2006-02-15

TANTA NOTÍCIA, ... NENHUMA É BOA! O pior ainda não passou?

UM MODELO DE AUTARCA? Não vejo críticas ...

  • A ausência de críticas de autarcas a comportamentos pouco prestigiantes para a classe;
  • A ausência de críticas de políticos a atitudes pouco abonatórias à recuperação da já avançada degradação da imagem da classe;
  • O silêncio de um PS que se permitiu aceitar deslocar Jorge Coelho em plena campanha eleitoral autárquica de 2001, para apoio institucional do partido à candidatura;
  • A permanente e implícita crítica interna no PSD à coragem que Marques Mendes demonstrou ao não enveredar por semelhantes vias;
  • A ausência de explicações justificadoras de organismos da Administração Pública sobre esta situação e a legalidade da mesma;

São situações a que a crescente indiferença dos políticos, da comunicação social, da Administração Pública e da sociedade civil em geral, tenho dificuldade em entender.

O risco de uma excessiva e alargada indiferença é o de a mesma funcionar, tendencialmente, como factor de integração na normalidade de situações outrora (e cada vez mais excepcionalmente) anormais, abanando a convicção da afirmação de princípios de honestidade perante gerações futuras que procuramos e necessitamos educar na base de uma valoração concliliadora com uma visão de rigor e respeito por nós próprios e pelo nosso contexto enquadrador.

Um autêntico desafio, convencer que o caminho mais compensador em Portugal é outro que não este ... Cada vez tenho mais dúvidas.

2006-02-05

UM CONSELHO AO PRESIDENTE DA CÂMARA DE ÉVORA:

A próxima vez que se pronunciar sobre o tema, e, em especial sobre as posições do PSD, ... SEJA MENOS ARROGANTE, QUE ISSO NÃO LHE FICA BEM E SÓ PERDE VOTOS (já basta os que perdeu nas últimas eleições autárquicas, que não foram poucos).

2006-01-31

DESENCONTROS, OU A IMPOTÊNCIA IDEOLÓGICA DA ESQUERDA FACE À REALIDADE INCONTORNÁVEL!

Depois de vermos Soares tentar galopar sozinho o cavalo de batalha da Globalização na recente e humilhante (especialmente para ele) campanha eleitoral, assistimos apenas duas semanas depois, ao coroar de glória do "suposto" maior responsável e hediondo cavaleiro da globalização (pela via da mundialização e tendencial universalização do acesso e utilização das NTIC, alicerçadas nas "ferramentas" ocidentais americanas e na língua inglesa).
Alguma coisa está errada neste contexto:
  • A coordenação e o alinhamento de posições dos personagens de um certo (ao que parece, cada vez menos rosa) quandrante político e ideológico nacional?
  • A rendição dos governantes ao imediatismo da acção concreta e prática que se traduza em votos expressos?
  • A marcha imparável de um movimento sem retorno face a um provincianismo encenado para consumo interno?
  • A incomparável "modernidade" (entenda-se "americanizada" que já vinha conquistando admiradores rosas desde 1996) de Gates, face ao produto nacional supostamente "explorador e condenável" que a esquerda continua a sentir pudor em reconhecer (ex. da Fundação Champalimaud com fins e objectivos de igual ou mais avultada monta no panorama nacional)?

2006-01-19

AFINAL, É POSSÍVEL ENGANAR TODOS DURANTE "MUITO" TEMPO!

Que o diga Mário Soares ao ver as primeiras páginas dos jornais e o alinhamento dos telejornais: não deve ser nada agradável assistir, enquanto candidato presidencial apoiado pelo PS, ao anúncio do aumento de impostos (ISP), apenas 2 dias antes das eleições, quando as sondagens diárias não só desprezam a probabilidade de passar à segunda volta, como ainda o colocam atrás de Manuel Alegre, a uma crescente distância deste.
Qual a necessidade de o Governo apoiado pelo PS, que também apoia oficialmente Mário Soares vir aplicar, no 3º dia anterior às eleições presidenciais, um novo imposto, previsto desde Outubro de 2005 aquando da apresentação do Orçamento de Estado na AR?
  • Arrecadação de impostos? Teria entrado em vigor em 01 de Janeiro de 2006!
  • Oportunidade política? Teria entrado em vigor na próxima segunda-feira, a 23 de Janeiro de 2006, passadas as eleições presidenciais!
  • Meter ordem no país? Não teria sido permitido o anúncio de mais impostos (suplementares) do mesmo tipo, sobre o mesmo bem, para os próximos tempos (para mal, já chegava este...);

São demasiados os sinais de dificuldade de entendimento e de coordenação entre a acção do Governo presidido pelo presidente do PS e o candidato que o mesmo diz apoiar oficialmente. A maldade da acção supera as aparências. Não havia necessidade.

Apenas contribui para alimentar a especulação dos vários analistas que sempre consideraram ter Sócrates escolhido Soares para este ser humilhado na derrota (e toda a sua família, incluindo um dos seus mais recentes opositores internos), garantindo por outro lado a eleição de Cavaco Silva, o expectável apoiante das supostas profundas e estruturais reformas a ocorrerem nos próximos tempos.

No fundo, Mário Soares foi bem enganado e ... sacrificado aos interesses pessoais do líder do PS (bem feito, não perco o sono, antes pelo contrário).

Mas, também os portugueses foram enganados, quando acreditaram, com aquela perdulária crença na bondade dos supostos humanistas de esquerda que anunciaram ainda há pouco tempo não aumentar os impostos e ao mesmo tempo aumentam os impostos sobre os produtos petrolíferos, com implicações directas nos transportes públicos, no transporte das matérias-primas e nos preços finais do super-mercado, devido aos custos da distribuição.

Num ano em que a classe média voltou a perder poder de compra pelo n...ésimo ano consecutivo, o aumento da inflação decorrente da subida dos preços finais no consumidor terá um peso ainda mais dramático sobre o já preocupante pessimismo dos portugueses quanto ao seu futuro.

Quando termina esta saga? Desiludam-se os optimistas. Está para durar ...

2006-01-15

O TEMPO AINDA TEM CASAS ONDE MORA

O tempo veio dar razão a Marques Mendes que se manteve firme nos seus princípios, resistindo ao populismo fácil.
Ao contrário de António Guterres e Jorge Coelho, relativamente ao caso Felgueiras, em 2001.
Quando há suspeição, que se deixe a justiça actuar e se afastem os partidos políticos (e, mais vergonhosamente ainda - quando tal não acontece - os Governos).
Um elogio merecido a Marques Mendes que teve coragem como poucos teriam no seu lugar...

2006-01-14

NO CENTRO HISTÓRICO DE ÉVORA... NÃO HÁ RECANTO SECO.

Estas imagens, publicadas em (http://jumento.blogdrive.com/) referem-se a uma campanha de sensibilização a decorrer em Gotemburgo.

Diga-se em boa verdade, por demonstração, que o Centro Histórico de Évora, classificado pela UNESCO como Património da Humanidade, bem que merecia idêntica campanha de sensibilização de cidadãos e turistas, onde não é difícil encontrar, a qualquer hora do dia, alguém em "idêntica figura".

A dificuldade estaria no entanto em perceber até que ponto a incapacidade da Câmara Municipal de Évora relativamente à gestão do seu Centro Histórico será ou não responsável pelos comportamentos prevaricadores (por necessidade) dos utentes daquele espaço.

A imagem ao lado, retratando as instalações sanitárias públicas sitas a 50m do ex-libris da cidade de Évora (o Templo Romano), encerraram para obras de remodelação em Junho de 2005 (não poderia ser melhor a altura, ou não fosse a febre eleitoralista que afinal não produziu os resultados esperados) e ainda não reabriram ao público, encontrando-se prontas, a espera de, segundo se diz, completar a instalação eléctrica, tendo a situação sido aqui denunciada em Setembro do passado ano.

Cada vez que observo os turistas a dirigirem-se (guiados pela sinalização existente) a tais instalações sanitárias e, perante a aflição, procurarem um recanto para descarregarem as suas necessidades fisiológicas mais básicas (por sinal, junto ao edifício da PSP e Governo Civil), sinto-me algo envergonhado na compreensão e aceitação da indução de comportamentos não desejados pelos seus protagonistas.

Até quando esta imagem degradante que Évora transmite aos seus visitantes? Não sei quem fica mais envergonhado: se os visitantes, se os eborenses, por verificarem que os vistantes são obrigados a praticarem actos que embaraçam os próprios.

2006-01-10

NO PAÍS DA ANEDOTA QUOTIDIANA, A REALIDADE JÁ PARECE FICÇÃO.

Desculpem a minha ignorância, mas ...:
  • O BCP é uma empresa de produção de energia ou de realização financeira?
  • São os bancos da esfera económica ou financeira no quadro de referência disciplinar da organização governativa e administrativa do Estado?

Por último, em 2001, quando abnadonou o Governo, qual era a pasta de Pina Moura?

Não era ele o mal-amado Ministro das Finanças do Governo de Guterres? Passaram 3 anos até começar a prestar a colaboração ao BCP? Não sei se o podia fazer ou não ... mas, não façam de nós parvos, pelo que não vale a pena virem com essa conversa do termo enquanto Ministro da Economia.

2006-01-09

PRESIDENCIAIS - CONTAR COM VITÓRIAS ANTECIPADAS?

Cavaco Silva esteve em Évora e encheu (ele) uma tenda enorme para jantar. Muitos não conseguiram mesmo arranjar bilhete e lugar.
O candidato "pareceu" ou "fingiu" mesmo estar surpreendido com tão grande adesão.
Quem não consegui lugar, ficou em casa à espera de ver a reportagem nas televisões. Ligados à tv, espantaram-se, contudo, com algumas das caras que apereceram logo na primeira linha, ao lado do "já quase Presidente"...
Pouco tempo depois da escassa presença na difícil, dura e à partida perdida batalha autárquica de 2005, nem queriam acreditar no que ofereciam as imagens televisivas resultantes da focagem daquela imensidão de apoiantes.
Desenterraram então dos arquivos a lista de apoiantes de Sampaio em 2001, publicada no Diário do Sul de 12 de Janeiro de 2001: não imaginam o que espanta o desenrolar da lista... É verdade que o Distrito é pouco povoado, mas... há nomes que saltam à vista na sobreposição dos apoiantes aos antecipados vitoriosos.
Há sempre alguém que está pronto a encher pavilhões e tendas para os jantares e páginas de apoiantes em jornais, a acompanhar quem, à partida, já assegurou a vitória... não importa de que cor ou de que lado ela surja.
Também aqui, em Évora, o já "quase Presidente" teve oportunidade de conhecer e constatar a existência de penduras, que pensam apenas em si, nos seus interesses pessoais, profissionais e monetários, na boleia. No fundo, aquele perfil que o candidato lamentava ser tão prejudicial ao PSD, ao Governo e ao país em 1995, quando definhava o seu último Governo e encetou o "tabu" presidencial.
Mas, eis que o engano é dissipado entretanto, ainda durante o discurso do candidato, naquela cerimónia, mostrando que está atento: o homem da estabilidade? Um Governo para 4 anos? Não era já para amanhã? Não me parece que o encantamento com o discurso tenha sido geral... É apenas uma desconfiança.

Como se fosse pouco, ainda vem o editorial do semanário de referência aqui no burgo a confirmar mesmo essa desconfiança de que demorará algum tempo a rentabilizar o investimento, porque a coisa ainda está para durar, pelo menos 3 anos. É a vida ...

HÁ QUE ORGANIZAR A RESISTÊNCIA?

Direitos das minorias o tanas! Não começará a ser demasiado tolerado para o gosto da maioria?
Começa a ser preocupante, levantando dúvidas sobre o que fazer: fugir antes que se torne obrigatório?
Como decidir? Quando estiveres em grupos aproximados à dezena, se todos te parecerem normais, será razóavel deduzir e aceitar que "o" somos nós?
A aplicação da estatística pelas ciências sociais, tem destas ...
Contudo, há que ter cautela, com tudo.

2006-01-03

DESESPERO E/OU ESQUECIMENTO...

Esta tirada soa um pouco a desespero de quem não consegue recuperar espaço nas sondagens que sistematica e repetidamente apresentam os mesmos valores e posições.
Mas, também não deixa de denotar algum esquecimento, deveras hipócrita.
Então não foi sempre assim? Só agora é que os jornalistas incomodam e os canais televisivos decidem abrir os seus diários de campanha pela ordem do posicionamento das sondagens? Quem ouviu o Dr. Mário Soares rebelar-se contra tal critério quando estava ele próprio na posição mais vantajosa? Ou mesmo em 1996, quando o mesmo critério era utilizado relativamente aos candidatos em cena nesse acto eleitoral?
Podemos mesmo falar do recente acto eleitoral de 2005 (eleições legislativas) quando todos os canais televisivos ordenaram as reportagens de campanha pelo peso eleitoral atribuído pelas sondagens de então e não pelo real peso no parlamento dissolvido. Quem era o primeiro partido a sugir nos ecrans televisivos? O que disse então o Dr. Soares?
Há que conservar a postura, para que o ridículo não invada as atitudes de candidatos a tão nobre função como a Presidência da República portuguesa.

2005-12-21

OPÇÕES EQUILIBRADAS PARA 2006 EM ÉVORA

Na sequência da aprovação pela Câmara Municipal de Évora das Grandes Opções do Plano para 2006 bem como do correspondente orçamento e, não se esperando que tal decisão possa vir a ser alterada em sede de Assembleia Municipal, dada a maioria ali existente do partido que sustenta a maioria da CME, cabe aqui deixar uma nota de apreço pela decisão.
  • Foram colocados acima dos interesses dos partidos políticos, os interesses do município;
  • Foi tomada em consideração a situação financeira da CME e mantida em limites teoricamente controláveis, as despesas previsíveis para 2006;
  • Foram assegurados os compromissos financeiros do município relativamente ao elevado número de obras que o anterior executivo iniciou em 2005 e cujos compromissos transitam naturalmente para o próximo ano;
  • Foram garantidos os interesses dos (pequenos e grandes) fornecedores e empreiteiros da CME que não se podem ver prejudicados de um momento para o outro por qualquer leviana decisão de algum vereador menos consciente da responsabilidade do desempenho do seu papel;

No fundo, o executivo municipal mostrou que tem no seu seio vereadores responsáveis, ponderados, conscientes e com suficiente grau de bom-senso, o que nos deixará a nós, eborenses, mais tranquilos, ao vermos afastada a recorrente ameaça da instabilidade governativa decorrente da erosão das maiorias absolutas.A evidência revelou neste ano que agora termina que assim não é e, pessoalmente, estou convencido que é possível manter esta tónica e este registo de actuação para o futuro, a bem do município.

A bem de todos, que nos continuem a surpreender positivamente em 2006 como já foram capazes de o demonstrar em 2005.

2005-12-04

ANOS DE VÍCIO DA MATRIZ CULTURAL ... OU A ILUSÃO DA MODERNIDADE

Há anos que nos tentam convencer, especialmente os intelectuais e os políticos deste país que Portugal mudou substancialmente desde a revolução de Abril de 1974.
Há anos que os investigadores e pensadores das ciências sociais portuguesas nos tentam vender nas universidades a ideia de que é possível que Portugal seja diferente do aqui está descrito, numa lógica de meritocracia, justiça, igualdade e equidade perante as várias dimensões da vida quotidianda, do exercício da cidadania e do desempenho profissional.
Sinceramente vos digo que, por achar gastos os discursos nesse sentido e verificar a cada dia que passa os mesmo sinais contrários que sempre encontrei, me pergunto se o Portugal de hoje é realmente mais moderno (no sentido de livre e desprendido) nas mentalidades, do que era antes de Abril de 1974 (o que deveria constituir, especialmente para os políticos, um motivo de reflexão sobre os - talvez vãos - resultados da sua acção ao longo das 3 últimas décadas).
Ou, dito de outra forma, como podemos enfrentar a globalização com os quadros mentais que temos e os vícios que deixámos instalar?
  • Hoje em dia, muito do recrutamento e a promoção para as empreass privadas e para os serviços públicos (especialmente os autónomos e outros com margem de manobra ao nível local para contratação a termo certo) tem ou não em conta o grupo de pertença, a prevalência da relação face à tarefa, em vez de se basear nas competências e nas regras? O que mudou substancialmente?
  • A pertença das pessoas a um grupo legalmente constituído e socialmente reconhecido continua ou não a ser uma das poucas formas de participação (e de intervenção na influência dos contextos circundantes) na distribuição do leque de benefícios passíveis de acesso, numa lógica de lealdade em troca de protecção? O que mudou suibstancialmente?
  • Hoje em dia, não continua a ser valorizada a manutenção da harmonia formal (o tal país de brandos costumes) em vez de cada um dizer o que pensa? A harmonia e o consenso social não continuam a ser metas fundamentais, em vez da autorealização do indivíduo, originando uma subordinação eterna e leal ao influenciador da empregabilidade pela "cunha"? O que mudou sustancialmente?
  • Hoje em dia, não continuamos a aceitar que todos devem ser modestos, a condenar o sucesso dos que nos são próximos, continuando a rejeitar como norma o estudante e o profissional excelente? O insucesso escolar e a negligência ou o erro profissional não continuam ser considerados erros menores? O que mudou substancialmente?

Nos aspectos essenciais, profundos, enraizados e fundamentais da nossa cultura, aquels que marcam os traços da nossa matriz e que continuam a ser transmitidos nas nossas escolas, em que nos diferenciamos hoje, em termos de quadros e programação mental, do que acontecia antes de Abril de 1974?

Muitos dos que estão a ler, certamente estarão indignados com as palavras, porque lhes tocam a sério e fundo na realidade do quotidiano. Mas, ... uma coisa é a realidade e outra o que gostaríamos que ela fosse, mais ainda aquela visão do Portugal de futuro (que seria hoje) que venderam à minha geração na escola, numa visão utópica que é realmente apenas e só isso, contrastada com a realidade: utópica.

Em que medida contribuiu a nossa integração na Europa Comunitária para nos preparar cultural e mentalmente para os grandes desafios que devemos enfrentar num mundo global que cada vez menos funciona com estas referências? Fazemos realmente parte de uma Europa estruturada num eixo Oeste-Leste onde tende a imperar uma modernidade intelectual integrante do eixo norte-sul?

Em que medida tal integração e os milhões diariamente recebidos e gastos constribuiram para nos diferenciar da América do Sul, da África Ocidental e Oriental, das mais pobres regiões da Ásia, onde estes quadros mentais ainda hoje predominam?

É certo que, historicamente, esta forma de pensar e de encarar o mundo é muito característica da Europa do Sul, bem como de outros países mais desenvolvidos em que fertilizaram regimes totalitários, vulneráveis ao crescimento do fundamentalismo e intolerâncias religiosas, políticas e ideológicas. Mas, também é verdade que muitos desses outros países, bem perto de nós, partindo do mesmo estadio e influenciados pelas mesmas circunstâncias deram um salto substancial e se libertaram de tais estigmas...

E nós? A sondagem espelha bem como ainda pensamos e, mais, como funcionamos mentalmente e como agimos quotidianamente.

2005-11-23

OTA - INTERROGAÇÕES SOBRE A MEGALOMANIA QUE TEIMA EM NÃO DAR FRUTOS

A mediática apresentação do futuro Aeroporto na OTA deixou-me muitas dúvidas e interrogações sobre as certezas que o Governo diz ter relativamente ao projecto:

  • Em primeiro lugar, no que toca aos efeitos e impactes sobre o turismo cultural, de congressos e eventos na região de Lisboa, os dados disponíveis não são claros, nem parecem suficientemente fundamentados. Os debates sobre a matéria que nos foi possível observar durante a semana, revelam um elevado cepticismo dos agentes turísticos lisboetas e respostas evasivas dos responsáveis políticos, baseadas em palpites e exemplos de outros países e capitais europeias, mas sem conseguirem estabelecer os paralelismos adequados nos planos em que a discussão se situa;

Como se não fosse suficiente a incerteza do impacte (admitido por todos como negativo, sendo indeterminado o grau) da distância do novo aeroporto à capital, sobre o turismo da região de Lisboa, ainda chega a insistência do Ministro na deslocalização e afastamento de mais uma fatia significativa dos potenciais clientes regionais para uma distância de 200 km ("low-cost" para Aeroporto de Beja).

  • Em segundo lugar, a dimensão do projecto e a grandeza do investimento são simplesmente assustadoras. Invoca-se que o investimento tem retorno e que se paga a si mesmo. Pois essa é a grande ameaça, especialmente quando contamos entre os defensores desse pressuposto quem já se enganou tanto anteriormente, como acontece com João Cravinho e o caso das SCUT que se estão a pagar sim à custa da subida dos impostos sobre todos nós. Quem vai fechar a porta a seguir? Isto, para já não falar na comparação entre a dimensão do projecto face às projecções de crescimento das actividades turísticas em Portugal e Espanha e os investimentos projectados para aeroportos como Málaga, por comparação com Lisboa;

  • Por último, as experiências recentes, no que toca à megalomania com os estádios de futebol para o Euro 2004, acarretam novas fontes de intranquilidade, já que, também aí se previam efeitos de monta sobre a economia nacional mas observamos que logo que o evento acaba, para além dos monstros de betão nada mais resta em algumas das regiões (como é o caso do Algarve) enquanto que a economia entra em recessão e o desemprego dispara com tendência a manter um padrão elevado durante alguns dos próximos anos, indiciando o falhanço das previsões sobre os efeitos estruturantes na economia.

2005-11-18

O FANTASMA DA SANTA ALIANÇA

Está definitivamente enterrado o fantasma da santa aliança PSD-CDU que foi durante tanto tempo invocado pelo PS ao eleiotrado eborense enquanto perigo para a ingovernabilidade da Câmara de Évora no caso de uma maioria relativa do PS como a actual, sendo fiel de balança o vereador do PSD.
O caso patente no comunicado "malicioso" da CDU é exemplar, dada a urgência de aprovação das taxas do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) pela Câmara Municipal e Assembleia Municipal até final do mês de Novembro.
A atitude do vereador do PSD, ao contrário do que o comunicado da CDU pretende insinuar foi de grande responsabilidade, garantindo o normal funcionamento da Câmara Municipal e a arrecadação das receitas necessárias no orçamento municipal de 2006 (o qual, como se sabe será de restrição nas transferências do Governo para os municípios).
A atitude do vereador do PSD foi igualmente de responsabilidade ao questionar o PS sobre os fundamentos da proposta apresentada (apenas uma folha, sem explicação das razões e efeitos financeiros das reduções propostas), sentindo-se incapacitado para votar uma proposta sem fundamentação nem apresentação de demonstração dos impactes financeiros sentidos por cada variação do IMI em 0,1%.
O comunicado da CDU também não ajuda a esclarecer a questão de fundo (quais os impactes financeiros das propostas da CDU no orçamento do município?) que é a de determinar até onde poderá o orçamento da CME aguentar uma redução das taxas do IMI. A razão é simples: a CDU também não sabe, nem tentou fazer as contas. Apenas diz à população que propôs uma redução maior, porque é sempre simpático para o eleitorado e pensa poder assim ganhar simpatias no eleitorado.
Sinceramente, deixem-me que continue a considerar mais responsável a posição do vereador do PSD.
Por fim, o que falta ao comunicado da CDU é referir que as propostas foram votadas com 3 votos do PS, 1 abstenção do PSD e 2 votos dos vereadores da CDU. O comunicado da CDU omite que, sendo considerada tão importante para a CDU esta matéria, permitiu ainda assim que um dos seus vereadores (por acaso Andrade Santos) tivesse faltado à reunião, o que, de forma simples, garantiria sempre ao PS aprovar as suas propostas e rejeitar as da CDU, dado o facto de o Presidente da Câmara dispor de voto de qualidade em caso de empate.
Esta sim é que é a explicação que repõe a verdade sobre o IMI para 2006 no concelho de Évora. O resto, é ruído das tentativas fracassadas de aproveitamento político da CDU e do PS sobre posições responsáveis do vereador do PSD.

2005-11-13

O BAIRRISMO (quase sempre IRRESPONSÁVEL) COMPROMETE O FUTURO... DO ALENTEJO

Primeiro foram as piscinas e o polidesportivos das autarquias, ao longo da década de 90. Antes (na década de 80) tinham sido os parques industriais, das mesmas entidades. Em ambos os casos, os protagonistas foram os mesmos, os autarcas que, por razões de política pura e apego ao poder (ou melhor, para a sua conquista ou manutanção e exercício do mesmo), não tiveram o mínimo de racionalidade e procuraram criar, cada um à sua porta, uma infra-esturutura. O resultado é desastroso, lastimável e repudiante, pelos recursos financeriso nacionais e comunitários que foram gastos sem o mínimo de racionalidade, ou sejua, desbaratados.

É bem verdade que, à política eleitoralista pura que impele cada autarca a construir uma piscina na sua terra, a 5 km da do vizinho do lado ou um parque industrial que hoje esteja às moscas, alguém com responsabilidades em níves superiores devereia ter tomado nas suas mãos a correcção dos disparates e da irresponsabilidade. A CCR do Alentejo não o fez. Há nomes e figuras de quem esteve décadas à frente da gestão daquele organismo que deveria ser chamado à responsabilidade por tais dislates, protagoniziados com o nosso dinheiro, dos nossos impostos, nacionais e com os fundos comunitários. Enfim, a formaão conta muito e, quer queiram, os ou não, a veterinária não proporciona propriamente competência ajustadas neste domínio, ajulgar pelos exemplos.

Mas, o pior é que não aprendemos. Achamos que isso é normal e que os responsáveis, coitados, estão agora reformados e, não vale a pena chatear essa malta. Quem paga? Ninguém... Apesar do mal que fizeram e dos transtornos que nos causaram.

Por essas e por outras, o disparate continuou, sempre em subida de tom.

Passámos para o domínio do ensino superior. Com uma Universidade nova mas com tradição anterior, que poderia ter feito valer os seus trunfos de consolidação e afirmação em áreas estratégicas e distintintivas, apostámos em mais dois Institutos Politécnicos (em Beja e Portalegre) numa lógica (com alguma razão) de dinamizar através do conhecimento científico, os polos de centralidade urbana interior.

Mas, mais uma vez, sem leituras das experiências noutros domínios (como o caso das piscninas, polidesportivos e parques industriais, que todos se inibem de criticar, como se a crítica fundamentada para melhorar a gestão do nosso futuro e o futuro da nossa gestão fosse crime), voltàmos ao exagero e ao excesso da autonomia universitária, permitindo que o Instituto Politécnico de Beja chegasse a uma oferta de 25 cursos, pelo que posso pressupor o mesmo leque relativamente a Portalegre. Juntos com a Universidade de Évora, por este andar, com as perspectivas demográficas existentes e recentemente actualizadas, vão sobrar cursos e não alunos daqui a poucos anos.

O que vai acontecer aos professores que ali trabalham e quem fizeram o seu percurso acdémico com base em pressupostos não fundamentados? Que vão pedir contas ao governo que nessa altura estiver em funções, não tenho dúvidas, mas esquecem-se de quem foram os responsáveis pela situação em que vão caír.

Mais uma vez, a irresponsabilidade prevaleceu e comprometeu o futuro: em vez da procura de áreas distintivas de afirmação individual, a diversidade e a massificação falou mais alto.

Quem paga por tais erros? Os responsáveis por tais instituições de ensino, sem dúvida, mas também os que acima, nomeadamente ao nível governamental, deveriam ter colocado entraves, críticas e chamadas de atenção para uma actuação que, sem deixar de se subordinar e responder às necessidades de uma região, deveria ter sido mais responsável e realista quanto ao futuro. Ao invés, incentivaram o aumento de cursos e de alunos, financiando tais instituições pelo número de alunos em vez de por critérios de eficácia e eficiência regional.

Mas, também é bem verdade que quem elaborou as propostas de abertura de novos cursos, ao nível regional, por parte dos Politécnicos e das Universidades, está cada vez mais distanciado e alienado das verdadeiras necessidades do meio circundante e da missão que deveria ser prosseguida pela instituições cujo destino pretende influenciar e decidir.

É a irresponsabilidade no seu máximo esplendor. Infelizmente para toda uma região. O futuro de Beja e de Portalegre, enquanto cidades, vai ser tormentoso e atribulado. Évora, para lá caminha, em especial nesta área do ensino superior, que muito influencia e determina os destinos de uma região, nem sempre da melhor forma.

2005-11-06

FORAM-SE OS CARTAZES E OS AVIÕES!

Um mês depois das eleições autárquicas, já foram removidos os cartazes "outdoords" da campanha eleitoral.
Como alguns deles tinhas fotos de aviões, prometidos a rodos para Évora, talvez por isso, nunca mais se ouviu o barulho das fábricas construtoras dos mesmos.
Alguns morcegos já tinham desaparecido para parte incerta, depois de terem ludibriado a Câmara Municipal, mas, dos investidores a sério, com projectos consolidados e de credibilidade afirmada, esperava-se já uma maior actividade na construção das suas fábricas que, recordem-se as notícias que encheram tanta página de jornal logo desde a pré-campanha, deveria ter iniciado a sua construção em Setembro de 2005 (até porque as promessas de contrução de aviões de combate aos fogos anunciavam prazos relâmpago).
Chegou mesmo a falar-se insistentemente, na última semana de campanha eleitoral, dos processos de recrutamento e selecção de pessoal já eventualmente em curso.
De repente, passado o dia das eleições autárquicas, ou entraram de férias, ou esfumaram-se os protagonistas. Mesmo à Câmara Municipal, nunca mais se viu ou ouviu qualquer interesse pelo assunto, o que é de estranhar, dado o avanço do projecto e a pressão sobre o município para autorizar o início das obras.
Vamos aguardar ... mas, que a coisa parece ter arrefecido, é verdade. Para bem de todos, desejamos que não se tenha tratado apenas de promessas eleitorais destinadas exclusivamente a tal fim. Seria mau demais para ser verdade. Já nos chega a verdadeira vergonha da recente corrida às reformas na Câmara de Évora.
Entretanto, em Beja, parece que o Governo PS está interessado em acelerar o processo de reutilização da infraestrutura aeroportuária para fins civis. Vão ver que, se nés não acelerarmos o passo, ainda nos ganham outros 20 anos de avanço com a aeronáutica, como aconteceu com as feiras e exposições...

2005-11-01

LOUVOR JUSTO E MERECIDO À CÂMARA DE ÉVORA PELA POSIÇÃO!

Resto da notícia: «Para o autarca socialista “este novo orçamento representa, no seu conjunto, uma diminuição de 108 milhões de euros de receitas para as autarquias, e comporta outras alterações muito graves, entre as quais a perda do direito de preferência das câmaras na alienação de património do Estado e o impedimento do aumento de despesas com pessoal por parte das autarquias”.
José Ernesto d' Oliveira manifestou esta opinião durante a primeira reunião do novo executivo municipal. Uma opinião partilhada pela restante vereação. João Andrade Santos (CDU) acrescentou que “esta proposta de orçamento, além da redução financeira, implica uma redução de direitos e de autonomia do poder local e põe em causa a idoneidade dos municípios que são vistos como gastadores, comparativamente ao governo, e que a população deve ser alertada para este facto”.
O vereador do PSD, António Costa Dieb, concordou igualmente que se dê eco ao parecer da Associação Nacional de Municípios portugueses quie critica a proposta de orçamento governamental.
A Câmara Municipal de Évora aprovou então, por sugestão do vereador João Andrade Santos, uma reunião com os deputados eleitos pelo círculo de Évora, para discussão deste tema, a realizar em breve. Segunda, 31 de Outubro de 2005 - 22:18 Fonte: N.A. - Jornalista : N.A. »