2006-08-25

NA CIDADE DA EXCELÊNCIA ... PROMETIDA!

Em algumas cidades do interior português, parece que, quanto mais modernas são julgadas por quem as governa, mais longe estão na verdade daquilo que outras vão conseguindo e mais carentes fazem sentir as suas populações, porque na verdade ficam para trás a cada dia que passa.
Não tenho dificuldades em atribuir essa situação dissonante ao crescente autismo político dos autarcas que presidem ao seu destino, os quais, em certos casos, estão mais preocupados em manter o seu poder e garantir a sua cadeira quando não a sua reforma (alguns até tomaram posse à pressa e à sucapa), do que em resolver as necessidades das populações às quais juraram dedicação.

Évora é, infelizmente, um caso preocupante no que ao desporto e ocupação de tempos livres de jovens diz respeito.

Assim é desde há várias décadas, sentindo-se no entanto as carências com maior intensidade à medida que nos vão iludindo com uma maior modernidade. O desporto ao ar livre é um exemplo de carência pela total inexistência de espaços, sentido por adultos e jovens, pais, crianças e adolescentes, apesar de tais espaços estarem prometidos há décadas, com mais intensidade eleitoralista nos últimos 5 anos em que o PS prometeu e não cumpriu transformar a cidade e apetrechá-la das necessárias infra-estruturas à satisfação das suas necessidades e superação das suas carências.

Se pensarmos no que é a oferta de Actividades de Tempos Livres (ATL) para crianças e jovens durante o verão e as restantes interrupções escolares, ficamos com os nervos em franja e com uma grande tristeza por constatarmos a incapacidade e inércia da Câmara Municipal de Évora.

Um cidade que detém espaços adequados (ao ar livre) para oferecer programas de actividades organizados e com qualidade vê durante os meses de Julho e Agosto a oferta de ATL reduzida a um pequeno punhado de iniciativas privadas, muitas em espaços cobertos e fechados e grandes parte delas sem oferta de alimentação.

Alguma oferta mais completa que se foi estruturando nos últimos anos viu-se este ano desaparecer, perante o olhar impávido da Câmara de Évora, incapaz de estruturar alternativas adequados, em espaços abertos como as piscinas municipais ou o jardim público, para o que poderia ter contratado meia dúzia de professores desempregados enquanto animadores, sem que daí decorresse qualquer prejuízo, dada a auto-suficiência financeira deste tipo de serviços.

Não basta argumentar que se deve deixar à iniciativa privada certo tipo de oferta de serviços às populações, aliviando os serviços municipais, princípio com o qual concordo. A discussão a encetar, se quisermos ser intelectualmente honestos é outra, a saber:

  • Há Câmaras Municipais com pesadas máquinas em termos de recursos humanos e áreas funcionais. Como se isso não bastasse, ainda contraram mais pessoas (incluindo assessores técnicos e políticos) com o argumento de melhorarem a oferta de serviços à população (missão ou razão de ser de uma Câmara Municipal), ao mesmo tempo que foram criando empresas municipais para libertarem encargos de actividade que era sua por natureza. Será lógico pensar que existe hoje por parte dessas autarquias maior disponibilidade dos recursos humanos existentes para diversificarem a oferta de serviços à população, nomeadamente nas áreas de carência (que deveriam estar identificadas) que a mesma vê e sente não estarem supridas;
  • Uma Câmara Municipal que prometeu ao eleitorado trazer a excelência ao concelho de Évora, terá que estar pronta para suprir lacunas de oferta de serviços que os particulares não cubram suficiente e satisfatoriamente (não importando se se trata de um problema de dimensão de mercado ou de capacidade empresarial, se de ambos).

Um concelho que pretende atrair investimentos em sectores de elevada incorporação tecnológica como é o caso do ramo aeronáutico, não se pode dar ao luxo de permitir a escassez de oferta de serviços básicos às famílias de técnicos altamente qualificados, sob pena de tais investimentos virem a falhar de futuro, em consequência de uma rejeição de tais quadros pelo concelho que pouco lhes oferece face às (elevadas) exigências que colocam para a educação e crescimento dos seus filhos.

Se este argumento não for entendido pela Câmara de Évora, nem me atrevo a invocar as necessidades da população eborense para os seus filhos porque dessa já desisti, face à arrogância de gestão e permanente demagogia política de uma Câmara que a todo o momento nos quer convencer que estamos melhor hoje, quando a inércia se tornou a imagem de marca, as promessas não cumpridas entraram no anedótico quotidiano e o afundamento de Évora é galopante, ao fim de 5 anos de mandatos do PS.

2006-08-19

O QUE POR AÍ VAI...

Foi preciso um despacho de um Ministro que já exerce as suas funções há um ano e meio, para ficarmos a saber que, afinal, o mesmo governante não tem controlado até agora de forma eficaz os gastos excessivos (desperdícios) nos organismos tutelados pelo seu próprio Ministério.

Não admira, se nos recordarmos da duplicação da dotação orçamental do Ministério da saúde logo que o Guterrismo herdou o poder em 1995, não tendo o crescimento do défice do sub-sector saúde mais parado desde então até hoje.

Agora, a coisa é mais engraçada, ficando os portugueses a saber, da boca do próprio Ministro que:

  • Há despesas sumptuosas das administrações hospitalares que têm vindo a ser feitas, com conhecimento e validação do Ministério que tutela tais organismos;
  • Há gastos das administrações hospitalares que vão muito para além dos necessários ao cumprimento da missão dos hospitais: o tratamento dos doentes (um verdadeiro desperdício, já que não são necessários para que a missão seja cumprida);
  • O Ministro da tutela tem necessidade de tratar este assunto publicamente, envorganhando as administrações hospitalares, sem ter coragem de alterar internamente as condições de realização de tais despesas;
  • A proibição de realização de gastos supérfluos, decretada pelo Ministro, apenas vigora até final do corrente ano. Depois disso, as despesas agoras consideradas moralmente inadequadas pelo Ministro, perderão tal estatuto, voltando tudo à situação inicial.

Bonito. Este Ministro sempre foi um verdadeiro artista. Apesar disso, não consigo apreciar a arte ...

2006-08-14

A PREVENÇÃO DOS FOGOS AO NÍVEL LOCAL

O Ministro da Administração Interna reconheceu hoje que a prevenção dos incêndios não resultou em Portugal, não porque o problema seja deste Governo, mas sim porque nos últimos 4 ou 5 anos nada se fez, deixando-se que as matas e florestas acumulassem "lixos" em demasia, propensos à ignição e propagação do fogo. Curiosamente, o Ministro, para além de deitar a responsabilidade política para detrás das costas, como se nunca tivesse tido responsabilidades políticas neste país e os lixos alimentadores dos fogos, nas florestas e matas, tivessem crescido a ritmos superiores nestes últimos 5 anos que nos últimos 10, vem ainda responsabilizar em parte os particulares pela catástrofe, consequência da não limpeza das suas propriedades, caminhos e espaços envolventes.

De forma estranha, as declarações do Ministro surgem no dia em que o constante e indomável fogo que lavra no Parque Nacional da Peneda-Gerês começa a incomodar o Governo pelo facto de que, tendo aquela zona tal classificação (Parque Nacional), os mecanismos de actuação do Governo e dos seus serviços desconcentrados, nomeadamente da agricultura, florestas e conservação do mundo rural, não parece terem sido suficiente e eficazmente accionados, com vista a proteger recursos de natureza considerados de importância nacional, ultrapassando por isso a responsabilidade dos proprietários privados.

Esses organismos actuaram eficazmente na prevenção, com todos os instrumentos que tinham ao seu dispor? O Senhor Ministro deverá encontrar respostas e atribuir responsabilidades. O País agradeceria, mais que as declarações fúteis ...

Ao mesmo tempo, na imprensa nacional surgem informações preocupantes, decorrentes de análises cuidadas sobre a incidência dos fogos no território alentejano nos últimos anos, mostrando que a mesma tem vindo a aumentar assustadoramente, pondo a nu a vulnerabilidade do mesmo território, apesar de muito desértico.

Tal preocupação só agora surge devido à exposição e visibilidade mediática do fogo na Serra d'Ossa. No entanto, os cuidados preventivos, ao nível local, deverão ser acautelados e aperfeiçoados de forma permanente, com vista a evitar o accionamento dos planos de emergência que resultam sempre, tal como agora aconteceu no Alentejo, na destruição de vários milhares de hectares de floresta ou mata, avultados bens materiais e, quando não mesmo, em perda de vidas humanas.

Ao nível local, nos espaços rurais do interior do país, mais do que os serviços regionais do poder central (agricultura, florestas...) é ao poder local que cabe boa parte da prevenção de fogos, incentivando e fiscalizando a desmatação e limpeza de terrenos e acessos.

Se isto é verdade no que respeita aos concelhos veradeiramente rurais, mais o é no que toca aos concelhos urbanos, em especial, quando se trata, como acontece com Évora, de núcleos urbanos que detêm consideráveis espaços de vulnerabilidade incendiária entre o núcleo histórico e os bairros afastados ou os equipamentos colectivos e sociais de serviço à população.

As 3 fotos que aqui surgem, referem-se ao espaço circundante à Aminata, em Évora (integrado no perímetro urbano, encaixado entre o Centro Histórico e alguns dos maiores bairros residenciais de Évora, entre o complexo de piscinas da Aminata e os complexos desportivos do Lusitano e do Juventude).

Poderia ainda acrescentar a Escola C+S que deste local apenas está separada por uma estrada, um hotel e várias propriedades privadas que com este espaço confinam, os depósitos de gás que junto aos equipamentoa colectivos se encontram, entre eles um dos maiores lares de terceira idade da cidade (Barahona), associado a um hospital de retaguarda que no mesmo espaço de perigosidade se localizam.

Razões mais que suficientes para que, em sessão de Assembleia Municipal, o Presidente da CME já tenha sido alertado para o efeito, durante o mês de Junho, movido pela mesma preocupação com a que agora volto à carga, dada a inércia do Presidente da Câmara de Évora, desde então até agora, apesar dos alertas.

Eu próprio tirei estas fotos, hoje ao final da tarde, julgando serem suficientes para sensibilizar o executivo municipal para o risco de incêndio neste ano que, tendo chovido substancialmente durante os meses de Abril e Maio, os pastos cresceram anormalmente debaixo das árvores, em todos os lugares, mesmo às portas da cidade, aumentando de forma perigosa o risco de incêndio.

A questão que se coloca é a de saber até que ponto a Câmara de Évora já deveria ter actuado perante tal situação, ou esperar que os incêndios deflagrem, às portas do Centro Histórico, para depois vir responsabilizar os particulares donos dos terrenos, pela falta da sua limpeza, na esteira do Ministro da Administração Interna, do mesmo Partido Socialista.

Pessoalmente, não acredito que uma CM não disponha dos meios suficientes para accionar em situações de risco como esta, mesmo que os mesmos vão contra a vontade dos particulares, tendo em conta a segurança pública.

Os meios próprios não são suficientes?

Mas sabendo que, são alguns deles (os possíveis) accionados em situação de emergência, como aconteceu com máquinas da CM de Évora, para combater o incêndio da Serra d'Ossa, tenho dificuldades em entender porque não acontece tal mobilização com vista à prevenção, no concelho de Évora.

Se é possível à Câmara Municipal de Évora, mandar pintar as fachadas dos prédios da Praça do Giraldo e ruas confluentes, independentemente da vontade dos seus proprietários, enviando-lhes posteriormente a conta para pagamento, também deverá ser possível desencadear acções semelhantes relativamente a proprietários de prédios rústicos, em nome da prevenção de incêndios.

O pressuposto é o de que este executivo municipal, que prometeu uma cidade de excelência, não pretende ficar apenas pelas fachadas ... Mas, facilmente admitirei estar iludido, como quase metade dos eleitores eborenses.

2006-08-05

ÉVORA TÃO PERTO ... E TÃO LONGE!

Sem necessidade de recurso a estágios de selecções de futebol que nada acrescentam à cidade (salva-se o Presidente da CME que gosta de aparecer na TV à conta de acções momentãneas inconsequentes);
Sem necessidade de discutíveis utilizações dos seus monumentos romanos com passagens de moda de outras regiões (salva-se a Lili que se hospedou naquela grande suite, à conta do orçamento municipal de Évora);
Sem necessidade de rodar novelas para (supostamente) "colocar no mapa" (nacional) cidades já conhecidas internacionalmente (salva-se o Presidente da CME que pela primeira vez representou bem o seu papel, mas, na novela).
O que a CM de Évora não poderia aprender com as suas vizinhas administrações municipais espanholas. O que falta?
Saber aprender exige vontade própria e capacidade para esquecer...

2006-08-02

VÍCIOS "DE MARCA" QUE NÃO SE PERDEM

Só os mais distraídos ou ingénuos poderiam esperar que os velhos hábitos do PS de "dar de comer aos seus" através de um abusivo uso da "cunha" fosse agora diferente, apenas pela arrogância comunicativa do actual Primeiro-Ministro que representa apenas imagem e mais nada de concreto em termos de rigor.
Os vícios do exercício da influência política para emprego do pessoal de cor rosa no aparelho do Estado ou por ele controlado, dos quais os Governos de Guterres usaram e abusaram vergonhosa e irresponsavelmente, engordando o Estado em milhares de pessoas e centenas de novas estruturas e organismos, permanecem.
O desafio actual consiste em adivinhar quantos dos 150.000 novos empregos prometidos pelo PS serão preenchidos por outros critérios que não este.
Se tomarmos por base de raciocício algumas autarquias locais próximas de nós e observarmos algumas das contratações (assessores, secretárias(os), membros de gabinetes da presidência,...) de jovens recém licenciados, identificando os seus graus de parentesco com candidatos das listas do PS nas eleições autárquicas ou públicos e manifestos apoiantes, poucas esperanças restarão, infelizmente para o futuro do país.
É o PS que dá razão a Jardim quanto ao alerta de que caminhamos para o abismo.

2006-07-13

FALTA DE VISÃO E DE ESTRATÉGIA

Parece que vamos ter milagres em breve: com o novo QCA (agora QREN), vamos ter mais milhões no FSE, logo, consequência lógica e por acto de magia até aqui nunca ocorrido, ficaremos ao nível dos países mais desenvolvidos da União Europeia.
Certamente um resultado do Plano Tecnológico, através do qual um computador moderno calculou a fórmula mágica de correlação directa entre as variáveis recursos financeiros investidos no sistema de educação-formação, elevação dos níveis de instrução e qualificação e repercussões na economia.

Estranho é que as contas e os resultados dos vários estudos da OCDE sobre as relações entre as mesmas variáveis, não coincidam, repetidamente, relativamente à realidade portuguesa.
Antes pelo contrário, já que revelam, sem excepção, que o problema da educação e da formação em Portugal não é da quantidade de recursos financeiros, mas sim da ineficiência na sua aplicação.
Sendo Portugal um dos países da OCDE que mais investe, "per capita" em educação e formação, tem no entanto um dos piores retornos desse investimento, em termos da sua economia, ou seja, o impacto daquele investimento na economia é um dos mais fracos entre os países da OCDE (ao contrário de Espanha, como ainda recentemente se viu).
A causa parece estar relacionada com o desajustamento as estruturas formativas e educativas, isto é, o sistema de educação-formação não permite fertilizar tais investimentos, antes sendo em boa parte responsável pelo desperdício dos mesmos.
O sistema a que se atribui a culpa é grande e complexo, composto por uma extensa variedade de agentes e de complexas relações entre eles, nem sempre sendo fácil encontrar os pontos de fricção e de bloqueio ou entrave a um funcionamento mais profíquo. No entanto, aspectos há que todos os dias saltam à vista como passíveis de interrogação e geradores de dúvidas razoáveis como o que segue:
  • Os Institutos Politécnicos do interior do país parecem mais preocupados em abrir novos cursos do que em ajustar racionalmente a sua oferta, encerrando alguns cursos que continuam a gerar taxas de crescimento de desemprego elevadas entre jovens quadros qualificados;
  • Diversificar a oferta formativa, num leque de duas dezenas e meia de cursos já existentes, constitui uma opção bastante discutível, nomeadamente pelo sentido tomado de expansão em detrimento da redução diferenciadora;
  • O Ministério da tutela autoriza as opções tomadas pelos Politécnicos, dando cobertura a outro mais que discutível fundamento: a resposta a necessidades de formação locais e regionais (ainda não satisfeitas pela oferta existente em engenharias agrícola e zootécnica?).

Bem que podem chover milhões para a educação e formação, que o Alentejo continuará a secar em recursos humanos e a definhar na sua base económica.

2006-06-17

PIOR DO QUE A QUEDA, SÓ O ATESTADO ...

Pior do que as declarações públicas sobre a perda de influência da CME junto do Governo socialista, proferidas em entrevista a um jornal regional, por alguém que, tendo apenas recentemente criado uma fundação em Évora, já conseguiu trazer à mesma mais membros do actual Governo (incluindo o Primeiro-Ministro) do que o Presidente da Câmara de Évora, só mesmo o "Grupo Municipal do Partido Socialista" com a moção que apresentou na Assembleia Municipal de Évora.
Não podia deixar de ser aprovada por unanimidade, com uma declaração de voto de grande empenho da minha parte: afinal, há que ajudar quem precisa... porque a cidade de Évora, o concelho e o Alentejo, não têm culpa de a CME estar à deriva e do seu Presidente ter sido abandonado pelo Governo e pelo PS.
Nem poderíamos permitir que o Presidente da CME se sentisse totalmente abandonado, desde logo pelos seus e lhe passasse pela ideia abandonar o barco logo no início da travessia do mar de rosas (com bastantes espinhos para ele) que prometeu aos eborenses.
Não se pode no entanto deixar de sentir uma certa apreensão sobre qual o sentido oculto desta moção. Será mesmo este, ou poderá significar a confirmação da desconfiança que se vem instalando de que o investimento poderá já estar encaminhado para outra cidade alentejana que não Évora? E se, por hipótese, tal acontecer por mão e vontade do Governo, influenciado por autarcas alentejanos e gestores de empreendimentos públicos com maior peso e capacidade de persuasão do que o edil eborense?
Seja como for, já resta pouco tempo para confirmarmos, em Setembro, se o Presidente da CME ganha asas emprestadas para se manter no ar, aqui no concelho, ou se sentirá necessidade de voar rasteiro para o retiro do repouso.

Em contrapartida, vá-se lá perceber porquê, 19 membros do Grupo Municipal do Partido Socialista decidiram votar contra uma recomendação que sugeria à CME a preparação de iniciativas tendentes à valorização e projecção do património cultural eborense no contexto nacional.

Esta estratégia de colocarem nos órgãos autárquicos eborense os carreiristas e seguidistas políticos do partido socialista, só podia dar tal resultado, para prejuízo de Évora e desilusão dos incautos eleitores eborense (substancialmente menos, é verdade) que ainda se deixaram iludir pelo canto enganoso.

Nada que se estranhe da atitude de suposto seguidismo cego, a avaliar pela democraticidade revelada aquando das recentes eleições para a Presidência da República. Nunca se sabe as consequências que podem advir para os dissonantes da "nomenklatura".

Se assim fazem entre eles, ...

2006-06-16

EM QUEDA LIVRE ... o (ainda) Presidente da CME!

Jornal "Notícias Alentejo", nº 2, Junho de 2006. Palavras para quê? Afinal, não sou apenas eu a notar. Ao que parece, já não se consegue disfarçar.
«Na entrevista ao Notícias Alentejo, Flamínio Roza reivindica para o Alentejo uma maior atenção do Governo e diz, inclusivamente, que espera um maior carinho do Poder Central pelos projectos ligados à indústria aeronáutica em Évora, pois, «estranhamente, o Governo, que é da cor política da CME, não tem apoiado as iniciativas e os projectos desta».

Há comportamentos e atitudes que não ajudam!

2006-06-02

PSD quer “Évora CAPITAL Nacional da Cultura – 2007”

Em reunião que serviu para analisar a situação política local, a Comissão Política da Secção de Évora do PSD congratulou-se pelo papel de “Capital Nacional do Futebol” que Évora desempenhou durante 12 dias, bem como pelo caloroso acolhimento e incentivo que os eborenses souberam emprestar e transmitir à selecção portuguesa de futebol.
Passado o entusiasmo do curto período de estágio da selecção, sobram ainda muitos dias até final do ano, durante os quais se espera ver em Évora mais vida para além do futebol.
O PSD aguarda pois com expectativa pelas próximas iniciativas da Câmara Municipal de Évora, que ampliem o estatuto de capitalidade de Évora no contexto nacional.
Dada a ampla dimensão da riqueza cultural do concelho, o PSD espera que a Câmara Municipal de Évora apresente em breve junto do Governo socialista a candidatura de “Évora CAPITAL Nacional da Cultura – 2007” e que a mesma seja aceite, consolidando dessa forma no país a sua capitalidade no domínio cultural.

2006-05-21

O PÂNTANO ESTÁ DE VOLTA: só não se sabe é quando.

DESACREDITAR A POLÍTICA

Quem não se recorda da campanha eleitoral para as eleições legislativas, com o líder do PS a prometer não aumentar os impostos?

Desgraçado o país que tenha ao mando dos seus destinos alguém em quem não se pode confiar...

REABRIR O PROCESSO REGIONALIZAÇÃO EM PORTUGAL?

Só se for para rebentar com o resto, que vai sendo cada vez menos. Ou, para que alguns profissionais da política, ao nível local, garantam os seus tachos até à altura da reforma.

Outros argumentos, destacando vantagens para áreas como o Alentejo? Procurei e não encontrei nenhum que não conseguisse rebater em 3 segundos.

2006-05-19

ESTA FEBRE DO FUTEBOL QUE AFECTA TANTA GENTE ... AGORA EM ÉVORA!

A discussão local em torno do futebol, envolvendo os mais emotivos e obcecados aos mais racionais e distantes, passando pelos moderados na razão e coração, preencherá o quotidiano alentejano em geral e eborense em particular, durante as próximas duas semanas.
De forma desprendida em relação à reacção colectiva e sem qualquer ingerência na dimensão política de análise, atrevo-me a recordar aqui partes de algumas das peças já escritas noutros tempos, sobre o fenómeno, encarado apenas do ponto de vista das ciências sociais, a partir de pesquisas direccionadas essencialmente à interpretação do papel do futebol enquanto meio instrumental de afirmação de identidade social.
Na semana em que escrevo, o quotidiano da vida portuguesa foi quase totalmente dominado pelo jogo de futebol para disputar a final da taça EUFA, antes e depois do mesmo acontecer. A identidade nacional saiu reforçada com o resultado conseguido, mas, mais reforçada saiu ainda a identidade social da região norte do país, para a qual o futebol tem sido o instrumento fundamental da sua afirmação.
É possível identificar a influência de vários vectores de diferenciação social dos desportos, conferindo aos mesmos um carácter simbólico consonante com os vários tipos de capital (económico, cultural, …) que as classes sociais detêm, traduzindo-se, na prática, numa diferenciação social dos gostos e das práticas desportivas: desportos colectivos ou individuais, autonomia ou regramento, uso do corpo e da força física ou da criatividade, etc. O futebol é, no entanto, um desporto de carácter universal, seduzindo praticantes e adeptos de todas as classes sociais, independentemente do volume ou da estrutura do respectivo capital, garantindo uma pluralidade de usos e interpretações para quase todos os gostos e feitios.
A identificação clubística assenta em praticamente tudo, menos em bases classicistas, antes as diluindo, desempenhando um papel político de consolidação de identidades sociais que extravasam as divisões de classe. Preenche ainda funções de terapia social, enquanto válvula de escape das tensões, agressividades e ressentimentos da vida quotidiana, aliviando as ansiedades e as frustrações (o stress) que preenchem o dia a dia do homem moderno, mas também de animação da monotonia quotidiana (anti-depressivo). No fundo, o futebol ocupa uma boa parte do imaginário da nossa sociedade e marca o ritmo do quotidiano.
Mas, no Porto, o futebol representa ainda mais do que tudo isso: representa o instrumento de afirmação de uma identidade social regional que se consolida em torno de um clube no qual todo o norte se revê em boa medida. Gritar "Porto" não significa apenas exaltar o FCP, mas também o vinho com o mesmo nome e toda uma região, identificada simbolicamente com a cidade. Ser do Porto ou do FCP é mais do ser apreciador de bom futebol, amante do futebol, simpatizante de um clube de futebol: é uma maneira de estar na vida, que traduz uma expressão cultural claramente marcada por traços distintivos (com ânsia de afirmação e reconhecimento) do todo hegemónico nacional e, principalmente, do elitismo urbano e metropolitano da antiga capital de um império já desaparecido. Bourdieu defendia convictamente que toda a expressão linguística é um acto de poder, mesmo que dissimulado, pelo que as estruturas mentais e simbólicas que estruturam o discurso objectivo veiculado pela pronúncia do norte, consumam um sentimento subjectivo de identificação e de pertença a uma região que preza como nenhuma outra, em Portugal, o espírito empreendedor, inconciliável com a frustração decorrente dos malefícios do histórico centralismo político e administrativo, perpetuado pelo Estado Novo e ainda hoje marcante. O FPC representa, neste contexto, o veículo adequado à aglutinação dos valores colectivos, garante da afirmação de uma identidade regional que se quer ver reconhecida nos planos nacional e internacional, contra o cosmopolitismo "sulista e elitista" que tende a equiparar Lisboa a Portugal e a paisagem provinciana tudo o resto. Quinta, 22 de Maio de 2003 - 21:39 Fonte: Noticias Alentejo - Jornalista :
Passados 2 anos sobre o acontecimento que muitos dizem ter mudado o mundo, ou pelo menos ter aprofundado as divergências entre as sociedades ocidental e o Islão, os ataques terroristas estão ultrapassados mas não esquecidos, em especial pelo crescimento da insegurança resulta de, a qualquer momento, novas acções poderem ser desencadeadas por fundamentalistas islâmicos. Quando se fala em fundamentalismos, tendemos apenas a atribui-los ao Islão, em consequência da não separação entre o poder político, a organização social e, a religião.
Mas, a aceitação e defesa de um conjunto de princípios ortodoxos tidos por verdades fundamentais e indispensáveis à formação de uma certa consciência (individual ou colectiva), também se observa nas sociedades ocidentais, nomeadamente na europeia, particularmente nos países do sul, ainda hoje marcados, em termos culturais, pelo prolongado predomínio dos regimes políticos autoritários e do dogmatismo religioso da igreja católica.
Habituadas e necessitadas de princípios rígidos que ofereçam segurança interior e estabilidade na organização social, as sociedades europeias do sul, entre elas Portugal, têm vindo a (re)inventar, nas últimas décadas, mecanismos de organização da centralidade dos seus quotidianos que tendem a assumir formas obsessivas, entre elas o futebol.
Vejamos:
1. Cada jornada de futebol das ligas nacionais e internacionais institucionalizou-se, em Portugal, com carácter ritualizante: as discussões iniciam-se antes de a semana chegar a meio, aquando dos primeiros treinos e das correspondentes convocatórias dos jogadores, alimentam-se durante a mesma com os desempenhos dos jogadores nos treinos e culminam, no final, com as apostas no totobola e totogolo, ou ainda com a ida ao estádio ou a assistência à transmissão televisiva dos jogos. O ritual continua nos primeiros dias da semana seguinte, com as discussões em torno dos resultados, dos golos marcados, dos casos polémicos, dos erros das arbitragens e por aí fora, matérias que servirão de entretenimento até metade da semana, altura em que o ciclo se reinicia.
2. O futebol serve de início a todo o tipo de conversação com desconhecidos, ao balcão ou à mesa do café, substituindo o tradicional tema da meteorologia, e de alimentação a disputas verbais mais incendiadas entre conhecidos, amigos e familiares, chegando mesmo a referenciar as opções de amizades e inimizades produzidas e alimentadas no quotidiano. O fanatismo e a intolerância não são fenómenos esporádicos, observando-se a inimaginável simultaneidade de opiniões contraditórias sobre o mesmo facto, assumidas hipocritamente como objectivas e verdadeiras. O futebol serve de escapatória à monotonia da vida quotidiana e de uma cada vez menor implicação pessoal no trabalho, mas também desenvolve um efeito de catarse e alívio das tensões produzidas pelo modo de vida moderno.
3. O fenómeno atravessa e penetra todas as classes sociais, que se desiludem da política, participam cada vez menos na eleição dos seus representantes no Parlamento e dos que decidem o futuro dos concelhos onde residem e onde viverão os seus filhos, ou ainda em referendos sobre matérias tão importantes como o aborto ou a regionalização, mas que não parecem afectados no seu interesse com o funcionamento do futebol nem com a actuação já raramente convencional e transparente dos dirigentes dos clubes e SAD's, nem com a promiscuidade com os políticos. Estes últimos, servem-se eles próprios dessa obsessão das massas, sendo dos poucos factores que parecem ainda despertar algum interesse junto do eleitorado, aquando das campanhas eleitorais e das respectivas promessas formuladas: revela-se mais mobilizador da angariação de preferências eleitorais a construção de um estádio municipal de futebol ou a realização de um campeonato europeu, do que as opções estratégicas para o futuro de um concelho, a construção de escolas e hospitais, ou de projectos estruturantes para o desenvolvimento do país.
4. Nos parques de recreio das escolas, não existem mais equipamentos desportivos do que os campos de futebol e, para aqueles que não têm apetência ou têm preferências por desportos que exijam maior desempenho intelectual e menor limitação à força bruta do corpo, não restam opções, nem são valorizadas ou incentivadas as suas escolhas, quando as fazem. O sonho com o estrelato das vedetas milionárias inicia-se logo na infância, valorizando toda uma elite simbólica que personaliza valores ou aspirações facilmente cativantes dos jovens (modos de vida, estrelato, acesso a bens materiais…), exercendo influência nos hábitos, atitudes e comportamentos dos mesmos.
5. Até há relativamente pouco tempo, não se dispensou a devida importância ao estudo da influência deste tipo de elites, por estarem mais individualizadas e não existir um laço organizativo entre elas. No entanto, o relevo dos meios de comunicação social nas sociedades modernas e o seu consequente efeito de imagem e mobilização de massas, vieram dar maior importância à influência das mesmas, em particular no meio desportivo, que dispõe de vasta imprensa especializada e grande capacidade de mobilização de massas no âmbito das audiências televisivas.
6. As massas projectam as suas aspirações nos seus heróis, levando os atletas a converterem-se em símbolos de uma cidade, região ou país, ou de qualidades como a combatividade, o esforço, a capacidade de sofrimento ou a vontade de superação própria. Apesar de algumas das elites simbólicas (ex. dos meios artístico, da literatura ou da moda) serem em regra mais instáveis e transitórias que outro tipo de elites, como o são os valores ou modas que representam, tal tendência parece não ter acolhimento no futebol. Apesar de as multidões se revelarem vulneráveis à mensagem que lhe é transmitida, facilmente renegando hoje os que aplaudiram ontem, a preferência clubística, a participação no espectáculo e a centralidade do futebol na vida quotidiana parecem cada vez mais reforçadas, independentemente dos protagonistas individuais, que a todo o momento se renovam.
7. A última estrela do imaginário futebolístico português é o jovem madeirense Cristiano Ronaldo, cujo nome parece extraído de uma das telenovelas brasileiras que toda a família certamente não perderá nos horários nobres do serão televisivo, transportando para uma realidade virtualizada as aspirações, longínquas da sua vida quotidiana, pois tais novelas apontam claramente como próxima a possibilidade de um qualquer desconhecido de uma degradante favela brasileira saltar de um estado miserável de vida para a fama, o estrelato e a fortuna, bafejado por qualquer sorte milagreira, ou pela aposta no futebol, sem qualquer esforço de construção do seu percurso escolar e sócio-profissional.
8. Um estudo norte-americano publicado em Agosto deste ano na revista "New Scientist" revelava que 1 em cada 10 pessoas é viciada em celebridades, vício esse que pode conduzir a problemas de depressões, ansiedade e psicoses, podendo mesmo chegar-se a um estado de patologia marcada por comportamentos perigosos ou até mesmo criminosos. Nada melhor para ilustrar a susceptibilidade deste estado de idolatria do que o filme americano "Adepto Fanático", um thriller psicológico de alta tensão com Robert De Niro e Wesley Snipes, no qual um adepto fanático de baseball arrasta o melhor jogador da sua equipa para um pesadelo alucinante. Bobby Rayburn tem uma vida deplorável: foi despedido do seu emprego e a sua ex-mulher quer impedi-lo de ver o filho. A sua única felicidade na vida é o Baseball, a equipa dos "Giants" e o jogador Gil Renard. Bobby é um adepto obsessivo e demencial que vai ao ponto de assassinar um jogador dos "Giants" para Gil, cujo desempenho na equipa tem sido medíocre, poder recuperar a sua velha camisola número 11 e voltar a exibir o seu talento. Porém, Gil não encara o Baseball como a coisa mais importante da sua vida e Bobby decide obrigá-lo a pensar como ele: rapta-lhe o filho para o obrigar a jogar melhor. Trata-se de um thriller psicológico sobre as criminosas e demenciais iniciativas de um adepto fanático do Baseball, de uma equipa e do seu jogador vedeta, que não se detém perante o homicídio, a chantagem ou o rapto para ver a sua equipa ganhar. No caso, é o desporto que serve de pano de fundo a esta história perturbadora sobre o psicótico culto da celebridade, que na América pode atingir níveis absolutamente desconcertardes e perversos.
9. Resultados de outras investigações, em Inglaterra, continuam ainda assim a relativizar os efeitos desta dimensão, revelando que, seguir atentamente a vida das estrelas só poderá dar mau resultado se isso se tornar uma obsessão, algo que, garantem, acontece em raríssimos casos (1%), pelo que o "síndrome das celebridades", caracterizado pelo dispêndio de vários horas a ler artigos ou a ver imagens e tirar modelos das celebridades, pode até trazer sucesso e ser vantajoso para a vida das pessoas que as seguem.
10. O pai da nova estrela madeirense referia ao jornal "Correio da Manhã" em Agosto que «O Cristiano sempre foi um rapaz muito decidido, por isso, penso que este seja o caminho certo. Estou muito orgulhoso, como o resto da sua família (…)». É natural que a família sinta orgulho no filho que se tornou no jogador de 18 anos mais bem pago, deslumbrada pelo acesso repentino a níveis de capital económico antes inimagináveis. Mas, para além deste, que outros tipos de capital marcam a formação daquele jovem? Que importância foi atribuída ao capital cultural (aquisição de competências escolares e profissionais), cada vez mais determinante nesta sociedade, marcada pelo capitalismo informacional e pela sociedade do conhecimento, tendo por centralidade a capacidade de adquirir e interpretar informação com vista à produção de conhecimento?
11. Aceitando que adorar e respeitar pessoas que se distinguem por alguma razão é algo que vem dos tempos da pré-história, e que se adoram hoje celebridades cuja fama e fortuna é desejada por aqueles que as seguem, a questão deve colocar-se ao nível das hipóteses que têm os seguidores em desenvolver as características estéticas dos modelos, de representação dos actores de Hollywood, ou de jogar futebol como o Cristiano Ronaldo. Nesta sociedade por alguns apelidada de pós-moderna, o trabalho ainda não deixou de ser central na atribuição do estatuto social, pelo que o capital sócio-económico dos indivíduos é ao mesmo tempo resultado do tipo e prestígio das profissões e do uso e combinação feita com outro tipo de capital: o cultural. Em consequência, a aquisição de competências escolares e profissionais proporcionada pelo sistema de educação-formação é, cada vez mais, determinante da aquisição de posições na estrutura social formal e informal.
12. Tal exige, no entanto, um esforço e um investimento ao longo de anos, a rentabilizar no longo prazo, ao qual a sociedade mediática de hoje, paradoxal e hipocritamente não retribui compensação, sendo menos valorizada a atribuição do prémio Leonardo da Vinci, pela Sociedade Europeia para a Formação de Engenheiros a um português pelo reconhecimento das suas obras nos contextos nacional e europeu, do que a ilusória conquista dos 15 minutos de fama preconizados por Andy Warhol em qualquer Big Brother ou clube de futebol, ainda que não se possuam obra feita para reconhecimento.
13. A prová-lo está o facto de Alberto João Jardim ter transformado a jovem vedeta madeirense no embaixador da região no estrangeiro, como se não tivesse mais nenhuma imagem de marca que simbolizasse outras vias de aquisição do estrelato por obra feita. Joe Berardo, empresário de sucesso e personificador da capacidade de iniciativa não parece tão atractivo para o efeito, vá-se lá saber porquê. Não estranha pois que nenhum político português tenha procurado aparecer frente aos media ao lado de Nuno Viegas, jovem português de 27 anos, finalista de Engenharia Biotecnológica da Universidade do Algarve que engendrou uma maneira de usar a Estação Espacial Internacional para ajudar a desenvolver novos antibióticos que possam combater mais eficazmente as bactérias em terra, recorrendo à microgravidade e apresentou a sua ideia num com concurso promovido pela Agência Espacial Europeia, tendo chegado à final do mesmo, entre 100 projectos aceites, apesar de não o ter ganho.
14. O que me incomoda neste cenário é pois a não valorização ou estímulo da sociedade portuguesa ao esforço de aquisição e desenvolvimento de competências científicas por este jovem, nem à sua aplicação criativa e inovadora na produção de conhecimento técnico, ao contrário do estrelato atribuído a Cristiano Ronaldo, que aos 11 anos abandonou a escola para jogar futebol sendo, escandalosamente valorizadas pelos media as suas fugas ao estudo em busca de um espaço de jogo.
15. Referia a edição do jornal "Correio da Manhã" de 25.08.2003 que Cristiano Ronaldo «Mais que tudo na vida queria ser jogador de futebol, mesmo que isso lhe custasse o isolamento da família, um inferno na adaptação a Lisboa, a hipoteca de um futuro académico. (…) qualquer preço era justo, desde que a recompensa fosse chegar aos relvados. Tinha 9 anos». Eis um desafio para pais e professores, porque este "modelo" ou símbolo que é vendido aos jovens e que eu não quero para o meu filho, resulta não apenas do sistema educativo, para onde tendem a ser remetidas quase todas as culpas.
16.O enraizamento cultural das causas do insucesso escolar, do abandono precoce da escola e da fraca motivação e qualidade de formação dos jovens que chegam à Universidade e ao mercado de trabalho, revela-se em dimensões como esta, fazendo lembrar a letra da canção dos Rio Grande: «Mestre-escola diga lá se for capaz, faz-me falta ouvir outra opinião …». Quinta, 11 de Setembro de 2003 - 14:54 Fonte: Noticias Alentejo - Jornalista

2006-05-11

O CAPITAL HUMANO É MESMO CAPITAL!

O texto da notícia refere ainda que:

«... Itália só alcançará o rendimento per capita da Alemanha em 2014 e que Grécia e Portugal demorarão ainda mais anos a faze-lo».

«Segundo o Deutsche Bank a educação é o factor que mais prosperidade trouxe a Espanha, com mais investimento no ensino secundário e universitário e 37% dos espanhóis entre os 25 e os 34 já com cursos superiores, comparativamente aos 20% mantidos pela Alemanha durante várias décadas.»

«O motor do aumento do rendimento per capita não assenta nos investimentos nem no desenvolvimento demográfico, explica o estudo referindo-se a Espanha, mas sim no capital humano do país.»

Um país com índices de envelhecimento não muito diferentes de Portugal, sem preocupações de recurso à imigração como tábua de salvamento (embora ela exista e seja importante, não é perspectivada como nuclear), concentrou-se no essencial, que é a valorização dos recursos humanos ou, o capital humano, como referem os economistas, que é capital para a produtividade do factor trabalho e para a competitividade da economia.

Tal exige uma planificação estratégica, o mesmo é dizer traçar um rumo de longo prazo e não se desviar dele a não ser por razões de força maior, rumo esse que é aceite enquanto caminho de um desígnio nacional assumido e partilhado entre as principais forças político-partidárias, as quais que se encarregam de garantir a manutenção de um "core" necessário à sua consecução, quando estão no Governo (do país).

Colocar Espanha entre os primeiros e mais influentes países do mundo é um objectivo de há muito estabelecido, que funciona como mobilizador de vontades, esforços e empenho de todos os diversos tipos de agentes, aos mais variados níveis de acção de localização institucional e geográfica, sendo o turismo, a cultura e o futebol apenas alguns dos campos mais visíveis do exterior.

Tenho alguma dificuldade em aceitar uma explicação substancial dos resultados pelo factor autonomia regional, como muitos pretendem logo à primeira vista argumentar, justificando dessa forma aquilo que consideram ser a solução derradeira para o sucesso do modelo de desenvolvimento português.

Por um lado, porque algumas comunidades autonómicas espanholas, como por exemplo a nossa (do Alentejo) vizinha Andaluzia, tem quase a dimensão territorial e populacional de Portugal, pelo que não nasceu assim do nada e totalmente desprovida de recursos de sustentação, como se quer fazer crer que é possível a algumas das mais pobres regiões europeias como o Alentejo. Veja-se como se posiciona a Espanha enquanto destino turístico europeu e mundial e atente-se no facto de os recursos turísticos da Andaluzia permitirem, só a esta região, dispor de uma oferta quase tão ampla e diversificada como um país inteiro seu vizinho, que é Portugal.

Por outro lado, trata-se de reflectir sobre que investimentos temos andado a fazer em capital humano quando, observando as estatísticas da OCDE elas nos indicam que Portugal é um dos países daquele grupo que mais despesas per capita realiza com a educação e formação dos seus recursos humanos mas que a mesma despesa não tem repercussões na produtividade do factor trabalho nem na produtividade total dos factores económicos. Ou seja, o dinheiro gasto esfuma-se sem resultado que se veja, em vez de se multiplicar.

Ora, é sabido que as opções relativas às áreas profissionais de aposta dos operadores do sistema de educação e formação profissional está bastante descentralizada em Portugal, sendo os organismos regionais da administração pública e os estabelecimentos de ensino da rede pública e e outras redes associadas a esta, que definem as suas opções de oferta, as quais, à partida, deveriam ser suficientemente sustentadas por uma forte componente técnica de associação e ancoragem aos sistemas regionais e locais de emprego e respectivos mercados de trabalho.

O mesmo sucede com a autonomia universitária, já que é a este nível que a Espanha parece ter descoberto a chave de alavancagem económica, resultado em boa medida de uma apurada e estudada aposta no capital humano, o que nos deverá levar, relativamente ao panorama nacional, mas desde logo no que ao nível regional diz respeito, a procurar respostas para algumas questões:

  • Sendo as Universidades e Institutos Politécnicos portugueses suficientemente autónomos para proporem a abertura (e encerramento) dos cursos que consideram necessários (ou não) na sua envolvência, porque não tem tal produção de recursos o mesmo efeito multiplicador que em Espanha?
  • Porque cresce todos os meses o número de desempregados recém-licenciados em Portugal?
  • O que justifica ainda hoje, 20 anos depois da criação de uma rede pulverizadora de estabelecimentos de ensino superior pelo interior do país, a sua existência, nos mesmos moldes que lhe deram origem, face às alterações dos territórios de implantação, nomeadamente em termos empresariais e demográficos?
  • O que justifica tão ampla diversidade da oferta formativa dos estabelecimentos de ensino superior nos territórios do interior, atingindo com frequência as duas ou três dezenas de cursos em estabelecimentos sitos na capital de pequenos distritos, por oposição a uma especialização distintiva associada às potencialidades de fertilização económica dos ambientes territoriais circundantes?
  • Até quando estarão os recursos financeiros nacionais em condições de aguentar a alimentação de uma oferta formativa sobordinada à lógica de um acesso democratizado e igualitário à educação, mais que à racionalidade da repercussão do investimento, enquanto capital que replica noutros tipos de capital do sistema económico?

2006-05-10

RECEPÇÃO DA CIDADE À SELECÇÃO NACIONAL?

Entrando na cidade pelo acesso de Estremoz (logo, Convento do Espinheiro, onde a selecção nacional ficará alojada), encontramos este panorama nas rotundas de acolhimento da variante, o qual não se afigura muito adequado à dimensão mediática que a Câmara Municipal de Évora pretende atribuir às duas próximas semanas, para a qual vários factores deverão contribuir.
Diga-se em boa verdade que, mesmo que a CME venha a cortar a erva daquelas rotundas, nos próximos dias, ficarão as mesmas ainda assim bastante aquém de um nível mínimo de arranjo que deveria ter sido providenciado pela CME, para cuja ausência não se encontra explicação plausível.
Também é verdade que não estou preocupado com a selecção nacional, mas sim com o facto de todos os dias por ali passar de automóvel e sentir uma enorme dificuldade em avistar os veículos em circulação do outro lado das rotundas em causa, o que acarreta eventuais perigos para a circulação automóvel.

2006-05-07

OPÇÕES CONSUMISTAS ACENTUADAS PELOS GOVERNOS SOCIALISTAS

UMA IDEIA PARA A ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE ÉVORA

Apesar da ajuda que a Câmara Municipal de Évora (CME) pretendeu emprestar à nobre causa da defesa da construção do IC33, não se vislumbra que o contributo possa vir a consubstanciar-se numa decisão positiva por parte do Governo socialista, já que, o exercício de pressão junto do mesmo, com vista à conclusão do traçado do IP2 junto a Évora (a partir do cruzamento de S. Manços até Estremoz), ou não deu resultado, ou não foi exercido, pela CME.
De qualquer das forma, mesmo que exercida pressão junto do actual Governo socialista, pela Câmara Municipal de Évora (que recebeu recomendação da Assembleia Municipal, para o efeito, em Fevereiro de 2002), não parece igualmente que a mesma possa vir a obter resultados positivos quanto ao IP2, dado o nível de desprezo e abandono dedicados pelo Governo ao executivo socialista naquela autarquia, mais que gritantes logo durante toda a campanha eleitoral autárquica de 2005.

Neste sentido e, em consequência, só resta uma solução de arrojo, por parte da AME (Assembleia Municipal de Évora), substituindo-se à CME nesta tarefa de defesa dos interesses do município.

À semelhança do que fizeram os autarcas do Alentejo Litoral há alguns tempos: a realização de um dos seus plenários em pleno traçado do IP2 por concluir (poderia ser no cruzamento de S. Manços), como forma de chamar a atenção do Governo para a necessidade de terminar uma obra que se encontra interrompida há 10 anos e que esteve inscrita no PIDDAC de 2005 pelo anterior Governo.

A não ser que os socialistas presentes nos órgãos autárquicos eborenses sejam mais dedicados e sumissos ao Governo e ao partido, que aos interesses da população e do concelho de Évora, que prometeram defender. Não seria a primeira vez, nem será certamente a última...

QUASE UM ANO DEPOIS, NOS CÉUS DE ÉVORA NADA DE NOVO

Quem não se recorda destas notícias, que encheram páginas de jornais regionais, nacionais e de campanha eleitoral de certos partidos políticos há um ano atrás, em pelo verão, antes de os eborenses irem de férias, marcando a agenda para o início da campanha eleitoral para as eleições autárquicas, logo a seguir ao termo das férias de verão?

Repare-se na segurança das afirmações produzidas, na certeza quanto aos cumprimentos dos prazos anunciados e na convicção das informações relatadas. Em parte alguma das notícias que vinham a público diariamente se referia qualquer eventual previsão de contratempo ou atraso relacionados com a angariação de recursos financeiros, captação de investidores, ou concorrência de outras cidades alentejanas: a criação de uma fileira aeronáutica em Évora foi dada como certa à população pela Câmara Municipal de Évora directamente e via comunicação social.

Um ano depois, os eborenses observam como continuam limpos os céus da cidade e dão-se conta que as notícias mudaram o tom de euforia e de certeza inabalável quanto ao famigerado investimento. Afinal, a fileira aeronáutica dificilmente pode estender-se de Évora a Beja e uma das cidades ficará a ganhar, em função das condições de que disponha à partida e de outras que esteja e pretenda estar em condições de assegurar no futuro.

Certo é que, um ano depois das promessas miraculosas do Presidente da Câmara de Évora durante a campanha eleitoral, as coisas não parecem estar a andar, pelos menos ao ritmo que foi anunciado.

Pior ainda é que, a julgar pelas notícias que vão surgindo nos órgãos de comunicação social, o cepticismo quanto à localização do projecto, no Alentejo, vai crescendo entre os eborenses, alguns dos quais não esperarão mais do que o final deste ano de 2006 para cobrar mais uma promessa eleitoral ao Presidente da Câmara de Évora, que acrescentará substancialmente o já agora amplo lote.

É que, pela sua importância e pelas expectativas geradas, trata-se de uma promessa eleitoral que, para bem de tudo e todos, desde a cidade ao concelho, passando pela população activa e pela economia regional, exije-se que seja mesmo cumprida, sem admissão de qualquer desculpa. Se tal não viesse a acontecer, quem a fez ficaria sem qualquer tipo de margem para continuar sentado na cadeira que ainda ocupa.