2006-03-26

CURIOSIDADE PELAS REACÇÕES DE ALGUNS PROFESSORES

A este artigo de opinião publicado no jornal "Expresso" deste fim-de-semana, aguardam-se reacções de alguns professores, certo de que serão menos ofensivas, em termos pessoais do que as que me dirigiram no Diário do Sul, fruto de vários equívocos nos quais alguns membros da classe teimam em mergulhar:
  • 1º eqívoco: as políticas são definidas pelo Governo, traduzidas em planos de acção e medidas concretas pelos Ministérios, sustentadas em argumentação técnica e científica sempre que possível, seleccionadas por opções políticas. Quem se pronuncia sobre tais decisões, seja como cidadão, como agente ou actor político ou mesmo como membro de classe implicado pelo sistema de forma mais directa, não deverá constituir o alvo a abater pelos que se sentem prejudicados por tais medidas. Quem não o entende, não presta um contributo positivo à suposta defesa dos interesses daqueles em nome de quem se pronuncia;
  • 2º equívoco: quando alguém se debruça sobre este tipo de matérias e decide pronunciar-se sobre elas publicamente, sustentando a sua argumentação no debate das ideias, não merece ser objecto de respostas de natureza pessoal, ofensivas e indignas de quem as corporiza, humilhando muito mais este que o primeiro, pelo carácter agressivo que se lhes coloca. Quem à discussão de ideias responde discutindo coisas mundanas ou, pior ainda, pessoas, desce ao mais baixo nível que se possa admitir em qualquer classe profissional. Quem não o entende, não presta um contributo positivo à suposta defesa dos interesses daqueles em nome de quem se pronuncia;
  • 3º equívoco: quem assume tomar publicamente posição (o contrário da neutralidade indiferente de quem pretende passar pelos intervalos da chuva e parecer sempre bem com todos) sobre as matérias que afectam os modos de vida quotidianos e a nossa organização social, económica ou política, expõe-se publicamente à discordância, à oposição e mesmo, não raro, ao ressentimento de certas pessoas individuais ou colectivamente organizadas que não só não se revêem nas posições expressas como se sentem de certa forma afectados ou ao mesmos ameaçados pelas mesmas. Dada a existência de algum grau de organização colectiva da categoria profissional a que pertençam, tendem a seleccionar, incentivar e investir um dos seus membros mais visíveis e vulneráveis às debilidades que eles mesmos sentem ver expostas, na missão de resposta ao "estranho". Ao desferir o ataque contra o suposto agressor externo, o eleito provoca uma reacção de simpatia momentânea em seu benefício, criando-lhe a ilusão de uma concordância alargada com a sua posição geral no seio da classe, com a sua pessoa ou com as ideias que o mesmo decide não discutir, continuando o substancial das questões anteriormente colocadas, por discutir. Este é outro equívoco. Quem não o entende, não presta um contributo positivo à suposta defesa dos interesses daqueles em nome de quem se pronuncia.

2006-03-25

UMA FALSA QUESTÃO DE RECIPROCIDADE ANEDÓTICA

Seria interessante que a notícia nos desse a conhecer o curriculum profissional da esposa do PM britânico, permitindo-nos avaliar a experiência da advogada de defesa desta causa em situações opostas, isto é, em causas motivadas por impedimentos de uso de vestes ocidentais (imagine-se um simples fato de banho em praias sauditas, iraquianas, iranianas, etc...) em países muçulmanos.
Ou será que não existem advogados (nem ocidentais nem outros) com tais defesas no palmarés curricular, pelo simples facto de a ortodoxia religiosa muçulmana, a ditadura política ou a intolerância social não permitirem que tal alguma vez possa ocorrer, nem mesmo em pensamento?
E nós, ocidentais, temos que aguentar tudo à nossa porta para evitarmos ser acusados de intolerantes? Até mesmo as práticas contrárias à nossa cultura e atentatórias dos direitos humanos?
Chega de hipocrisia de quem ainda se permite acusar o ocidente de alguma coisa mais que ser inacreditavelmente brando...

INFORMAÇÃO ÚTIL PARA ESCOLHAS DE FUTURO!

TAMBÉM VAMOS TER MANIFESTAÇÕES POR CÁ?

ANTIGOS (E ETERNOS) PARADIGMAS DO MERCADO DE TRABALHO PORTUGUÊS

Ao que parece, duas décadas de integração europeia, 3 Quadros Comunitários de Apoio e inúmeros milhões de escudos e Euros, apenas contribuiram para eternizar as antigas contradições do funcionamento do mercado de trabalho português, em vez da sua resolução.

QUE PENA ...

Agora que eu tinha curiosidade em ouvir a explicação do próprio beneficiado ...

2006-03-23

ALGUMA COISA DE NOVO QUE ME ESTEJA A ESCAPAR, OU CONTINUARÁ TUDO NA MESMA?

Reestruturação da Administração Central do Estado >2006-03-24 06:30 Governo mantém número de governadores civis Executivo recusa desta forma a redução do número de governadores civis para cinco.
Afinal, só algumas das recomendações do grupo de trabalho para a reforma da Administração Pública são acatadas pelo Governo, nomeadamente no que toca à extinção de serviços.
A desconfiança que se instalará é que o critério de decisão, pelos vistos, não é o da necessidade dos serviços, da sua eficácia ou da legitimidade da sua missão, mas sim apenas político-partidário, já que dos 18 Governadores Civis, apenas um deles não é militante do PS.

BOA IDEIA PARA COMEÇAR CÁ POR CASA!

ANTECENDENTES QUE GERAM DESCONFIANÇA

2006-03-18

BOAS NOTÍCIAS A RENOVAR A ESPERANÇA DE MUITOS

HÁ FILHOS E ENTEADOS! E também parece haver intocáveis.

Como se pode depreender da notícia, esta avaliação e as punições anunciadas são para os comuns funcionários públicos, aqueles que estão destinados ao sacrifício, a bem da imagem da governação em prol do emagrecimento do Estado pedido por Belmiro e outros séquitos.
E quantas são as excepções? São intocáveis?
Para algumas categorias não há avaliação de desempenho porque não erram e estão acima do comum dos cidadãos? Porque os impostos de todos nós são mais bem aplicados neles que nos restantes funcionários públicos?
Ou porque estão mais organizados e, através das suas estruturas sindicais ameaçam com aquelas greves à sexta-feira e deixam os Governos a tremer?
Podemos chamar corajoso a este Governo ao tomar medidas destas contra os mais fracos, evitando sempre que possível meter-se com os mais fortes? Que sentido de justiça e equidade possui? Que objectivos o norteiam?
Por mim falo, que não sou funcionário público mas apenas tenho contato individual de trabalho celebrado com o Estado, pelo que não me sinto afectado nem para o bem nem para o mal, dado que sou avaliado desde há quase 20 anos a esta parte.
Ainda assim, ouso emitir opinião sobre o que não me parece bem mas que afecta outros que não eu próprio.
O que me estranha é o silêncio de tantos supostos lutadores pelas causas públicas, solidários com os mais desfavorecidos, prejudicados e ameçados, que não ousam levantar a voz, antes procuram passar despercebidos, pelo facto de eles próprios, ou alguém próximo fazer parte das categorias "até agora ainda não atingidas" pelas restrições. Muitos que sempre ouvi dizerem-se de esquerda, como se issio fosse uma moda prestigiante.
Pelos vistos, mais prestigiante que a pretença que a presença e a prática, o que não me surpreende.
Não esperem pela demora. E, nem o facto de muitos deles se terem sempre mostrado nos foruns da suposta esquerda solidária, evitará os conflitos de consciência com se debaterão ao perceberem que deram o seu voto e ergueram o seu punho em defesa de quem tem que governar para o país e não para eles, apesar do seu voto e apoio.
Como pode este país alguma vez este país ser verdadeiramente desenvolvido se substancial parte dos seus dos seus habitantes apenas se incomodar quando ouvir baterem à sua porta?

AS BARBAS DO MEU VIZINHO JÁ ESTÃO A ARDER

Até agora, sempre que os decisores políticos franceses pretendem alterar o seu modelo social, as manifestações de rua têm pesado mais e feito recuar as intenções. O resultado é o adiamento do inevitável e a continuada perda de competitividade da economia francesa e do país, cuja maior perda foi, desde logo, o alicerçamento da globalização na língua inglesa e não na sua.
As soluções serão cada vez mais dolorosas, de cada vez que se adiem, porque a perda de tempo só prejudica.
Estas decisões são duras e drásticas? Sem dúvida! Por isso já há sinais de procura de entendimento por parte do Governo, aligeirando alguns dos efeitos, mas... mantendo estas e outras medidas, consideradas necessárias para a sobrevivência da competitividade da economia francesa e para a estimulação dos mecanismos de geração de emprego.
Estou curioso para ver como se vão aguentar os decisores: aguentar firme a bem da nação e do futuro da nação (onde todas as classes e categorias terão que ceder alguma coisa do que tinham conquistado até aqui), ou ceder e arruinar um futuro hoje sombrio e que ficará a cada dia mais negro pela inércia e falta de coragem de antecipação da decisão política?
Por cá, aconselho a muitos "iludidos" a que comecem a por as barbas de molho, porque as dos nossos vizinhos já estão a arder. Brevemente as mesmas preocupações estarão à nossa porta.
É altura de começar a pensar como podemos contribuir na construção das soluções, mais do que na sua contestação pura e dura que a nada conduzirá.

É ASSIM QUE NOS VÃO (DES)GOVERNAR?

Já em euforia com sinais tão fracos como o aumento do consumo? Esperam ser essa a grande sustentação do crescimento económico deste e dos próximos anos em Portugal? E querem convercer-nos que estamos a criar riqueza e a recuperar terreno na compensação das debilidades produtivas da nossa economia, cada vez mais abalada pelas recentes deslocalizações industriais?
Pensei que os anos de ilusão guterrista teriam servido para alguma coisa em termos de lição a quem governa.
Veja-se o que relata o resto do texto da notícia:
«À espera do investimento - Estes dados estão também em sintonia com as conclusões retiradas pelo Instituto Nacional de Estatística na Síntese Económica de Conjuntura publicada ontem. Em Fevereiro, afirma o documento, a recuperação do indicador de clima - que agrega as expectativas dos agentes económicos nos vários sectores de actividade - deu-se "exclusivamente com a melhoria observada nas opiniões do sector do comércio".»

2006-03-15

ABSURDO

MUDAM-SE OS TEMPOS... E AS REACÇÕES

Algo de estranho se passa nas nossas "pequenas" comunidades do início do século XXI relativamente à década passada, afectando comportamentos e atitudes dos seus actores e agentes, sendo por estes transformadas e alteradas substancialmente na regulação do seu funcionamento pois, onde antes era possível observar a possibilidade e a avidez de discussão de ideias, encontramos hoje indiferença generalizada ou, quando muito, resistências à discussão, arrumando-a o mais rapidamente possível.
Onde antes era possível discutir ideias, discutem-se hoje coisas, banalidades. Onde antes era possível discutir ideias e coisas, discutem-se hoje pessoas, fazem-se ataques pessoais, sem qualquer respeito, responde-se ofensivamente ao mensageiro que não faz parte do nosso grupo de interesse, com o objectivo de fazer esquecer o assunto que esteja no cerne da mensagem.
Não acredito que a idade amoleça, mas acredito que a mesma acarreta o conservadorismo relativamente ao que se conquistou ao longo da vida. Da mesma forma, acredito que mesmo as pequenas comunidades do interior português são hoje marcadas por um maior grau de individualismo e menor solidariedade colectiva, em resultado das ameaças que cada um dos actores sente pairar sobre as circunstâncias que o rodeiam e que procurará evitar que o afectem a ele, tal como já afectam outros à sua volta.
A participação em grupos é mais diversificada mas também mais selectiva e menos livre, sendo maior o número de clubes a que se pertence, do que de grupos propriamente ditos. Em qualquer deles, o seguidismo face à inquestionável doutrina aceite aquando da admissão, é cada vez mais evidente, trocando-se a demissão da participação por protecção na defesa conjunta dos direitos adquiridos e de interesses materiais, que ameaçam esvaír-se.
Estamos perante um aumento generalizado da ansiedade, que leva não só a uma posição mais frequente de auto-defesa, de alerta aos sinais, como mesmo de aumento da agressividade para aqueles que questionem as nossas posições ou que julguemos que o possam vir a fazer.
Sinais dos tempos, com os quais há que contar, justificando a personalização de algumas investidas que noutros tempos não seriam compreensíveis nem justificáveis e que mesmo hoje não têm necessariamente que ser expectáveis.

POVO ESTE QUE NÃO SE GOVERNA NEM SE DEIXA GOVERNAR?

É difícil não perder a esperança no futuro de um país onde há classes profissionais (e são muitas) em que uma parte dos seus elementos se consideram acima da crítica ou da necessidade de prestação de provas sobre o seu desempenho e sobre as suas atitudes.
Pensamentos e atitudes-tipo que é frequente observar numa parte dos seus membros:
  • Que todos os outros tenham que ser submetidos a avaliação de desempenho? Quero lá saber, isso é para a função pública em geral, desde que não seja eu nem os meus colegas, não é matéria que me afecte;
  • Que a idade da reforma tenha que ser aumentada para sustentar o pagamento de reformas futuras de quem ainda trabalha e desconta para a minha reforma que já aí está a chegar? Isso não é para já, pois o que me interessa é que esse aumento não ocorra nos próximos tempos, para que eu me possa reformar rapidamente, porque as reformas dos outros não me interessam;
  • Que a previdência está falida? Quero lá saber, eu sou funcionário do Estado e ele tem que pagar a reforma. Se não chegar para todos, que fiquem os que trabalham para as empresas privadas a arder;
  • Que alguém possa questionar o meu desempenho? Mas quem julgam eles que são? Com que direito? Percebem alguma coisa do assunto? Deveriam perceber que quem me paga é o Estado, não são eles, nem é com os seus impostos;
  • Que todos deve assumir a sua quota parte na falência do sistema e reflectirem sobre o que podem fazer para o melhorar, de forma aberta e aceitando os contributos dos agentes e actores influenciadores do contexto? Não estão a ver bem o assunto: a culpa é dos sucessivos Governos, que só tomam medidas que prejudicam o funcionamento do sistema. Apesar de já terem sido tomadas medidas em todas a direcções e sentidos, não se consegue encontar uma única que não tenha prejudicado o sistema. Por outro lado, há agentes no sistema a quem nunca se poderá atribuir qualquer responsabilidade pelo funcionamento ou resultados do mesmo, porque na verdade, o sistema é assim mesmo, é o sistema e o resto é conversa;
  • Que há pessoas que não se serviram da política nem dela nunca necessitaram para alguma coisa? Não acredito que a malta que anda para aí a levantar a coroa feitos espertos, que alguma vez conseguissem alguma coisa pelos seus próprios meios, não fosse a política. Isso é bom para mim, porque eles são sim uns medíocres que só sabem é dar palpites bacocos sobre o desempenho profissional da minha classe, porque têm inveja de não pertencerem a ela;
  • Que há pessoas que reflectem sobre as coisas de forma desinteressada e são capazes de apoiar medidas e reformas, independentemente de quem as executa, por considerarem a sua justeza e necessidade para o futuro das próximas gerações, da melhoria do sistema e do país? Não acredito, essa malta tem é interesses pessoais e por isso há que tratar de lhes responder com ataques à sua pessoa e à sua vida profissional, para eles aprenderem a ficarem calados, porque o país está farto dessa malta que só atrapalha.
E assim continuará a ser, infelizmente para Portugal

2006-03-12

A ESCOLA GUTERRISTA CONTINUA FIRME ...

Quem não se recorda do último e (pouco)super Ministro de Guterres, chamado Pina Moura (rejeitado pelo PC e nunca aceite no PS, logo, um marginal) que, lendo as estatísticas sobre os jipes que se vendiam em Portugal, decidiu (e sonhou) cobrar uma mão-cheia de impostos. Resultado: no ano seguinte, a venda de jipes desceu até quase ao ponto zero.
A "remake" parece agora em formação, talvez pelo contágio e partilha do mesmo espírito entre o PM e o (já)então desastrado Ministro: foram colegas de escola num Governo que arruinou o futuro da actual e das próximas gerações de portugueses.
A não ser que, e é bastante plausível a hipótese, estejamos perante uma situação de aumento do ISP de forma propositada para diminuir o consumo dos combustíveis fósseis, resolvendo por essa via a dependência energética de Portugal relativamente aos mesmos.
Quanto a mim, era muito mais fácil desbloquear (autorizando) os investimentos (privados) que se pretendem realizar em energia solar no Alentejo e por esse país fora, os quais, para além de contribuirem para tal objectivo, ainda criariam várias centenas ou mesmo milhraes de novos postos de trabalho.
Mas, não parece ser esse o entendimento, vá-se lá perceber porquê? Eu, que não me considero tolo de todo, não entendo, embora reconheça que muita incomparável inteligência que por aí vagueia justificará (ou não) tais opções.