uma posição mais frequente de auto-defesa, de alerta aos sinais, como mesmo de aumento da agressividade para aqueles que questionem as nossas posições ou que julguemos que o possam vir a fazer.
É difícil não perder a esperança no futuro de um país onde há classes profissionais (e são muitas) em que uma parte dos seus elementos se consideram acima da crítica ou da necessidade de prestação de provas sobre o seu desempenho e sobre as suas atitudes.
O debate apresentado na revista do Expresso em torno do tema, reunindo à mesma mesa uma judia, um católico e um muçulmano é revelador, em certas partes cruciais dos testemunhos ali patentes, da intolerância do islão contra o ocidente e daquilo que é, apesar de muitos pretenderem continuar a enterrar a cabeça na areia, um choque de civilizações sem desfecho de consenso à vista.
Um verdadeiro democrata, que ainda assim, consegue obter votos de alguns provincianos carneiristas, cegamente seguidores das orientações partidárias.
Admitindo estar errado, não me recordo de Santana ter criado ou alimentado algum monstro no que toca à máquina administrativa pública.
Os senhores professores fizeram uma greve há pouco tempo, com fundamentos que, apesar de legítimos, serão sempre discutíveis, até porque não poderão considerar-se a si próprios como um classe acima de processos de avaliação que tenham por quadro de refreência os contextos em que a escola e os "agentes do sistema" de educação-formação devem procurar a sua legimitação:Será razoável tal atitude quando os professores conhecem as directivas comunitárias em vigor sobre a necessidade de aumento não só dos anos de vida activa ao nível profissional, bem como o momento que se vive na Alemanha em que várias categorias profissionais aceitam de forma crescente o aumento dos seus horários diários de trabalho sem compensação monetária? A mesma necessidade chegará a Portugal sob pena de, professores e outros funcionários do estado, não conseguirem ver assegurada a sua reforma... Ou haverá ilusões sobre alguma limitação apenas aos trabalhadores do sector privado, precisamente aqueles que contribuem para as remunerações dos funcionários do sector público?
Será defensável esta atitude face aos resultados mais que evidentes da falência (e urgente necessidade de revisão total) do actual modelo educativo, bem como do sistema, o qual muitos gostam de referir ser o único responsável pelos resultados? Não chega já de atribuir sempre as culpas ao sistema e ao seu funcionamento (nunca aos seus principais agentes e actores) como escapatória de diluição da responsabilidade própria?


O sistema funciona mal? Sem dúvida. Proponham os professores alterações, após identificarem qual a quota de responsabilidade que lhes cabe; Mas, por favor, não mandem folhetos para casa dos pais de alunos do 1º ciclo do ensino básico sobre as "14 regras para os pais desrespeitarem", sob pena de os pais devolverem nas costas dos folhetos um número substancialmente maior de regras para os professores cuprirem, que certamente envergonhará alguns professores quando receberem o seu vencimento no final do mês.
Os pais são agora os grandes culpados do mau funcionamento do sistema? Os sindicatos já perderam a capacidade de luta e reivindicação (credível e construtiva) junto dos Governos? Os Governos deixaram de ouvir a "cassete de sempre" que apenas reivindica a defesa de interesses de classe sem preocupações com o facto de os resultados do funcionamento do sistema a que pertencem ser cada vez pior?
É por isso que algumas escolas aconselham agora os pais a não deixarem os seus filhos na escola, sob pena de no dia seguinte os alunos não quererem regressar à mesma? Então quem foi que transformou a escola nessa instituição supostamente (assim considerada por tais professores) como repulsiva? Não foram certamente os pais.
E como se sentiriam, enquanto pais, os professores que recebessem tal folheto em casa? Como eu? E diriam o quê? Nada? Não acredito... sob pena de não contribuirem para a melhoria do funcionamento do sistema a que ambas a categorias pertencem (pais e professores).