2005-09-16

ÉVORA ESTÁ MELHOR PARA ALGUNS. É UM FACTO

As dezenas de “outdoors” com que o PS inundou o concelho, apregoando que Évora está melhor, chocam a vários níveis:

  • Pelas centenas de milhares de Euros esbanjados por um partido que diz não ter feito obra porque a Câmara de Évora estava endividada;
  • Pelo exagero dos gastos de um partido que está a conduzir o país para o abismo económico, esbanjando ao serviço das ambições pessoais de quem teima em agarrar-se ao poder por todos os meios;
  • Pela falta de ligação entre o que os cartazes anunciam ter sido feito e as incontáveis promessas de 2001: não se fala no parque de feiras e exposições, no pavilhão multiusos, no parque urbano, no centro de moda e design, no estádio municipal, na pista de atletismo, …
  • Pela falta de verdade que os cartazes encerram: promessas de emprego “no ar” e sem sustentação, água fornecida “ao preço do ouro”, o apoio aos idosos que é irrisório e uma iluminação do Centro Histórico que serve para comprovarmos durante as 24 horas do dia a degradação que o mesmo sofre, por falta da Câmara Municipal à promessa de 500.000 contos por ano para a recuperação do mesmo.

Outros cartazes igualmente chocantes se atravessam a cada passo que damos: muita obra em pouco tempo com a fotografia da rotunda das portas do Raimundo. É demais o descaramento de apresentar o arranjo de uma rotunda em cujo anel deixaram uma paragem de autocarro, como exemplar da mediocridade da obra feita. Podiam ao menos ter esperado que estivesse montado o monumento encomendado ao mandatário das campanhas autárquicas do PS, para tirarem a foto. Esse será por certo um dos poucos eborenses para quem Évora está melhor, a avaliar pelos valores da adjudicação da obra. A ele poderemos somar meia dúzia de construtores civis com grandes obras em execução em cima das muralhas, sem impedimentos de um PDM que a Câmara Municipal não conseguiu rever em 4 anos.

Para encontrarmos outros cidadãos que possam testemunhar firmemente a melhoria de Évora, teremos que procurar fora do concelho: por ex. os promotores do ÉvoraModa e a TVI, sem esquecer o testemunho de Lili Caneças que agradeceu publicamente numa revista cor de rosa, ao Presidente da Câmara de Évora as mordomias em Hotel de luxo, as dimensões da suite e a viatura à disposição, dignas de uma verdadeira “Cleópatra”.Évora está melhor. É facto, para alguns, poucos.

2005-09-15

É BOM NÃO ESQUECER...

Como se não chegassem as inúmeras promessas feitas em 2001 e não cumpridas, ainda se foram acrescentando outras, para aumentar o tamanho da lista de cobranças da oposição ...

2005-09-13

SE A MODA PEGA CÁ NA TERRA ...

Esta saiu ontem num jornal nacional. Se a moda pegar cá pela nossa cidade, não chegarão as 24 páginas que em média o Diário do Sul publica diariamente, para os arrependidos de terem sido levados pelo canto da sereia do PS em 2001 ...

MAIS UMA VEZ A EXCELÊNCIA COMO MIRAGEM ...

Não existem dúvidas de que seria uma boa notícia para Évora e uma esperança para o futuro do concelho, a instalação de uma plataforma logística no seu seio.

No entanto, apesar de ser a segunda vez que a notícia surge a público, imagino que a partir da Câmara Municipal, levantam-se sérias dúvidas sobre a solidez da ideia, nomeadamente pelo facto de os espanhois da Extremadura estarem determinados a avançar com a construção de uma plataforma logística de grandes dimensões, com ou sem Portugal como parceiro, o que condicionou o Governo português a decidir, por arrastamento, a construção de uma estrutura complementar no Caia, do lado português.

Bastará ler o recente estudo do Prof. Augusto Mateus, intitulado "Plano Regional de Inovação para o Alentejo", encomendado à sua equipa pela CCDRA, para constatar que Évora não figura entre os 4 locais de eleição para criação de plataformas logísticas no Alentejo: Sines e Elvas (que parecem já ter recebido aval de construção por parte do Governo), a que se somam Beja e Montemor/Vendas Novas.

Perante isto, as dúvidas que se levantam, são:

  • Como pode a Câmara de Évora anunciar que o Governo está convencido das potencialidades de Évora no campo logístico e que está mesmo empenhado na construção de uma tal infra-estrutura, se a mesma iria ficar "entalada" entre as de Vendas Novas e a de Elvas? Então o TGV é algum comboio de brincar que pára em todas os cantinhos desde Lisboa até à fronteira e isto toma a configuração duma fila de plataformas logísticas qual jogo de monopólio, a ver quem dá mais? É racional esta gestão de recursos de dar uma plataforma a cada cidade alentejana por onde passe o TGV? A que modelo pertence este tipo de planeamento e ordenamento do território?
  • Faz sentido e pode confiar-se na informação de empenho e concordância do Governo com a construção de uma plataforma logística em Évora, quando o mesmo Governo ainda recentemente suspendeu todos os concursos para a construção da linha de mercadorias Sines/Évora, a qual afinal parece já ter mudado de destino e abandonado Évora em troca do Poceirão?

Para além destas dúvidas sobre a viabilidade da ideia, relativamente à qual ainda nenhum membro do Governo se pronunciou ou anunciou concordância, não passando por isso mesmo de notícias que a Câmara de Évora tem feito sair para o exterior em período de campanha eleitoral, há no entanto um preocupação de fundo que subsiste:

Porque tem a Câmara de Évora que andar sistematicamente a copiar o que outras cidades alentejanas pretendem construir, antes de nós e para o que dispõem de condições mais vantajosas? Quem não se recorda das polémicas declarações do Presidente da Câmara de Évora sobre a possibilidade de "roubar" o aeroporto a Beja? Que tipo de convivência é esta com as restantes cidades do território alentejano? A que lógica preside este tipo de raciocício senão ao imediatismo eleitoralista?

Tem a Câmara de Évora alguma ideia concreta, de carácter estratégico, sobre quais os factores que a distinguem das restantes, no Alentejo, que poderão por isso alicerçar a construção de uma competitividade valorizadora desses trunfos únicos e ao mesmo tempo beneficiar todo o contexto territorial em que está inserida?

No fundo, o PS tem alguma ideia para o futuro de Évora, que tenha pés e cabeça e seja suficientemente fundamentada à luz do contexto territorial em que nos inserimos, procurando contribuir para a promoção da integração do mesmo em contextos mais amplos?

Sem ideias, não deve ser fácil gerir os destinos de uma Câmara Municipal com a dimensão de Évora. Só assim se explicam os resultados destes 4 anos.

2005-09-11

O DEBATE RTP - AUTÁRQUICAS (ÉVORA-2005)

Muito estranha que, à excepção desta nota aqui ao lado, as reacções ao debate entre os candidatos à Câmara de Évora, que decorreu na RTP 1, não tenham surgido, da mesma forma que foram parcas as apreciações globais sobre o assunto.

Será porque o actual Presidente da autarquia eborense não parece hoje mais do que uma esfumada sombra do que era em 2001? Parece ter perdido a sua cambatividade e a sua vontade de ir á luta, no fundo, o seu ar empenhado que lhe conhecemos e que convenceu os eborenses. Também é verdade que, para além dos precalços de saúde que vieram a público, várias outras situações não lhe correram bem ao longo deste mandato:

  • Conflito com todos os vereadores e saída dos mesmos das listas, terminando sozinho;
  • Conflito com os assessores e demissãos destes, abandonando-o;
  • Ausência de competências técnicas fundamentais á gestão de uma Câmara Municipal por parte da actual lista;
  • Incapacidade de reestruturação operacional dos serviços municipais, os quais funcionam pior que antes;
  • Abandono do Governo e desinteresse com a actual candidatura do PS à Câmara Municipal de Évora;

Por outro lado, não me pareceu ver no candidato da CDU a suficiente clareza de ideias, empenho e garra para retomar os destinos da CME nas suas mãos. Antes parece que está a fazer um favor ao partido, sem segurança e convicção na reconquista, o que é notório pela clara ausência de ideias e propostas, a que se junta a fraca vontade de as fazer valer durante o debate.

Ambos aqueles candidatos (PS e CDU) têm responsabilidade na situação de letargia a que o concelho chegou:

  • A CDU, que geriu os destinos do concelho ao longo de quase 3 décadas e deixou morrer a chama da cidade, permitindo o esfumar da importância que a mesma teve em tempos;
  • O candidato do PS, que foi formado na mesma escola e que participou da gestão CDU durante várias décadas, apenas há 10 anos tendo ingressado no PS, a partir de onde começou a fazer estragos à gestão CDU a partir da CCDRA, numa lógica de guerrilha ao poder autárquico então instalado, com vista à sua conquista, enquanto objectivo pessoal.

Não tenho dúvidas que as soluções para Évora não passam pela já evidenciada incapacidade da actual gestão, claramente esgotada, nem pela ultrapassada gestão da CDU, que os eleitores rejeitaram definitivamente nas eleições de 2001.

O debate da RTP1 mostrou de forma clara onde está a alternativa e o futuro para a gestão autárquica de Évora: no único candidato que, de forma serena mas empenhada mostrou e apresentou ideias e estabeleceu objectivos, rejeitando a tradicional feira das promessas eleitorais.

O CENTRALISMO DOS REGIONALISTAS

A CCDRA tem novo presidente e vogais, resultado de uma esclha do Ministro da tutela, que abandonou o anterior modelo de escolha dos dirigentes de topo daquele organismo, a partir da indicação dos autarcas e outros organismos regionais.
Não se consegue compreender que um partido que sempre bradou pela regionalização, quando no Governo, volte atrás com a revogação de mecanismo descentralizado e participado de nomeação dos dirigentes de organismos públicos tão importantes como a CCDRA, criado pelo PSD, voltando a impor a vontade própria da tutela.
Será pelo facto de desta forma poder fazer aquele exercício que tão comum e frequente tem sido nas nomeações regionais deste Governo e que é a recomposição das listas de candidatos autárquicos do PS? Quando se quer afastar um número dois que incomoda um Presidente de Câmara do PS, lá se empurra para algum organismo regional, como se de uma promoção se tratasse.
Já agora, estranho nunca mais se ter ouvido nenhum presidente de Câmara Municipal do Alentejo questionar o Governo sobre a (falta de)alternativa ao modelo de organização terriotrial do anterior Governo, que foi abandonado e não substituído por qualquer outro. O que é feito das Comunidades Urbanas e das Áreas Metropolitanas?
Mas, afinal, o que é que o Governo faz, para além de extinguir e revogar tudo o que o anterior Governo fez, criando um vazio por falta de apresentação de soluções alternativas? É para isto que serve uma maioria absoluta, para fazer tão pouco?

2005-09-09

A GLÓRIA PERDIDA EM TÃO POUCO TEMPO

Em 2001, cansados da estagnação que se agudizava no concelho, em resultado do esgotamento e vazio da CDU, os eborenses deram ao PS um presente, apenas pela vontade de mudança: uma confortável maioria absoluta.

Embora ainda hoje duvide que a vitória do PS em Évora tenha constituído efectivamente um voto de esperança do eleitorado, mais do que o descontentamento com o poder local (recorde-se que o resultado foi ao arrepio de todo o país), o certo é que a responsabilidade de fazer sair Évora do marasmo a que estava entregue, passou a ser do actual executivo.

O desafio que se coloca hoje, no final deste mandato autárquico, é o de encontrar alternativas a uma gestão que deixou esfumar a glória que poderia ter sido conseguido, em apenas 4 anos.

Pessoalmente, nunca tive esperança que pudesse ser de outra forma, por diversas razões, entre elas, o facto de o actual Presidente ter sido formado na mesma escola do anterior e, apenas as ambições pessoais e a sede de poder os terem separado. Acresce a isso o facto de os protagonistas do PS terem demonstrado claramente já por diversas vezes a sua incapacidade de gerirem os destinos do país e de coordenarem as políticas regionais.

Não me parece que esteja sozinho nesta descrença, tendo em conta que não é normal um executivo municipal que ganha com maioria absoluta, renovar-se totalmente logo ao fim do primeiro mandato, ao ponto de o seu Presidente ficar sozinho e em rota de colisão com todos os seus vereadores operacionais.

Também não é normal que o Governo socialista tenha abandonado totalmente o concelho de Évora e o seu executivo municipal, que é da mesma cor. Recorde-se que:

  • O Governo PSD elegeu Évora para construção de um dos 10 novos Hospitais Centrais, tendo protocolado com a Câmara Municipal as condições necessárias (cedência de terreno, construção de acessos, revisão do PDM …). Qual foi a escolha do Governo PS? Riscar Évora do mapa …;
  • O Governo PSD protocolou com a Câmara de Évora as condições de construção das novas Biblioteca Pública e Biblioteca Municipal, que o Ministro Carrilho tinha empatado e bloqueado. Qual o seguimento desse processo pelo actual Governo? Nunca mais ninguém se lembrou disso;
  • O Governo PSD deu início ao processo de concurso para remodelação da linha ferroviária Évora-Lisboa e inscreveu no PIDDAC 2005 as verbas necessárias ao início do termo da construção do troço do IP2 entre o cruzamento de S. Manços e Estremoz (fundamental ao alívio do trânsito da cidade de Évora), tal como fez com a variante de S. Miguel de Machede. Em que ponto estão esses processos? Abandonados.

Os eborenses sentem-se abandonados por este Governo, que abandonou também o seu executivo municipal, por já não acreditar nele. Há quanto tempo o Presidente da Câmara de Évora não é visto ao lado de qualquer membro do Governo, em Évora? A questão a saber é se a vergonha é do primeiro pelo inqualificável desempenho do Governo, se deste pelo lastimável desempenho da Câmara de Évora.

Certo é que a glória se esfumou rapidamente, para ambos …