2008-11-29

COMPLEXOS DO SOCIALISMO DEMAGÓGICO

O MaisÉvora faz bem em reavivar de forma sistemática a memória dos eborenses relativamente à presidência "cata-vento" da Câmara de Évora (cata-votos não foi em 2005 nem será certamente em 2009), que insiste em repetir continuadamente os mesmos erros: a demagogia sem limites e sem pudor.
A elencagem de (apenas) algumas (entre a imensidão) das promessas eleitorais do PS em 2005, para Évora, patentes e comprovadas pela edição do jornal Público que o MaisÉvora apresenta (espera-se que não sejam desmentidos os jornalistas pelo Senhor Presidente, como aconteceu no caso do "Draculagate"), revelam uma ambição desmedida e desespero de certos partidos e candidatos, falta de percepção da realidade, desnorte e demagogia.

O único objectivo perceptível é a angariação de votos, a qualquer custo, mesmo que seja na repetição sequencial de um infindável rol de promessas feitas em 2001 e em nada cumpridas. Só assim se percebe o anúncio de tanto complexo, quando nem o básico e mais simples foi conceguido, que seria elevar os serviços municipais a um patamar de melhor funcionamento.

Apesar disso, atente-se no discurso presente no texto da notícia:

Na apresentação do programa eleitoral da sua candidatura a um segundo mandato, José Ernesto Oliveira garantiu ter feito "muita obra em pouco tempo" (quatro anos), mais do que fez a anterior gestão da CDU, liderada pelo comunista Abílio Fernandes, "nos dois mandatos anteriores".

Ou ainda:

"Orgulhoso da obra feita, embora não satisfeito", disse José Ernesto Oliveira, pedindo a renovação da maioria absoluta nas eleições autárquicas de 9 de Outubro e prometendo "ainda mais obra no futuro", com apostas na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e no desenvolvimento sustentável, num território mais ordenado e qualificado.

Faz igualmente bem o MaisÉvora em questionar as promessas mais recentes do Presidente da Câmara de Évora quanto ao início das obras da fábrica Embraer, que supostamente deveria acontecer antes de terminar o mês de Novembro.

Ora, como de água a escaldar têm os gatos medo, da mesma forma de promessas de aviões estão os eborenses cheios, desde que o PS ganhou a Câmara, há 8 anos. Mas, vê-los, vê-los mesmo, assim com asinhas e tudo, ainda nada.

Já agora, para salvar a credibilidade que ainda resta ao PS de Évora relativamente ao desprezo do distrito e às promessas para o concelho, seria desejável que, a acontecer algum (já previsível) anúncio de início de construção da fábrica da Embraer, durante o ano de 2009 (que é ano de triplas eleições), o mesmo fosse mesmo a sério e não apenas para a foto do boletim de campanha.

Aquilo pelo que os eborenses anseiam e desesperam já, em muitos casos, é pelo início da construção e não por mais um qualquer demagogo anúncio de lançamento do concurso para ... como aconteceu recentemente com o Hospital Regional.

De demagogos estão os eborenses cansados e já deram disso um primeiro sinal nas eleições autárquicas de 2005. Conviria a alguns políticos a actualização do estudo do código dessa sinalética.

SÓ A PROPAGANDA INTERESSA

Interessante a leitura de O Glorioso Titanic no Portugal dos Pequeninos:

António Barreto: «O Governo continua a distribuir Magalhães, na convicção, fingida ou não, de que com tal gesto está a estimular a alfabetização, a cultura, a curiosidade intelectual, o espírito profissional, a capacidade científica e a criatividade nacional. Será que nas áreas do Governo e do partido não há ninguém que explique que isso não acontece assim?»

Todavia, o sr. Canas, ontem, depois de uma reunião do politburo do PS, com aquela boquinha de cu de galinha, garantiu que tudo está como devia estar na "socralândia" e que não passa pela cabeça de nenhum "camarada" - sobretudo dos poucos a quem sobra uma cabeça - concorrer com o "camarada secretário-geral". Também assegurou que Maria de Lurdes Rodrigues está no caminho adequado. Só não explicou em que direcção.

Têm, porém, sorte o sr. Canas e a fantasia eucaliptal de que ele é porta-voz (por favor, nunca o removam). Como escreve Pulido Valente, «a força de Sócrates vem da eficácia com que conseguiu meter o PS na ordem, da autoridade prussiana com que trata o Governo e do grande zelo com que policia os portugueses. Numa época ameaçadora e turva, o país prefere, como sempre preferiu, um "homem de pulso", mesmo gasto e pouco amado, a qualquer herói de circunstância, com um exército em revolta atrás de si.

E é por isso que o PSD paradoxalmente mais se afunda quanto mais procura a salvação.» Este é, em suma, o glorioso "Titanic" em que navegamos. Sem salva-vidas que salve seja quem for.»

UMA VERGONHA DE GOVERNO

Há quatro anos, o administrador do Banco de Portugal Manuel Sebastião foi procurador do administrador do Banco Espírito Santo Manuel Pinho na compra de um prédio em Lisboa. Esse prédio era propriedade do Banco Espírito Santo, tendo Manuel Sebastião servido de intermediário numa compra entre o BES e um administrador do BES.

Manda a boa prática que um administrador de um banco não se envolva em negócios pessoais com o próprio banco que administra. E manda a lei que o Banco de Portugal supervisione o funcionamento do Banco Espírito Santo. Manuel Sebastião viria mais tarde a adquirir um apartamento nesse prédio, entretanto remodelado.

Em Março deste ano, o ministro da Economia Manuel Pinho nomeou Manuel Sebastião presidente da Autoridade da Concorrência. A lei exige que a Autoridade da Concorrência seja um "regulador independente". A possibilidade de ela entrar em conflito com o Governo é elevada, sendo no mínimo discutível que um ministro nomeie um amigo pessoal - e seu inquilino - para desempenhar tal cargo.

Certamente por achar que não havia nada para esclarecer neste caso, o Partido Socialista chumbou, na sexta-feira, a audição a Manuel Pinho e Manuel Sebastião no Parlamento, pedida pelo CDS-PP.

Estes são os factos. Confrontado com eles, o que é que o primeiro-ministro de Portugal decidiu comunicar ao País? Que não encontra no que foi publicado "nada que seja contra a lei". O que até é bem capaz de ser mentira, mas admitamos que possa ser verdade. Só que José Sócrates não ficou por aí. E acrescentou também não ter encontrado "nada que seja criticável do ponto de vista ético".

Ora, isto são declarações absolutamente vergonhosas, e só mesmo por vivermos num país onde a mentira na política é aceite com uma espantosa tolerância é que um primeiro-ministro pode dizer uma barbaridade destas e sair de mansinho.

Se José Sócrates encontrasse um dos seus ministros a tentar arrombar um cofre com um berbequim diria aos jornais que ele estava só a apertar um parafuso.

Afinal, também no caso da sua licenciatura o primeiro-ministro não viu nada de eticamente duvidoso nem de moralmente reprovável. Ora, o que me faz impressão não é que esta gente que manda em nós atraia a trafulhice como o pólen atrai as abelhas - isso faz parte da natureza humana e é potenciado por quem frequenta os corredores do poder.

O que me faz impressão é o desplante com que se é apanhado com a boca na botija e se finge que se andava só à procura das hermesetas. É a escola Fátima Felgueiras, que mesmo condenada a três anos e meio de prisão dava pulinhos de alegria como se tivesse sido absolvida.

Nesta triste terra, parece não haver limites para a falta de vergonha.

O ESTADO GERIDO EM FUNÇÃO DO PS

Mais um exemplo de como o PS instrumentaliza a gestão da coisa pública (neste caso uma empresa pública como a EDIA) a bem e em função dos seus interesses eleitorais, mais do que pelos objectivos de serviço público que o deveriam comandar.

Sempre assim foi e continuará a ser com o PS, para mal do país em geral e do Alentejo em particular.

Permito-me não formular desejos de boa sorte eleitoral em Beja.

A transição para a EDIA e a sua instrumentalização já tinha sido denunciada noutros lados: por ex. aqui.

INSTRUMENTALIZAÇÃO DO QREN PARA AS ELEIÇÕES: SE DÚVIDAS HOUVESSE ...

ESPANHA: CONTESTAÇÃO AO MODELO DE BOLONHA

A discussão não foi nem aprofundada nem atempada, envolvendo todos e, o resultado é que só agora surgem as dores.

Espere-se para ver o alastramento a outros países europeus.

2008-11-27

CANCELAMENTO DA PRESENÇA DE SANTANA LOPES EM ÉVORA

INFORMAÇÃO DE ÚLTIMA HORA:

Por motivos de força maior, o Dr. Pedro Santana Lopes acaba de informar o PSD de Évora não poderá estar presente amanhã em Évora, pelo que a Assembleia de Secção do PSD que deveria ocorrer dia 28 de Novembro pelas 21 horas no EvoraHotel será adiada para data a indicar, durante o mês de Janeiro, em dia a acertar com o convidado Dr. Pedro Santana Lopes, que se manifestou disponível para o efeito.

Lamentando os incómodos causados por tal adiamento,

A Secção de Évora do PSD

2008-11-18

É MAIS QUE EVIDENTE A CANALHICE INTERPRETATIVA!

No Insurgente, com toda a razão, que só os analfabetos ou os maldosos não entendem, os primeiros por razões que os ultrapassam, os segundo por canalhice.

Como diria o Chato aos socialistas, vão mas é trabalhar, deixem-se de propaganda medíocre.

Mas também é verdade que, do medíocre nível a que os políticos e governantes socialistas nos habituaram, não seria de esperar muito mais que a rasteirice.

É a vida ...

2008-11-17

PALHAÇADAS DE PROPAGANDA DE UM GOVERNO POUCO OU NADA SÉRIO

No SOL:

A Escola do Freixo, em Ponte de Lima, foi o palco escolhido por José Sócrates, na passada quarta-feira, para mais uma acção de promoção dos computadores da JP Sá Couto para o 1.º ciclo. Sócrates chamou os jornalistas e distribuiu os Magalhães pelas crianças. Mas, terminada a cerimónia oficial, os portáteis tiveram de ser devolvidos.

Contactado pelo SOL, o conselho executivo da Escola do Freixo explicou que as crianças não puderam ficar com os computadores, «porque há questões administrativas a tratar».

A mesma fonte – que não se quis identificar – assegura que os Magalhães «estão na escola», mas explica que isso não significa que os alunos do Freixo vão receber os portáteis mais depressa do que as crianças de outros estabelecimentos de ensino.

«Não sabemos quando é que os computadores vão ser distribuídos», admitiu, acrescentando que a entrega «depende da logística administrativa».

Antes da entrega real dos equipamentos, a escola vai ter de «preencher toda a papelada e os pais que não estiverem abrangidos pelo 1.º escalão da acção social escolar vão ter de fazer o pagamento do computador». Um processo que a escola admite desconhecer quanto tempo poderá demorar.

Fica também por esclarecer se os Magalhães que Sócrates já deixou na escola serão suficientes para todas as crianças. A Escola do Freixo tem 185 alunos inscritos no 1.º ciclo, mas o conselho executivo diz não saber quantos portáteis foram entregues na cerimónia que contou com a presença do primeiro-ministro. «Não sei quantos computadores cá ficaram», disse ao SOL um elemento do conselho executivo.

Ao que o SOL apurou, foi explicado a alguns alunos que os computadores tinham de ser devolvidos no final da visita de Sócrates por terem problemas nas baterias. No entanto, o conselho executivo da Escola do Freixo garante que «as crianças sabiam» que não iam ficar com os Magalhães naquele dia, porque lhes «foi explicado que era preciso realizar alguns procedimentos administrativos».

2008-11-14

GOVERNANTES SOCIALISTAS DEVEM TRAZER SOLUÇÕES A ÉVORA

O PSD congratula-se com a recente visita do Ministro do Trabalho e vários Secretários de Estado a Évora, pela qual os eborenses ansiavam há bastante tempo, esperando ver a partir de agora diminuir os níveis de desemprego que no concelho de Évora aumentou 2% desde 2005, afectando especialmente os mais qualificados com habilitações superiores, entre os quais o número de desempregados cresceu 86%, que ficam cada vez mais tempo nessa situação.

Os eborenses desesperam há 4 anos pela prometida criação de novos empregos, especialmente os jovens qualificados pelo ensino superior que gostariam de se fixar no concelho e contribuir para a revitalização demográfica e para a dinamização da economia regional, mas que não encontram condições para tal.

Seria desejável para Évora que, em vez da acção de propaganda política, os responsáveis pelo Ministério do Trabalho tivessem anunciado medidas resolutivas para a crescente degradação das instalações do Convento S. Bento de Cástris (antiga Casa Pia), cujo espólio monumental diminui a cada dia, fruto dos constantes assaltos e actos de vandalismo.

O PSD e os eborenses aguardam agora, durante os próximos tempos de verdadeira “campanha eleitoral”, pela visita de outros ministros deste Governo a Évora, que procurem, mais do que anunciar o “lançamento do concurso para construção de …”, resolver ou ao menos explicar:

  • A desistência do investimento da Skylander em Évora;
  • Os PIN turísticos que teimam em não sair do papel;
  • O encerramento da fábrica de têxteis Lee;
  • O encerramento ou deslocalização de vários serviços desconcentrados da Administração Pública;
  • A inércia da CCDRA traduzida na ausência de apoios do QREN que ainda não saiu da gaveta, dificultando a vida ao tecido empresarial;
  • O adiamento do novo Arquivo Distrital de Évora, com início previsto em 2005 e abandonado pelo PS;
  • O adiamento da nova Biblioteca Pública de Évora, com início previsto em 2005 e abandonada pelo PS;
  • O abandono da iniciativa “Évora, capital nacional da cultura”;
  • A quebra continuada dos valores inscritos no PIDDAC para o distrito de Évora;
  • A asfixia financeira da Universidade de Évora, pondo em risco os salários e postos de trabalho de uma entidade que é fundamental para o futuro de Évora e do Alentejo;
  • A asfixia financeira das pequenas empresas geradoras de emprego, a quem o Estado não paga os serviços adquiridos, mas sobrecarrega fiscalmente a um nível nunca visto em Portugal;

Com a atenção concentrada nestes problemas estiveram os Deputados do PSD, reunidos em Évora durante as recentes jornadas parlamentares, cujos trabalhos e atenção o PSD de Évora saúda e elogia enquanto preocupação sentida com as dificuldades que atravessa o interior do país, cada vez mais abandonado pela população e pelo Governo.

Évora, Novembro de 2008 - A CPS DE ÉVORA DO PSD

A MENSAGEM CREDÍVEL

ALDEIA DA LUZ: MASSACRE POLÍTICO DO GOVERNO SOCIALISTA

O Congresso dos Autarcas Social Democratas (ASD) que se realizou em Viana do Castelo no final do passado mês de Outubro, contou com a presença e participação de vários autarcas social democratas do PSD no distrito de Évora.

Entre eles, participante e interveniente com comunicação ao Congresso esteve um homem cuja experiência autárquica em condições naturalmente adversas, merece destaque: Francisco Oliveira, Presidente da Junta de Freguesia da LUZ, concelho de Mourão, que desde 1990 se empenhou politicamente na melhoria das condições de vida da localidade que o viu nascer e que o próprio viu submergir às águas de Alqueva, em nome de um futuro melhor que tarda em ver concretizar.

A freguesia da Luz tem a singular marca laranja desde 1979, destoando de quase todo o Alentejo então manchado de vermelho e hoje mais descolorido para os tons rosa. Assistiu à proclamação da submersão pelo PM Cavaco Silva, em 1993, com a consequente pressão da oposição ao PSD para não votarem naqueles que iriam arrasar a sua aldeia e alterar o modo e local de vida.

Viu, ainda assim, que aquela população continuou fiel ao PSD no mais dramático momento das suas vidas, não voltando a cara mas sim mobilizando todos os seus esforços de empenho e participação na reconstrução do seu futuro.

Despejado com a restante população da Luz, da terra os viu nascer e aos seus antepassados, o Presidente da Junta de Freguesia foi o interlocutor privilegiado desde 1994 com os órgãos do poder político, nos sucessivos e arrastados acordos e reivindicações para a radical mudança de toda uma comunidade.

A instabilidade política vivida por Portugal em 2001 veio encontrar no seu auge as polémicas (decorrentes da construção da Barragem do Alqueva) relativas ao processo de Reinstalação da Aldeia de Luz, da transladação do cemitério, das complicações técnicas e humanas do projecto de Emparcelamento Rural em curso, entre outros exemplos.

Francisco Oliveira testemunhava perante os seus colegas autarcas social democratas de todo o país, reunidos em Congresso dos ASD, a complexidade que representa a mudança de toda uma aldeia, das pessoas e dos bens, de toda a noção de comunidade que uma localidade representa, mudar o cemitério e todos os restos mortais ali existentes, em alguns casos apenas com escassos dias de enterramento.

Perante a ameaça de efeitos psicológicos tão devastadores para a organização social e política da comunidade, ajudou a mesma com o que lhe restava de margem de manobra: assegurar as condições de exercício autárquico que pudessem permitir ao PSD mudar correctamente a aldeia da Luz quando chegasse ao Governo, o que veio a suceder em 2002, ano a partir do qual procurou garantir o máximo de obra durante o Governo PSD, sabendo que quando tal poder se extinguisse, todos os compromissos que desde 1994 tinham sido assumidos pelo poder político, seriam esquecidos, o que denuncia hoje, veio realmente a acontecer.

O processo de emparcelamento rural da Luz é apenas um dos que apontou na sua intervenção como uma decisão politica do actual Governo, através do Ministério da Agricultura, prejudicando em 2M € a Luz, por deslocação do investimento agrícola para outras freguesias, afectas ao Partido Socialista. Trata-se da perda de investimentos fundamentais para o desenvolvimento da freguesia, para economia local, para a criação de postos de trabalho e para o bem-estar social da população da Luz, para ali poder fixar pessoas à terra.

A interrogação de Francisco Oliveira perante este ataque político do Governo socialista a uma freguesia cujos destinos foram eleitoralmente confiados ao PSD, é a de procurar perceber qual o sentido da construção de uma Nova Aldeia, a qual parecem agora querer voltar a deixar desaparecer?

O Presidente da Junta de Freguesia da Luz revelava na sua intervenção ao Congresso dos ASD já ter mostrado estas e outras aberrações políticas do PS à comunicação social regional e nacional, ter tomado posições de força junto de vários organismos públicos, mas sem resultados visíveis de alívio das intenções socialistas de bloqueio e asfixia ao desenvolvimento da freguesia, levando a cabo um verdadeiro massacre politico de toda uma aldeia alentejana.

OUTRA GRANDE REFORMA SOCIALISTA

2008-11-07

SÓCRATES EM CASA, PORTUGUESES DESLOCADOS

No Blasfémias, a denúncia irónica do estado de degradação e latinização americanizada a que chegou um país que deveria ser desenvolvido e europeu, aqui e aqui.

Talvez por isso haja tantos compradores de Magalhães na América Latina: julgam que vêem ensinados e reproduzem sozinhos o discurso de banha da cobra do Socras.

Apesar desse tradicional e quase obsessivo fascínio pela modernidade europeia, desta vez estão totalmente iludidos: é preciso um actor hipócrita e um povo anestesiado.

Bem, no fundo, talvez o iludido seja eu, pois, por lá isso é mato. Em Portugal é que não.

2008-11-02

E AS SONDAGENS REVELAM QUE ...?

Uma boa crónica, denunciando "Um país Anestesiado":

O eng. Sócrates foi a um encontro de estadistas latinos promover o Magalhães. Leio nos jornais que o "verdadeiro computador latino--americano", que o eng. Sócrates trata igualmente por Tintim, suscitou longa dissertação do primeiro-ministro e referências elogiosas de alguns dos estadistas presentes.

Evo Morales, talvez Presidente da Bolívia, aproveitou para desejar a morte do capitalismo e sublinhar a importância do Magalhães e dos computadores em geral, produtos, como se sabe, do socialismo proletário. A mera caridade isenta o sr. Morales de quaisquer adjectivos.

Mas custa, ou devia custar, ver o eng. Sócrates, que chefia o Governo de uma nação supostamente "normal", no papel de vendedor de bugigangas. Agora é um portátil americano em El Salvador. Em breve, não espantará ninguém que o homem grite as virtudes dos atoalhados espanhóis em Luanda (os verdadeiros atoalhados luso-angolanos) e das conservas marroquinas na China (o verdadeiro sangacho sino-lusitano).

E o ponto é justamente esse: não espantará ninguém. Interessante.

Portugal nunca terá tido o decoro fácil. Porém, há não demasiado tempo, garantia padrões mínimos, os quais por exemplo nos conduziram ao escândalo face ao divertido desempenho de Santana.

Com o eng. Sócrates, a começar nas peripécias que envolveram o próprio título académico e a terminar, para já, nesta vocação de caixeiro- -viajante entre matutos, o escândalo é nulo.

De um bizarro modo, de resto reflectido nas sondagens, acha-se natural que a governação seja isto, e por "isto" entenda-se um prodigioso desfile de figuras embaraçosas, que a propaganda e a inclinação censória ajudam a legitimar, mas não legitimam por completo.

Se contemplamos impávidos um circo sem precedentes nesta jovem democracia, convém lembrar que a culpa do circo também é nossa. E que a democracia é realmente jovem: a amadurecer assim, daqui a uns anos não se estranhará que um equivalente do sr. Morales, do Tintim ou do Milou, ponha e disponha de nós, connosco a aplaudir.

2008-11-01

SEM PALAVRAS ...

Segundo o relato da notícia no Correio da Manhã:

O secretário de Estado da Administração Pública, Gonçalo Castilho dos Santos, diz que o "mítico dia 1 de Janeiro de 2009" não marcará o início da reforma da Administração Pública, porque ela "já está no terreno" e alerta que quem não cumprir as exigências que a lei impõe "será trucidado".

"Trabalhadores, serviços e dirigentes que não estejam com a reforma serão trucidados", afirmou o governante, no encerramento do Congresso Nacional da Administração Pública. Para Castilho dos Santos, os funcionários devem ter a noção de que "a reforma já não pode andar para trás", pelo que "trucidará quem não estiver com ela".

O secretário de Estado lembrou à plateia que "a lei têm consequências para quem não a cumprir" e sublinhou que "é inaceitável que em Outubro e Novembro haja serviços que ainda não definiram os objectivos para esse ano". "Se a lei diz que até ao final do ano deve haver uma comissão paritária em todos os serviços, a lei tem que ser cumprida", reiterou.

Castilho dos Santos referiu ainda que o "Governo não está de braços cruzados na consolidação da reforma", pelo que serão publicadas, em Novembro, duas circulares dirigidas aos serviços. Uma será interpretativa do SIADAP, que avalia o desempenho dos trabalhadores, e a outra tipificará as mudanças que irão decorrer da entrada em vigor do novo contrato de trabalho em funções públicas.

Aliás, Correia de Campo, presidente do Instituto Nacional da Administração (responsável pela formação dos dirigentes do Estado), admitiu ter dúvidas na contratação. "Eu reconheço-me muito pouco preparado", disse, acrescentando que "existe uma grande dose de desconhecimento sobre como tratar a contratualização no sector público".

Confrontado com estas declarações, o secretário de Estado foi claro: "Não vejo como um sinal de receio. As pessoas têm é uma grande expectativa em perceber o que vai mudar nas suas vidas."

Um primeiro comentário vai desde logo para Correia de Campos que só depois de corrido do Governo começou a ter dúvidas e opinião própria sobre as políticas do mesmo e a sua eficácia.

Nesta notícia, do Público, pode ler-se:

Presença de enfermeira considerada “inconveniente nas instalações da empresa” - Linha Saúde 24 suspende subscritora da carta à ministra Ana Jorge (31 .10.2008 - 16h43 Margarida Gomes)

O Conselho de Administração (CA) da LCS-Linha de Cuidados de Saúde, SA suspendeu ontem uma das enfermeiras supervisoras fundadora do serviço Linha Saúde 24 por considerar a sua presença “inconveniente nas instalações da empresa”.

A enfermeira em causa foi a primeira subscritora da carta que um grupo de oito supervisoras do call center de Lisboa escrevera há dias à ministra da Saúde, Ana Jorge, denunciando um conjunto de anomalias no funcionamento daquela linha de atendimento.

Ana Rita Cavaco, que foi adjunta do ex-secretário de Estado da Saúde, Carlos Martins, do XV Governo, chefiado por Durão Barroso, foi suspensa sem qualquer nota de culpa. Na carta, entregue pelo director-geral, Luís Alves, à enfermeira supervisora, afirma-se que o “Conselho de Administração da LCS deliberou instaurar-lhe um processo disciplinar, com intenção de despedimento com justa causa, bem como a sua suspensão preventiva, com efeitos imediatos, sem perda de retribuição, antes da nota de culpa, tendo em conta que esta ainda não pôde ser elaborada e que é inconveniente a presença de V.Exa nas instalações da empresa”.

Há uma semana, este mesmo Conselho de Administração elogiava e agradecia o apoio de todos aqueles que trabalham na Linha Saúde. Num comunicado interno, o CA registava e enaltecia “o apoio a todos aqueles que nestes 17 meses de actividade têm desempenhado com rigor, brio, dedicação e profissionalismo a sua função e que têm prestado um serviço de inequívoca qualidade”. “Este nível de serviço tem sido reconhecido por entidades exteriores de auditoria, pela atribuição do 1º lugar no prémio de boas práticas no sector público (...)” e “sem essa dedicação e profissionalismo dos srs. enfermeiros, farmacêuticos e restantes quadros da empresa este resultado não teria sido possível”, acrescenta a administração da LCS.

No documento, a Linha de Cuidados de Saúde lastimava, por outro lado, as notícias que a comunicação social tornou públicas sobre o “caos organizativo” em que funciona a Linha Saúde 24, e acusava os media de “prejudicarem o serviço, a empresa e quem nelas trabalha”.

Essas mesmas críticas são hoje retomadas pela administração da empresa através de um comunicado que faz publicar em dois jornais nacionais e no qual explica que as “notícias não são verdadeiras e têm origem num conflito laboral relacionado com a organização de horários de alguns supervisores da Linha Saúde 24”.

“Para acumularem empregos, esses enfermeiros supervisores pretendem, no essencial, que os horários da Linha Saúde 24 se subordinem aos horários que têm de cumprir noutras instituições e às conveniências da sua vida pessoal”, acrescenta o texto.

O Conselho de Administração da LCS, acusa ainda aqueles profissionais de, “visando manter o pluriemprego, não hesitam, designadamente, em proferir afirmações, veiculadas pela comunicação social, que fazem tábua rasa de um acordo homologado em tribunal, mediante o qual, por livre consenso entre as partes, foi posto termo ao conflito laboral. E não hesitaram, também, pelas referidas razões pessoais, em pôr em causa a imagem profissional dos cerca de 300 enfermeiros, farmacêuticos e restantes elementos da estrutura da LCS”.

A empresa que explora a Linha Saúde 24 sai em defesa dos utentes e do seu bom nome e deixa claro que não vai tolerar mais polémicas, anunciando que, “para além do recurso aos meios disciplinares, alguns dos quais já accionados face a ocorrências verificadas, a LCS agirá por todos os meios convenientes, à salvaguarda do interesse dos utentes deste serviço e à indemnização de todos os danos que forem causados”.

Como classificaria o actual Presidente da Assembleia da República, que em tempos brindou um seu colega deputado com um "Vª Exª é um canalha", os tiranos arrogantes responsáveis por atitudes de punição desproporcionada a funcionários que, de forma assumida e identificada, decidem contribuir para a melhoria do funcionamento dos seus serviços, identificando estrangulamentos e propondo soluções de resposta mais adequada dos serviços aos contribuintes que sustentam a sua existência e o pagamento do vencimento a certos responsáveis da AP e do Governo, cuja justificação é claramente duvidosa?

As atitudes em causa nas 2 notícias vindas a público no mesmo dia, são elucidativas de várias enfermidades de que padece a saúde actual da nossa vida democrática, coisa que, aliás, os partidos da oposição vêm identificando e denunciando aos níveis nacional e regional, ao longo desta que merece figurar entre as piores maiorias absolutas, traduzidas numa nunca vista arrogância governativa, desde que há memória de liberdade democrática em Portugal.

  • Por um lado, são a causa e a consequência da falhada reforma da Administração Pública que nunca pretendeu ser efectivamente aquilo que se viu ser anunciada. O encerramento de serviços básicos nos concelhos do interior do país, nomeadamente nos sectores da saúde e educação, fundamentados num total desrespeito pelas condições fundamentais de vida quotidiana dos portugueses resulta num total prejuízo para os contribuintes que cada vez mais são menos e pior servidos pelo Estado que, em injustificada contrapartida, aumentou a incidência da carga fiscal sobre os mesmos. Típico de uma América Latina por onde o Primeiro-Ministro se entretém com caricatas prestações que envergonham cada vez mais portugueses;
  • Para além do facto de boa parte dos serviços públicos que foram objecto de reestruturações funcionarem hoje pior, mais dependentes da aquisição banalizada de serviços básicos ao exterior, assistiu-se a uma inexplicável gestão de recursos humanos que ditou o afastamento arbitrário e não fundamentado de funcionários dos serviços locais, originando novos problemas sociais. As posições da Provedoria de Justiça sobre esta matéria, irresponsavelmente ignoradas pelo Governo, denunciam a razão que assiste a muitos que se consideram vítimas da falta de transparência e da perseguição política que os discrimina e persegue, como há muito não se via no País;
  • Sendo inequivocamente condenáveis as atitudes de arrogância discricionária, prepotência, falta de transparência e de rigor de tais responsáveis políticos, haverá ainda que acrescentar os custos que este tipo de actos acarreta para a Administração Central e Local, pela degradação do serviço prestado em contrapartida a um contributo acrescido do contribuinte;

O corolário da reflexão parece-me ser aquela velha máxima, sempre actual (em geral e na política em particular) porque fundamentada na psicologia social e comprovada pela sociologia política, de que a arrogância não deriva da personalidade antes sendo um estilo construído, preenchendo a função de escudo da incompetência para um desempenho inseguro onde a naturalidade confiante deveria predominar.

JORNADAS PARLAMENTARES DO PSD

VIDA INTERNA

Assembleia Distrital de Évora do PSD contou com a presença do Secretário-Geral Adjunto e deputado pelo círculo eleitoral de Setúbal, Engº Luis Rodrigues.