2006-03-15

MUDAM-SE OS TEMPOS... E AS REACÇÕES

Algo de estranho se passa nas nossas "pequenas" comunidades do início do século XXI relativamente à década passada, afectando comportamentos e atitudes dos seus actores e agentes, sendo por estes transformadas e alteradas substancialmente na regulação do seu funcionamento pois, onde antes era possível observar a possibilidade e a avidez de discussão de ideias, encontramos hoje indiferença generalizada ou, quando muito, resistências à discussão, arrumando-a o mais rapidamente possível.
Onde antes era possível discutir ideias, discutem-se hoje coisas, banalidades. Onde antes era possível discutir ideias e coisas, discutem-se hoje pessoas, fazem-se ataques pessoais, sem qualquer respeito, responde-se ofensivamente ao mensageiro que não faz parte do nosso grupo de interesse, com o objectivo de fazer esquecer o assunto que esteja no cerne da mensagem.
Não acredito que a idade amoleça, mas acredito que a mesma acarreta o conservadorismo relativamente ao que se conquistou ao longo da vida. Da mesma forma, acredito que mesmo as pequenas comunidades do interior português são hoje marcadas por um maior grau de individualismo e menor solidariedade colectiva, em resultado das ameaças que cada um dos actores sente pairar sobre as circunstâncias que o rodeiam e que procurará evitar que o afectem a ele, tal como já afectam outros à sua volta.
A participação em grupos é mais diversificada mas também mais selectiva e menos livre, sendo maior o número de clubes a que se pertence, do que de grupos propriamente ditos. Em qualquer deles, o seguidismo face à inquestionável doutrina aceite aquando da admissão, é cada vez mais evidente, trocando-se a demissão da participação por protecção na defesa conjunta dos direitos adquiridos e de interesses materiais, que ameaçam esvaír-se.
Estamos perante um aumento generalizado da ansiedade, que leva não só a uma posição mais frequente de auto-defesa, de alerta aos sinais, como mesmo de aumento da agressividade para aqueles que questionem as nossas posições ou que julguemos que o possam vir a fazer.
Sinais dos tempos, com os quais há que contar, justificando a personalização de algumas investidas que noutros tempos não seriam compreensíveis nem justificáveis e que mesmo hoje não têm necessariamente que ser expectáveis.

POVO ESTE QUE NÃO SE GOVERNA NEM SE DEIXA GOVERNAR?

É difícil não perder a esperança no futuro de um país onde há classes profissionais (e são muitas) em que uma parte dos seus elementos se consideram acima da crítica ou da necessidade de prestação de provas sobre o seu desempenho e sobre as suas atitudes.
Pensamentos e atitudes-tipo que é frequente observar numa parte dos seus membros:
  • Que todos os outros tenham que ser submetidos a avaliação de desempenho? Quero lá saber, isso é para a função pública em geral, desde que não seja eu nem os meus colegas, não é matéria que me afecte;
  • Que a idade da reforma tenha que ser aumentada para sustentar o pagamento de reformas futuras de quem ainda trabalha e desconta para a minha reforma que já aí está a chegar? Isso não é para já, pois o que me interessa é que esse aumento não ocorra nos próximos tempos, para que eu me possa reformar rapidamente, porque as reformas dos outros não me interessam;
  • Que a previdência está falida? Quero lá saber, eu sou funcionário do Estado e ele tem que pagar a reforma. Se não chegar para todos, que fiquem os que trabalham para as empresas privadas a arder;
  • Que alguém possa questionar o meu desempenho? Mas quem julgam eles que são? Com que direito? Percebem alguma coisa do assunto? Deveriam perceber que quem me paga é o Estado, não são eles, nem é com os seus impostos;
  • Que todos deve assumir a sua quota parte na falência do sistema e reflectirem sobre o que podem fazer para o melhorar, de forma aberta e aceitando os contributos dos agentes e actores influenciadores do contexto? Não estão a ver bem o assunto: a culpa é dos sucessivos Governos, que só tomam medidas que prejudicam o funcionamento do sistema. Apesar de já terem sido tomadas medidas em todas a direcções e sentidos, não se consegue encontar uma única que não tenha prejudicado o sistema. Por outro lado, há agentes no sistema a quem nunca se poderá atribuir qualquer responsabilidade pelo funcionamento ou resultados do mesmo, porque na verdade, o sistema é assim mesmo, é o sistema e o resto é conversa;
  • Que há pessoas que não se serviram da política nem dela nunca necessitaram para alguma coisa? Não acredito que a malta que anda para aí a levantar a coroa feitos espertos, que alguma vez conseguissem alguma coisa pelos seus próprios meios, não fosse a política. Isso é bom para mim, porque eles são sim uns medíocres que só sabem é dar palpites bacocos sobre o desempenho profissional da minha classe, porque têm inveja de não pertencerem a ela;
  • Que há pessoas que reflectem sobre as coisas de forma desinteressada e são capazes de apoiar medidas e reformas, independentemente de quem as executa, por considerarem a sua justeza e necessidade para o futuro das próximas gerações, da melhoria do sistema e do país? Não acredito, essa malta tem é interesses pessoais e por isso há que tratar de lhes responder com ataques à sua pessoa e à sua vida profissional, para eles aprenderem a ficarem calados, porque o país está farto dessa malta que só atrapalha.
E assim continuará a ser, infelizmente para Portugal

2006-03-12

A ESCOLA GUTERRISTA CONTINUA FIRME ...

Quem não se recorda do último e (pouco)super Ministro de Guterres, chamado Pina Moura (rejeitado pelo PC e nunca aceite no PS, logo, um marginal) que, lendo as estatísticas sobre os jipes que se vendiam em Portugal, decidiu (e sonhou) cobrar uma mão-cheia de impostos. Resultado: no ano seguinte, a venda de jipes desceu até quase ao ponto zero.
A "remake" parece agora em formação, talvez pelo contágio e partilha do mesmo espírito entre o PM e o (já)então desastrado Ministro: foram colegas de escola num Governo que arruinou o futuro da actual e das próximas gerações de portugueses.
A não ser que, e é bastante plausível a hipótese, estejamos perante uma situação de aumento do ISP de forma propositada para diminuir o consumo dos combustíveis fósseis, resolvendo por essa via a dependência energética de Portugal relativamente aos mesmos.
Quanto a mim, era muito mais fácil desbloquear (autorizando) os investimentos (privados) que se pretendem realizar em energia solar no Alentejo e por esse país fora, os quais, para além de contribuirem para tal objectivo, ainda criariam várias centenas ou mesmo milhraes de novos postos de trabalho.
Mas, não parece ser esse o entendimento, vá-se lá perceber porquê? Eu, que não me considero tolo de todo, não entendo, embora reconheça que muita incomparável inteligência que por aí vagueia justificará (ou não) tais opções.

NADA EXPLICA MELHOR A REACÇÃO AOS "CARTOONS":

O debate apresentado na revista do Expresso em torno do tema, reunindo à mesma mesa uma judia, um católico e um muçulmano é revelador, em certas partes cruciais dos testemunhos ali patentes, da intolerância do islão contra o ocidente e daquilo que é, apesar de muitos pretenderem continuar a enterrar a cabeça na areia, um choque de civilizações sem desfecho de consenso à vista.
Apesar de nunca ninguém me ter ouvido até hoje defender o mínimo gesto de intolerância de quaquer religião (incluindo a católica e todas as outras cristãs), reconheço que a posição do islão face ao ocidente, no seio da própria sociedade ocidental, é inaceitável face às suas pretensões de aceitação e respeito que pretendem ver assegurados
Veja-se como o líder religioso da comunidade islâmica em Portugal colocava a questão à mesa da discussão: «E quando partem os vidros das mesquitas em Portugal? Nós não falamos nada. Quando escrevem grafitos nas paredes das mesquitas? Também não falamos nada». Isto quer dizer o quê?
Que são uns bons rapazes aqui na nossa sociedade?
Que nós ainda deveríamos ser mais permissivos e tolerantes com as práticas desviantes deles, às nossas portas?
Que deveremos alterar os nossos modos de vida e os normativos reguladores, por respeito aos que vieram de fora e que nos pretendem impor ploligamias, véus islâmicos e mutilações genitais femininas entre outras coisas supostamente tradicionais das suas comunidades?
Ou, pelo contrário...
Será o reconhecimento de que no ocidente é possível acontecerem todas essas barbaridades intolerantes (como partirem vidros e escreverem nas paredes das mesquitas, coisas que aliás sempre foram frequentes nos locais de culto da igreja católica), pelo facto de elas (mesquitas) existirem e serem permitidas, ao contrário dos países muçulmanos onde a tolerância(sic!) religiosa passa por proibir a existência de qualquer desvio à religião dominante?
Assim, é fácil mostrar como nos países islâmicos, há verdadeira e profunda tolerância... Deste ponto de vista, desde Salazar a Hitler, só encontramos bons rapazes.
Desculpem, mas não há paciência para continuar a "baixar as calças" a esta gente, recebendo em troca um charuto de dinamite aceso. O pessoal do BE que o faça, que as calças são deles.

DESPREZÍVEL ...

Um verdadeiro democrata, que ainda assim, consegue obter votos de alguns provincianos carneiristas, cegamente seguidores das orientações partidárias.
Que arrogância, intolerância e falta de respeito para com a instituição Presidência da República, que ele já representou e a quem nunca Cavaco Silva faltou ao respeito desta forma.
Ou então, o homem está mesmo velho e acabado e não conseguiu aguentar esperar de pé pela sua vez!
Seja como for, que descanse longe o resto dos seus dias, porque deixa poucas saudades a sua proximidade e intromissão na vida política portuguesa.

SÓ 100?

Admitindo estar errado, não me recordo de Santana ter criado ou alimentado algum monstro no que toca à máquina administrativa pública.
Mas, recordo-me do que aconteceu durante os 6 anos de Guterrismo, cuja inércia, incapacidade, irresponsabilidade (o aumento do endividamento das famílias em consequência de uma aposta - improdutiva e empobrecedora - no consumo interno enquanto componente determinante do crescimento económico, com responsabilidades para o actual PM que fez parte e foi fruto nascido nesse denominado "guterrismo", constitui apenas um exemplo), são hoje responsáveis pela dureza de algumas medidas de natureza económica, tal como aconteceu com os Governo de Barroso.
Por isso, estranho que seja anunciada a extinção de apenas 100 organismos da Administração Pública, tendo em conta a proliferação a que assistimos de estruturas de projecto e programas. Ou trata-se de 100 por cada região administrativa do país, onde foram encaixados tantos milhares de boys, que, por suposta falta de verba para "indemnizações" (problema que já não afecta Portugal) se mantiveram no Governo seguinte do PSD, até oa termo das suas comissões de serviço?
E o engordar da base das pirâmides da Administração Pública, com a proliferação de níveis de chefia, diminuindo a dimensão das unidades orgânicas em nome do aumento dos cargos de chefia onde havia que encaixar os angariadores de votos pelo país inteiro?
Eis um dos motivos que me levam a duvidar da coerência da argumentação dos que apoiam a actuação do actual Governo: são os mesmos que antes apoiaram cegamente Guterres e que apenas ousaram levantar a voz quando o mesmo virou costas, a começar pelo PM.

SANTINHO COM PÉS DE BARRO ...

No lugar dele, eu já teria teria procedido a uma profunda e demorada auto-avaliação da isenção (ou não) do desempenho assegurado até agora, a qual resultaria sem dúvida num coerente pedido de demissão. A imagem sairia reforçada, ao contrário desta posição de ingenuidade, como se nunca tivesse tido tempo de pensar sobre os valores e comparações que agora aponta, sobre si mesmo.

CADA DIA, UMA SURPRESA... Desespero por uma só que seja positiva.

AGUARDO ANSIOSO PELO DESMENTIDO!

A bem dos idosos com miseráveis reformas, da (infelizmente) crescente franja de pobres e duma classe média que (ainda) sustesta os Governos irresponsáveis como este (não se sabe até quando, dado o mais que esgotado e insuportável modelo de fiscalidade sobre a mesma), seria um prazer e uma grande satisfação para todos nós, podermos constatar a falência da razão de Marques Mendes. Por mim, não alimento muita esperança nisso...

NOTÍCIA COM TÍTULO INCOMPLETO.

Não fosse uma incompreensível (ou talvez não) arrogância e alienação social e política do PM e a notícia, para ficar completa, no seu título, deveria acrescentar: para pior.

2006-03-09

NÃO É SIMPÁTICO DE DIZER, MAS... A VERDADE É CONHECIDA!

Os senhores professores fizeram uma greve há pouco tempo, com fundamentos que, apesar de legítimos, serão sempre discutíveis, até porque não poderão considerar-se a si próprios como um classe acima de processos de avaliação que tenham por quadro de refreência os contextos em que a escola e os "agentes do sistema" de educação-formação devem procurar a sua legimitação:
  • Que o alargamento da prestação lectiva (em carga horária) prevista os prejudica, sem que tenha sido avançado qualquer outra alternativa à mais que justificável necessidade de maior ocupação dos alunos com actividades extra-escolares, no espaço da escola;
  • Que um professor, no topo da sua carreira, não tão mal remunerado como há duas décadas atrás (no quadro remuneratório da função pública) perdeu as competências adquiridas para desenvolver outras actividades (que não as lectivas) com os alunos. Desconfia-se desde logo que ainda mantenha competências para dar explicações em casa ou que esteja disponível para ministrar formação profissional remunerada pelo FSE no horário que a escola lhe foi reduzindo... Será isso justificável e defensável?

Será razoável tal atitude quando os professores conhecem as directivas comunitárias em vigor sobre a necessidade de aumento não só dos anos de vida activa ao nível profissional, bem como o momento que se vive na Alemanha em que várias categorias profissionais aceitam de forma crescente o aumento dos seus horários diários de trabalho sem compensação monetária? A mesma necessidade chegará a Portugal sob pena de, professores e outros funcionários do estado, não conseguirem ver assegurada a sua reforma... Ou haverá ilusões sobre alguma limitação apenas aos trabalhadores do sector privado, precisamente aqueles que contribuem para as remunerações dos funcionários do sector público?

Será defensável esta atitude face aos resultados mais que evidentes da falência (e urgente necessidade de revisão total) do actual modelo educativo, bem como do sistema, o qual muitos gostam de referir ser o único responsável pelos resultados? Não chega já de atribuir sempre as culpas ao sistema e ao seu funcionamento (nunca aos seus principais agentes e actores) como escapatória de diluição da responsabilidade própria?

O sistema funciona mal? Sem dúvida. Proponham os professores alterações, após identificarem qual a quota de responsabilidade que lhes cabe; Mas, por favor, não mandem folhetos para casa dos pais de alunos do 1º ciclo do ensino básico sobre as "14 regras para os pais desrespeitarem", sob pena de os pais devolverem nas costas dos folhetos um número substancialmente maior de regras para os professores cuprirem, que certamente envergonhará alguns professores quando receberem o seu vencimento no final do mês.

Os pais são agora os grandes culpados do mau funcionamento do sistema? Os sindicatos já perderam a capacidade de luta e reivindicação (credível e construtiva) junto dos Governos? Os Governos deixaram de ouvir a "cassete de sempre" que apenas reivindica a defesa de interesses de classe sem preocupações com o facto de os resultados do funcionamento do sistema a que pertencem ser cada vez pior?

É por isso que algumas escolas aconselham agora os pais a não deixarem os seus filhos na escola, sob pena de no dia seguinte os alunos não quererem regressar à mesma? Então quem foi que transformou a escola nessa instituição supostamente (assim considerada por tais professores) como repulsiva? Não foram certamente os pais.

E como se sentiriam, enquanto pais, os professores que recebessem tal folheto em casa? Como eu? E diriam o quê? Nada? Não acredito... sob pena de não contribuirem para a melhoria do funcionamento do sistema a que ambas a categorias pertencem (pais e professores).

EXEMPLO ILUSTRATIVO

De como se gastam recursos públicos e comuns a todos nós (contribuintes nacionais e europeus) por investigadores académicos nas suas carreiras universitárias (subordinados ao primado da progressão interna na carreira) procurando demonstrar o que não tinha sustentação e que agora se confirma de forma (ainda) envergonhada.
Quem é responsável? Qual a fatia de credibilidade perdida por quem fez, por quem autorizou e aprovou (com louvor e distinção na maior parte)? É assim que a I&D se pretende legitimar em Portugal? E os resultados contribuem mesmo para essa legitimação? Ou é uma metodologia de choque ... contra a realidade?

HÁ QUANTO TEMPO ...

Não se ouve falar das políticas de incremento e aprofundamento do envelhecimento activo, num país tão envelhecido como é Portugal?

2006-03-06

E O ALENTEJO, CONTINUA A MARCAR PASSO?

Continuam por desbloquear os projectos de investimento na central fotovoltaica da Amareleja e no parque solar de S. Domingos, com potencial de criação de várias centenas de postos de trabalho na mais pobre, deserta e envelhecida região do país que deles tanto precisa ?

2006-03-02

CONTINUAR A ENTERRAR A CABEÇA NA AREIA? O GUTERRISMO DEIXOU MARCAS...?

Vale a pena ler, pela reflexão induzida sobre as implicações dos próximos (e todos os outros mais) anos das nossas vidas e dos nossos filhos. Por isso se transcreve na íntegra, respeitando a devida referência ao autor.
«Um relatório da Comissão Europeia divulgado esta semana prevê que as taxas de crescimento da União vão diminuir devido ao envelhecimento da população e que Portugal será o país da Europa a 15 a apresentar um maior aumento da despesa pública devido a essa razão (9,7% em relação a 2004). O ministro das Finanças qualificou o relatório de «simplista», entre outras razões porque o relatório pressupõe que não haja mudança de políticas.

Terá alguma razão o ministro. Também há 50 anos, antes da revolução agrícola na Europa, não se poderia de todo imaginar que a esfomeada população do continente pudesse ser alimentada (e com largos excedentes) à custa de um sector que, hoje, não chega aos dois dígitos do PIB de qualquer país da «velha» União Europeia. Pode pensar-se que algo parecido pode ocorrer em relação às pensões de reforma - as regras e as bases da economia a partir da qual se fazem as contas é que terão de mudar.

Mas a minha questão é outra: o problema demográfico que aqui está subjacente é que é realmente assustador. A população europeia está a diminuir e, neste primeiro decénio do século XXI, já iniciou o seu declínio irreversível. A Europa simplesmente já não substitui as gerações. Segundo dados do Conselho da Europa, a idade média do europeu é de 37,7 anos, mais 11 do que a média mundial - e será de 48,5 anos em 2050. Quanto à idade média dos eleitores, aproxima-se já agora dos 50 anos em alguns países da União, tendo em conta o facto dos votos dos seniores serem maioritários a partir de certa altura!

Em muitos países europeus, incluindo Portugal (que não é o pior deles, os Estados de centro e leste estão em situação bem mais complicada), o número de crianças entre os 0 e os 14 anos já é inferior ao dos idosos com mais de 65 anos. O nosso país tem 10,4 milhões de habitantes, mas em 2050 terá menos 1 milhão e 100 mil habitantes (a propósito, aproximadamente o mesmo número que a Rússia perde anualmente). Ou seja, dentro de 45 anos, segundo as contas do INE, haverá em Portugal quase duas vezes e meia mais idosos do que crianças (243 pessoas com mais de 65 anos por cada 100 crianças com menos de 15). Hoje, essa relação é de 106,8. É ou não é assustador?

E que se pode fazer? Claro que só o simples enunciado do problema dá para perceber que esta «bomba demográfica» tem profundas implicações no modelo económico, político, social e até de defesa - com um quadro destes como é que pode falar-se da «potência Europa»? E que tem de haver profundas alterações nas políticas sociais, de trabalho, de imigração. Nada lhe é alheio. Por causa dela, muito daquilo em que hoje assentam as nossas vidas pode ser questionado, senão perdido.

O envelhecimento da população não é um mal em si, pelo contrário, foi uma grande conquista da ciência e da medicina, em particular. Mas há que adequar as sociedades a esse dado novo. E há imensas dificuldades que surgem devido a corpos eleitorais envelhecidos (que se preocupam mais com as pensões de reforma do que com os incentivos à natalidade), mas também do facto das empresas terem sobretudo que dar contas a fundos de pensões. Já para não falar dos problemas relativos à imigração, cuja integração, como sabemos, não está a funcionar, o que levanta delicadíssimas questões de ordem social. E que soluções há para as pessoas terem mais filhos, se os estudos até indicam que os europeus gostariam de ter mais do que aos que têm?

Alguém nos governos europeus já começou a preocupar-se com estes problemas, tendo em vista uma política integrada? Não tenho visto muito. Mas que dá um nó na garganta, isso dá».

Luísa Meireles 14:50 14 Fevereiro 2006

2006-02-28

AGRAVAMENTO SEM RETORNO À VISTA...

CONFORME A COR, ASSIM A REACÇÃO.

Tivesse esta medida sido tomada por algum Governo imediatamente anterior a este e a reacção dos supostos "gurus da pedagogia", hoje instalados no poder, seria do maior repúdio, baseados nos argumentos que hoje invocam: motivos de natureza pedagógica!

O mesmo teria acontecido com os professores, cujos sindicatos parecem agora adormecidos perante as mais austeras medidas contra eles tomadas que algum governo algum vez ousou depois de Abril de 1974. O que dizem os seus sindicatos? Nada! O que mudou? Apenas a cor do Governo? Ok, entendido.

E os Presidentes de Câmaras Municipais? Quantos já ouvimos (considerados rebeldes dentro do seu partido) contestar tais medidas em defesa dos interesses dos seus munícipes? É adequada e justa a medida? Só agora, ou antes também já era assim e reagiram contra por lealdade de oposição ao Governo que não era da sua cor?

A que lealdade respondem, uns e outros?

Como pode um país de carneiros algumas vez andar em frente? Pode, mas... para o abismo que os carneiros da frente conduzem o rebanho que se deixa conduzir em nome dos interesses político-partidários de manutenção e exercício do poder, mas em sacrifício dos interesses dos cidadãos que juraram em algum momento defender. Cegueira de cor?

Já antes assim havia sido: reacções de serenidade porque o código partidário assim o exige.

A MANCHA QUE SE ESTENDE ... ATÉ NÓS.

Mais uma Universidade (privada) que, tal como outras anteriores, se encontra a braços com problemas de gestão, os quais, apesar de excepções sem dúvida inegáveis, resultam basicamente da diminuição da população em idade escolar por um lado e, por outro, da irracionalidade e completa irresponsabilidade dos Governos que permitiram a proliferação desregrada de instituições destinadas a cumprir (no longo prazo) um objectivo que se conseguiria em muito menos tempo.
Culpa da falência resultante da qualidade do ensino? Sem dúvida que em alguns casos haverá responsabilidade, mas, na maior parte deles tal não aconteceu, especialmente porque os docentes (com mestrado e doutoramento) eram comuns à falta de quadros próprios, pelo que não será de supor diferentes desempenhos profissionais dos mesmos em função da entidade empregadora, nem a mediocridade geral do sistema de ensino superior público e privado, por analogia.
Quem não se lembra dos famosos estudos prospectivos do Departamento de Prospectiva e Planeamento do Ministério da Educação na década de 1990 quando ainda não existia Ministério com tutela do ensino superior, projectando a população escolar e as necessidades de resposta à mesma, ajustadas às igualmente supostas necessidades de competências, para o horizonte de 2005?
Bastará consultar a bibliografia de muitos trabalhos académicos de então (década de 1990) para constatar a coincidência entre os autores de tais estudos e a sua participação em Governos que tomaram decisões completamente opostas aos estudos que haviam sustentado os seus programas de acção (ao menos para venda ao eleitorado em tempo de campanha eleitoral).
Em nome de quê? Do eleitoralismo sustentado na garantia de acesso generalizado ao ensino superior? Com que resultados? O aumento incontrolável dos jovens desempregados licenciados relativamente aos quais chegamos ao cúmulo da irresponsabilidade ao considerar a possibilidade da sua reconversão para outras profissões; ao encerramento das instituições do ensino superior cuja expansão se permitiu e estimulou, com consequências nefastas (senão mesmo irrecuperáveis) para o interior de um país cada vez mais litoralizado e dual.
Ainda assim, os maiores problemas para a faixa interior de um país onde se gastaram tantos milhões de contos e Euros ao longo de 3 Quadros Comunitários de Apoio na revitalização do mundo rural e na fixação de populações (medidas de insuficiente eficácia, como se constata), ainda está para vir mas, já não será demorado, porque o problema não afecta só os privados, também afecta as instituições públicas espalhadas pelo interior do país ao longo da década de 1980 para estimular a afirmação de pólos urbanos de média dimensão.
Como resolver a duplicação de capacidade instalada na produção de competências ao nível regional, entre Universidades e Politécnicos? Como reajustar (drasticamente porque já era para ontem) a oferta às necessidades do mercado de trabalho (ainda valerá a pena pensar em termos regionais?) que deverá ser encarado à escala global e não à escala local ou regional (que nunca teve expressão, apesar da teimosia dos académicos de uma esquerda já então mais que ultrapassada e hoje totalmente desprezada no espaço da fundamentação da decisão política)? Como resolver o problema dos quadros de pessoal (mestres e doutores) entretanto alargados ao sabor da maré?
Não me parece que existam respostas fáceis para a verdadeira crise em que se encontra o ensino superior (público e privado; universitário e politécnico) instalado nas cidades do interior português. Mas, uma coisa é certa: se tais estabelecimentos continuarem a sua atitude de clausura académica, de elitismo cultural e de de isolamento, face a uma sociedade civil onde perdura um quadro de agentes económicos que deles desconfia (por não sentir a necessidade da sua existência), o futuro desses estabelecimentos será sem dúvida muito mais incerto e conturbado.
A razão é simples e resume-se ao facto de, não podendo tais estabelecimentos continuar, para o futuro, a sobreviver com os recursos das propinas de alunos cujo número é cada vez menor, a legitimação da sua missão (a razão de ser da sua existência) num contexto envolvente (contribuintes individuais, colectivos e empresariais) que defenda, em articulação com um tecido institucional motivado em torno de um desígno de desenvolvimento regional, exige alguma abertura a que outros possam questionar e opinar não só quanto à sua continuidade (sustentada pelos impostos de todos nós) como à sua orientação.
Uma abertura de humildade que urge...

NÃO AQUECE NEM ARREFECE?

Não estou suficientemente convencido da inocuidade que generalizadamente se pretende atribuir (na saída, como é tendência) à passagem de Jorge Sampaio pela Presidência da República, no que ao segundo mandato diz respeito e, sejamos justos, apenas em relação a este se me levantam algumas interrogações.

Referem-se as mesmas nomeadamente à decisão de dissolução da AR em 1994, para corrigir uma decisão menos acertada alguns meses antes, mas que acabaria por mudar o panorama político partidário português para o futuro, os equilíbrios de forças políticas então existentes e, por último mas não menos importante, o futuro de Portugal, não para melhor como se pode constatar a cada dia que passa, no meu (e acredito não estar sozinho) entender.

Decisões inocentes? Não sei... Sempre acreditarei que quem decide faz o melhor que pode e sabe em função da informação disponível no momento e da leitura da mesma, garantindo um compromisso de conciliação entre as inclinações pessoais e os interesses de uma causa maior em nome de cuja defesa tenha sido investido.

Por isso mesmo, em situação idêntica, outros poderiam ter optado por escolhas (bastante) diferentes. Nada a fazer, terminou, novo ciclo se abre...

2006-02-25

A CADA DIA QUE PASSA, NA CME, a arrogância de outrora vai cedendo lugar à humilhação ... quase quotidiana!

Lê-se no comunicado de imprensa que, em reunião pública de 09 de Fevereiro de 2006 da Câmara de Évora ... Foi também aprovada por unanimidade a anulação da deliberação de cedência de terreno em direito de superfície no Aeródromo Municipal de Évora à empresa Falconwings, Ldª. Tal decisão deriva do incumprimento da referida empresa no que concerne à não resposta às notificações do Departamento de Apoio Jurídico e de Notariado (DAJN) que visavam a marcação da escritura pública de constituição de direito de superfície; à não entrega da documentação necessária e solicitada para celebração do contrato acima referido; ao insucesso das tentativas de contacto com a empresa feitas pelo DAJN e pelo Departamento de Desenvolvimento Económico (DDE).

Recordemos o que aconteceu nas últimas semanas de Setembro e primeiras semanas de Outubro de 2005, em plena campanha eleitoral autárquica:

O Presidente da Câmara de Évora, recandidatando-se ao lugar, não teve pudor em usar publicamente a informação sobre investimentos pouco sólidos, protagonizados por intervenientes sem credibilidade suficientemente verificada como agora confirma em reunião de Câmara vários meses depois?

Objectivamente, não estou (ainda) com predisposição para acreditar nas mais recentes notícias (que considero serem de pressão e marcação de posição) que constam no site oficial da GECI sobre a possibilidade de a "descolagem" dos aviões construídos ocorrer a partir de Beja!!!!!!!!

Tal significaria (o que espero que não venha a acontecer) o total abandono de Évora pelo Governo do PS e a total falta de confiança no mesmo, com consequências óbvias a nível local: quando nem o (suposto) glorioso PM confia no nosso Presidente, quem somos nós para contrariar tão ilustre personagem?

2006-02-21

QUAL O (DES)GOVERNANTE QUE SE RECUSOU A VIR A ÉVORA DESTA VEZ?

A CULPA NÃO É DO MENSAGEIRO

A notícia não é nova nem boa.
Mas, parece que muita da agenda política nacional e local (curiosamente o nível regional está ausente, a não ser pelas piores razões) está programada propositada e intencionalmente para distrair o pessoal das dificuldades que vêm aí, num ano que até agora, apenas queimou dois meses.
As vantagens de ler muito, em casa, o que parece não agradar a alguns. É a vida ... como diria o pouco saudoso.

FINALMENTE ... UMA CERTEIRA QUE MERECE A MINHA CONCORDÂNCIA!

Muito mais interessante, necessário e justo que as últimas opções de agenda política como os casamentos e uniões de facto entre o mesmo sexo...

A CHUVA QUANDO CAI, NÃO É PARA TODOS!

2006-02-15

FALTA DE RACIONALIDADE NA OFERTA DO ENSINO SUPERIOR!

De quem é a culpa da situação a que se chegou?
Quem deveria revelar coragem (por responsabilidade) em encetar a correcção da situação?
Os sucessivos Governos que incentivaram e conduziram a instituição de um modelo de financiamento do ensino superior sustentado na massificação desregrada e crescentemente degradante (em qualidade) da procura e frequência por parte dos alunos?

As Universidades e Politécnicos que, com autonomia para optarem pelas escolhas de oferta de cursos mais ajustados e necessários ao desenvolvimento (estratégico) das regiões onde se inserem, fizeram disso tábua rasa e se viraram para o seu umbigo, apostando apenas na crescente e não raro irresponsável oferta para alimento próprio?

O tecido empresarial e institucional circundante que não travaram a tempo as ambições irracionais daqueles que, em diferentes patamares, ousaram de forma irresponsável e impune desbaratar recursos financeiros elevadíssimos (colectivos) na formação errónea de outros recursos (individuais)?

O que não me parece justo aceitar é a frequente acusação ao Instituto de Emprego pelos elevados níveis de desemprego e dificuldades de empregabilidade dos jovens recém licenciados, como se de uma fábrica de empregos se tratasse. Não se pensa um pouco sobre o patamar a que se situa a responsabilidade pelas circunstâncias que nos vitimam?

ESTRANHA PRIORIDADE DA JUVENTUDE SOCIALISTA.

Perante problemas tão graves como galopante agravamento do desemprego de jovens recém licenciados que não conseguem ingressar no mercado de trabalho ... como entender a eleição desta prioridade?
Esquecimento? Distracção? Premeditação e estratégia política? Oportunidade associada ao dia de S. Valentim?